Cansado da rotina de trabalho, o administrador de empresas Guilherme Tetamanti resolveu, em 2011, arriscar tudo e vender a parte de uma loja de brinquedos virtual que ajudou a criar há cinco anos. Com o dinheiro que recebeu, foi atrás do seu sonho: passar a vida viajando. Criou um blog , passou por diversas dificuldades, mas não desistiu e conseguiu transformar o projeto de dar a volta ao mundo em uma profissão. Hoje, recebe por isso.

Leia também: Casal se conhece no Tinder e larga tudo para viajar pelo mundo de carro

undefined
Arquivo pessoal
Guilherme Tetamanti decidiu tirar a rotina da sua vida e teve coragem de largar tudo para realizar o sonho de dar uma volta ao mundo, ele conseguiu e essa virou sua profissão – montou um blog e escreve sobre turismo e ganha por isso


“Assim que recebi o 'sim' do meu ex-sócio, decidi que aquela oportunidade seria o início de uma vida que eu pudesse chamar de incrível. Após assinar o contrato de venda, já comecei a sonhar com o próximo ano e foi assim que decidi dar uma volta ao mundo ”, conta Tetamenti ao iG Turismo , e acrescenta que não tinha muito dinheiro, mas era o suficiente para, por exemplo, dar entrada em um apartamento ou começar outro negócio.

Ao invés de guardar ou investir o dinheiro de forma tradicional, o rapaz decidiu ser ousado e seguir seu sonho de dar uma volta ao mundo. Ele preferiu não ser muito racional, quis seguir o coração, pois já não aguentava mais seguir uma rotina regrada – trabalhando das 9h às 18h, enfrentando trânsito diariamente e fazendo algumas viagens para a praia aos finais de semana. “Sempre gostei de viajar e não me conformava com apenas 30 dias de férias por ano.”

Ele correu atrás do objetivo e ganhou visibilidade

O primeiro passo para essa mudança foi criar um blog e começar a escrever sobre suas viagens antigas. Também começou a documentar sobre todo o processo para realizar a almejada volta ao mundo. “Quando comecei a pesquisar sobre o assunto, encontrei pouca informação em português, não consegui ajuda. Foi quando arregacei as mangas e vasculhei a internet buscando dicas, me apaixonei pela ideia”, lembra.

undefined
Arquivo pessoal
O administrador resolveu montar um blog para contar os detalhes da suas histórias de viagens

Durante um ano viajando, o então blogueiro publicou cerca de 150 artigos e começou a ganhar visibilidade. “Percebi que era um assunto leve, que eu poderia passar uma vida explorando. Passei a organizar essas informações e foram surgindo os primeiros artigos”, fala Tetamanti.

No ano seguinte a essas viagens, ainda tinha sobrado um pouco de dinheiro, e ele continuou produzindo, pois via que muitas pessoas conseguiam ganhar dinheiro com projetos parecidos. Porém, o projeto não deu certo, e, antes de dar a volta ao mundo, ele precisou voltar a trabalhar com a venda de brinquedos.

“Segui assim por mais dois anos, vendendo brinquedos durante o dia, mas escrevendo para o blog nos intervalos, à noite e finais de semana. Até que em março de 2015, quatro anos depois do início do projeto, decidi que focaria 100% do meu tempo ao blog”, diz o viajante. Nessa época, ele faturava R$ 500 por mês com a página e percebeu que se seguisse essa linha de trabalho, a tendência seria multiplicar esse valor. “Foi a melhor decisão da minha vida”, ressalta.

Viagens que garantiram ótimas experiências 

A persistência deu certo e atualmente o blogueiro possui 40 carimbos no passaporte. “Passar a vida viajando é um sonho , que apesar de ser muito difícil, é perfeitamente possível e qualquer um pode realizar. Para mim, demorou cinco anos para construir e vender minha primeira empresa, depois mais cinco para ter uma renda considerável com o blog”, relata.

Leia também: 35 anos, 153 países e perrengue: histórias do viajante que já bateu recordes

Em toda essa trajetória e com a volta ao mundo que conseguiu dar, Tetamanti ficou impressionado com alguns destinos, inclusive fez questão de visitar alguns mais de uma vez, mas outros ele não deseja ir de novo. Esse novo trabalho de viajante permitiu não só que o blogueiro saísse da rotina, mas também que vivesse novas experiências, fora que ainda passou a faturar com isso.  

“A Alemanha sempre me impressiona pela organização, tudo funciona. As praias das Filipinas são obra de Deus. Mas a Nova Zelândia foi o destino que ganhou meu coração, pois tem um pouco de tudo: organização, povo acolhedor e lugares tão bonitos que nem acredita que existem”, expõe.

undefined
Arquivo pessoal
De todos os países que o viajante conheceu, o que ele mais ficou encantando foi a Nova Zelândia por seus atrativos


O país formado por duas ilhas relativamente pequenas, pouco maiores que o estado de São Paulo, realmente marcou o viajante. “A Nova Zelândia possui atrativos naturais tão diferentes que nem parecem estar neste planeta: praias paradisíacas, geleiras, caniôns, cavernas e tudo isso muito bem aproveitado por empresas que exploram o turismo. É um país encantador”, diz com empolgação.

Experiências negativas que servem de alerta

Por outro lado, o blogueiro não voltaria para a cidade de Arusha , na Tanzânia . O local é o ponto de partida para os safáris rumo ao Serengueti National Park, um dos mais notáveis do mundo, pois por lá dá para ver os “Big Five” (leão, leopardo, búfalo, elefante e rinoceronte), grupo de cinco mamíferos selvagens de grande porte considerados os mais difíceis de serem caçados pelo homem.

Leia também: 119 dias e 32 países: embarque no cruzeiro que dará a volta ao mundo

“Arusha é um caos, uma cidade suja e lotada de vendedores de safári. Ao começar a busca por empresas que oferecem esse tipo de passeio, caí no erro de comentar sobre isso com o recepcionista do hotel, que chamou um amigo e começou a perseguição”, lembra o viajante. “Em poucos minutos, parecia que todos na cidade sabiam do meu interesse em visitar o safári, e não tive paz até fechar o passeio com uma empresa confiável. Boa parte da população local vive da comissão que recebem com essas indicações.”

undefined
Arquivo pessoal
Arusha, na Tanzânia, é um dos lugares que Guilherme não pretende voltar, pois não teve uma boa experiência por lá, mesmo possuindo um popular safári que conta com os principais predadores da natureza, conhecidos como "Big Five"


Mesmo a experiência não sendo muito boa, o viajante não acredita nessa de “não gostar” de um destino. “Para mim, toda experiência é válida. Ainda mais por ter a chance de compartilhar essas experiências no meu blog. Certamente ajudei muita gente que foi para Arusha e acabou não passando por tal situação”, diz.

Intruso no quarto do viajante

Nas viagens da volta ao mundo, Tetamanti também passou por situações inusitadas e embaraçosas, uma delas nas Filipinas . O viajante desembarcou no “porto” de Coron, que está entre as 7.107 ilhas que compõem o lugar. “Não era exatamente um porto, mas sim um píer de madeira que se juntava com casas tipo palafita. Tudo em cima de um mangue! Muitas dessas casas eram pequenas hospedagens. Achei interessante e resolvi ficar por ali, foram três noites”, conta.  

Os dias foram passando, o blogueiro passava o dia “turistando” e sempre voltava para o quarto tarde da noite. Porém, notava que seus pertences estavam espalhados pela penteadeira, diferente de como ele havia deixado. “Eu pensei: é a camareira.”

Entretanto, notou outro detalhe: o sabonete estava com marcas de dentes, foi então que descobriu que tinha um intruso no local. “Na última noite, deitei na cama e instantes depois comecei a ouvir o barulho de algum animal se movendo no piso de madeira. Acendi a luz, era uma ratazana, que, juro, tinha uns 30 centímetros. E eu colocando a culpa na camareira”, fala aos risos.

Persistir e não desistir dos sonhos é o lema

undefined
Arquivo pessoal
O segredo do blogueiro foi persistir e não desistir do seu grande sonho de viver viajando pelo mundo

Mesmo já tendo conhecido diversos lugares e tendo diversas histórias de viagem, o blogueiro ainda deseja conhecer diversos destinos. “Tenho uma paixão por ilhas e poderia listar dezenas que quero conhecer. Porém, a Sicília está no topo da lista. Além de ser um destino com praias paradisíacas, essa ilha italiana foi locação do filme ‘O Poderoso Chefão’, um dos meus favoritos”, afirma.

Toda essa experiência e coragem de arriscar renderam bons resultados. Hoje, o blog "Quero Viajar Mais", de Tetamanti, conta com mais de 1,1 mil artigos publicados, ele também escreveu um livro e garante que tornou uma referência no assunto. “Fui atrás disso! Aprendi que ter um blog não é apenas escrever, mas sim empreender. É preciso muita força de vontade para seguir trabalhando”, diz o administrador de formação, que dá como principal dica para quem quer fazer o mesmo que ele persistir e não desistir dos sonhos.

Leia também: Americana bate recorde mundial ao conhecer 196 países em apenas 18 meses

“Estou totalmente realizado, hoje tenho tempo livre e autonomia para estar onde quiser, pois meu trabalho é 100% online e não dependo de ninguém”, orgulha-se o blogueiro. “Algumas pessoas me abordam dizendo o quão sortudo sou por viver viajando, por ter um trabalho que tanta gente quer ter. Não foi sorte! Eu simplesmente não desisti do meu maior sonho de dar uma volta ao mundo ”, finaliza.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Mostrar mais

      Comentários