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Faça um programa de índio
Hoje é festejado o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Que tal programar uma viagem para conhecer de perto o dia-a-dia de tribos indígenas?  

Fernanda Castello Branco, especial para o iG

Agência Pataxó

Índios pataxó no sul da Bahia

Veja também:
- Xingu, lugar sagrado para o etnoturismo no Brasil 

Se Deus quiser
Um dia eu quero ser índio
Viver pelado
Pintado de verde
Num eterno domingo

Pelo menos por um dia, os versos de Rita Lee podem ser colocados em prática Brasil afora. O turismo indígena, passeios a aldeias em vários pontos do País, com a vivência in loco do cotidiano dos índios, é cada vez mais comum. Hoje, 10 de dezembro, o mundo festeja o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Uma data inspiradora para planejar um programa de índio, no bom sentido.

Algumas tribos ficam abertas à visitação em tempo integral. Outras têm passeios oferecidos por agências de viagem e turismo receptivo. Antes de embarcar nessa aventura, é preciso, no entanto, saber respeitar a cultura indígena. A hospedagem nas aldeias é diferente da estadia em um hotel de selva. Pequenos detalhes, como levar a própria roupa de cama, podem fazer a maior diferença.

Listamos alguns roteiros de turismo indígena pelo Brasil, com dicas do que há de melhor para ver em cada tribo.


BAHIA

Onde: Porto Seguro

Agência Pataxó

Passeio que começa em Porto Seguro leva turistas a várias aldeias

Preço: R$ 899 por pessoa, a partir do dia 20 de dezembro de 2010.
O que está incluído: traslados entre as aldeias, refeições (menos em Caraíva) e hospedagem (em Caraíva, os turistas dormem em uma pousada à beira-mar).
Quem leva: Agência Pataxó – (73) 3288-1256.

O passeio começa em Porto Seguro, sul da Bahia, e deve ser agendado com, pelo menos, trinta dias de antecedência. O ideal, segundo a agência, é que o interessado encaixe o roteiro na semana de lua cheia ou lua nova, para presenciar rituais realizados pelos índios neste período.

Agência Pataxó

Turistas têm contato direto com os costumes e rituais dos índios pataxó

Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália abrigam, juntas, 22 aldeias da etnia pataxó, mas nem todas têm estrutura para receber os turistas. A primeira parada do roteiro é a Reserva da Jaqueira, a 12 quilômetros do centro de Porto Seguro, sentido norte. Lá, os visitantes passam duas noites dormindo nas ocas, em redes, tarimbas (camas de madeira) ou esteiras. O passeio continua na Aldeia Velha, onde as pessoas passam a manhã e almoçam. À tarde, a viagem segue para Imbiriba, outra aldeia no distrito de Trancoso. O visitante tem a oportunidade de fazer oficina de artesanato com os índios e ouvir suas histórias.

Agência Pataxó

Reserva da Jaqueira, a 12 quilômetros de Porto Seguro, integra o roteiro

A próxima etapa do roteiro, em Caraíva, é mais rústica. O turista faz uma travessia em canoa, no rio Caraíva, e pernoita em uma pousada, com visita ao povoado à noite. No dia seguinte, a viagem segue para Barra Velha, a “Aldeia Mãe”, que originou todas as outras.


Onde: Caraíva

Caraíva.net/Divulgação

Passeios por tribos em Caraíva levam até o Monte Pascoal

Preço: R$ 300 por pessoa, por dia.
O que está incluído: acompanhamento dos guias Pataxó autorizados pelos caciques das aldeias, taxa de entrada no parque, subida ao Monte Pascoal.
Quem leva: Abrolhosnet Viagens e Turismo

O passeio pode durar de dois a cinco dias, dependendo do interesse do visitante. O de dois dias vai até Monte Pascoal, passando pela Aldeia Mãe de Barra Velha, Boca da Mata e Pé do Monte. Percorre-se uma distância de aproximadamente 40 quilômetros. O passeio de três dias visita a aldeia Kaxandó, a Aldeia Mãe de Barra Velha, e as aldeias Tiba e Pequi, em Cumuruxatiba. Já o roteiro mais completo, de cinco dias, visita a aldeia Kaxandó, Boca da Mata e Meio da Mata, Pé do Monte, Águas Velas, Corumbauzinho e Cahy, Tiba e Pequi, além da subida ao Monte Pascoal.

Caraíva.net/Divulgação

Ritual na aldeia Kaxandó pode ser presenciado pelos turistas

Os roteiros são recomendados para antropólogos, biólogos, aventureiros e pessoas acostumadas com caminhadas de longa distância e resistência. As refeições são todas feitas em casas de nativos, no meio do caminho percorrido. Restaurante só mesmo em Cumuruxatiba. Os passeios podem ser realizados em qualquer época do ano, mas aconselha-se evitar os meses de julho e agosto, por causa das intensas chuvas no sul da Bahia.

O diferencial destes roteiros é que, mesmo sem o conforto e a estrutura que existem em algumas aldeias apoiadas pela prefeitura, o turista vivencia a realidade do povo indígena na costa do descobrimento do Brasil. Os pataxós recebem as pessoas de forma calorosa, oferecendo frutas nativas, como manga e abacaxi, mostrando sua cultura, seus bichos, práticas de agricultura e rituais xamânicos.


MATO GROSSO

Onde: Xingu

Paddling/Flickr

Índios Kalapalo no Xingu: entrada é difícil na maior reserva do país

Preço: em média R$ 4.200, pacote de três dias, para três pessoas, saindo de Cuiabá (MT).
O que está incluído: somente o transporte até o Parque Nacional do Xingu.
Quem leva: Kanzen Turismo

Criado em 1961 e ocupando uma área de mais de 27 mil quilômetros quadrados, o Parque Nacional do Xingu, terceiro maior parque indígena do mundo, pode ser considerado uma parada obrigatória para aqueles que desejam ter contato com o povo indígena. Porém, a questão lá é mais delicada. Muitas agências que faziam o passeio, com pacote fechado de três dias, deixaram de oferecê-lo por não conseguirem prever os valores cobrados pelo cacique dentro do parque.

A Kanzen Turismo, por exemplo, costumava oferecer um pacote de três dias, pelo custo (bem mais alto que a média dos passeios a tribos espalhadas pelo Brasil) de R$ 7.600 por pessoa, incluindo transporte, hospedagem em cidades próximas ao Parque do Xingu e visitação ao parque. Hoje em dia, a agência só se responsabiliza pelo transporte, feito a partir de Cuiabá, a 850 quilômetros do Parque Nacional.

Paddling/Flickr

O Parque do Xingu é o terceiro maior parque indígena do mundo

Quem arriscar fazer a viagem pode até pagar muito caro – e se responsabilizar por conseguir a autorização diretamente junto à Funai –, mas, em compensação, visitará uma área belíssima, entre o planato central e a Amazônia. Ali vivem cinco mil índios de 16 etnias diferentes e 204 tribos.


ACRE

Onde: Vale do Juruá

Pedro França/Minc/Flickr

Menina na aldeia Apiwtxa, que pode ser visitada no Acre

Preço: De R$ 3.342 (roteiro de seis dias) a R$ 4.341 (roteiro de nove dias) por pessoa (grupo mínimo de seis pessoas).
O que está incluído: guia, condutor local, transporte rodoviário e hidroviário regulares, serviços, refeições, brinde e seguro viagem.
Quem leva: Maanaim Amazônia

O passeio, batizado de Caminho das Aldeias e da Biodiversidade, acontece em torno das principais aldeias abertas a visitação na região do Vale do Juruá: a Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, dos Yawanawás, e a Apiwtxa, no rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, dos Ashaninkas. Entre os destaques do roteiro estão os rituais xamânicos para turista nenhum botar defeito.

Apesar de manterem intactas algumas tradições, os indígenas que participam do roteiro mantêm contato com os "brancos" há muitas décadas e já absorveram vários de seus costumes. Turistas que forem esperando índios com arco e flecha em punho podem se decepcionar.

A operadora que organiza o passeio oferece um calendário de visitação desenvolvido pelos próprios índios. Entre as opções de datas há o réveillon na aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, em Tarauacá. Um festival dos Yawanawás, por sua vez, acontece todos os meses de outubro.


PARANÁ

Onde: Foz do Iguaçu

Preço: R$ 150 por pessoa, que pode ser parcelado em três vezes de R$ 50.
O que está incluído: traslado.
Quem leva: Foz Ecoturismo

O passeio pode ser feito todos os dias, das 9 às 18h, e dura aproximadamente uma hora e meia, levando os turistas até a aldeia indígena Mbyá Guarani, Tekoa Yriapú. A comunidade fica na cidade de Puerto Iguazú, Argentina, a 10 quilômetros de Foz do Iguaçu. Por ser território argentino, o turista brasileiro deve portar RG ou passaporte.

As saídas só acontecem se o grupo tiver, no mínimo, duas pessoas. A agência busca os interessados no local de hospedagem. Os visitantes podem assistir de perto a danças e cantos indígenas, além de levar para casa uma lembrança da cultura Guarani, adquirida entre as peças de artesanato feitas pelos índios.

Outras atrações do passeio: uma trilha com várias armadilhas em miniatura para explicar como a caça é feita, uma réplica da Casa de Rezas e a apresentação do coral de crianças. A visita, feita com o acompanhamento de um guia, acaba no pátio da aldeia, com a exibição do artesanato.


PARAÍBA

Onde: Conde

Preço: R$ 100 por pessoa.
O que está incluído: traslados e guia acompanhante cadastrado pelo Ministério do Turismo.
Quem leva: Maresia Tour

O roteiro pode ser feito todos os dias, às 8 ou às 14h, com duração média de quatro horas. O passeio leva os turistas a aldeia indígena chamada Flor D' Água, localizada no município do Conde, a aproximadamente 20 minutos de João Pessoa, famoso pela praia naturista de Tambaba. Um guia nativo conduz as pessoas até a tribo dos Macuxi. Quem quiser pode passar pela pintura corporal à base de carvão e urucum. Depois, todos seguem em uma caminhada pela comunidade.

Entre os destaques estão a “aula” que os índios dão sobre as plantas nativas da mata e suas propriedades terapêuticas, o banho de argila natural e o mergulho em piscinas naturais, formadas no meio da mata. Os adeptos do naturismo podem vivenciar a experiência em uma área especial.



SÃO PAULO

Onde: Bertioga

Preço: R$ 50 por pessoa.
O que está incluído: seguro viagem, autorização para entrar na aldeia, guia da agência e guia nativo.
Quem leva: Seiva Tur

A cidade de Bertioga, a 108 quilômetros da capital paulista, é a porta de entrada para o belíssimo litoral norte de São Paulo e possui 33 quilômetros de lindas praias. Mas a cidade também pode ser interessante para quem planeja visitar uma aldeia indígena.

Um dos passeios imperdíveis em Bertioga é a visita à Aldeia Indígena do Rio Silveira, localizada em uma área de quase 950 hectares, na divisa entre Bertioga e São Sebastião. Cerca de 300 índios tupi-guaranis vivem na comunidade.

O passeio dura quatro horas e deve ser agendado com, pelo menos, uma semana de antecedência, pois a agência precisa da autorização do cacique. Geralmente, os visitantes vão no próprio carro para a aldeia. O transporte não está incluído no pacote. Não há número mínimo de pessoas para formar um grupo. Entre as atividades, há apresentações de danças com a indumentária tradicional e a abertura da Casa de Rezas pelo cacique. 

Onde: Tupã

Coelhovoadornet/Flickr

Entrada da cidade de Tupã, que fica em região ocupada por índios

Preço: gratuito.
O que está incluído: visitação.
Quem leva: a aldeia é aberta à visitação.

Veja também:
- Saiba mais sobre a estância turística de Tupã 

Localizada a 500 quilômetros da capital paulista, Tupã fica em uma região antes ocupada por tribos indígenas. Até os dias de hoje, uma tribo se mantém no território da cidade, habitada por índios das etnias Kaingang, Krenak e Terena.

Fundada em 1916, a aldeia indígena Vanuíre é aberta à visitação, mas a própria prefeitura adverte que é melhor agendar o passeio previamente. Na aldeia moram 180 pessoas, em 50 casas.

Assembléia Legislativa de SP

Fundada em 1916, a aldeia indígena Vanuíre é aberta à visitação

Outra atração da cidade é o Museu Histórico e Pedagógico "Índia Vanuíre", criado em 1966 e com acervo composto por 24 mil itens, entre documentos e objetos, como instrumentos de pesca e caça, de uso doméstico, cerâmica e objetos de rituais. O museu oferece, ainda, auditório, biblioteca especializada e monitores.


MATO GROSSO DO SUL

Onde: Campo Grande

Preço: acesso gratuito. Só se gasta com o que for comprado ou consumido.
O que está incluído: visitação.
Quem leva: Pode ser feita livremente todos os dias, das 8 às 11h30, e das 13 às 17h30.

Aqueles que quiseram conhecer uma aldeia urbana têm como opção a Marçal de Aquino, em Campo Grande. Esta área foi invadida pelos índios Terenas, em 1996. Dois anos depois, a prefeitura construiu no local um conjunto habitacional. São 135 casas de alvenaria em forma de oca. Seus habitantes são das etnias Guarani, Kadiwéu, Caiuá, Terena, Ofaué e Xavante.

Localizada no bairro de Tiradentes, próximo ao centro de Campo Grande, a Aldeia Marçal de Aquino, a primeira urbana do Brasil, tem escola e um Memorial Indígena. No memorial estão expostas peças da arte indígena.


* Valores pesquisados em dezembro/2010 e sujeitos a alterações
** consulte as agências para saber a disponibilidade de vagas, possíveis taxas extras e formas de pagamento


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