Hotéis do Rio de Janeiro devem chegar a 85% de ocupação no Carnaval
Davi Costa / Unsplash
Hotéis do Rio de Janeiro devem chegar a 85% de ocupação no Carnaval

Mesmo sem um calendário oficial de blocos e com os desfiles na Marquês de Sapucaí adiados para abril, quem circula pelas ruas da Zona Sul percebeu nos últimos dias a presença de turistas que vieram curtir o “semicarnaval” do Rio. No forte calor de ontem, que chegou aos 32 graus segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), muitos já aproveitaram as praias, clima que deve continuar assim até a Quarta-Feira de Cinzas.

Com as festas particulares permitidas e quase nenhuma regra de distanciamento social em vigor, a cidade deve receber neste carnaval mais turistas do que no ano passado, quando o momento da pandemia não permitia qualquer tipo de festejo em grupo. Empresários do setor de hospedagens estimam que vão atingir 85% de ocupação dos quartos, acima dos 80% de 2021. Já o setor de bares e restaurantes calcula um faturamento quase 50% superior ao do carnaval passado.

Vindos de Brasília, hospedados no Leme, os amigos Leonardo Bigolin e Simone Barros pegaram o avião rumo ao Rio na quarta-feira e voltam para a capital do país no dia 4.

"Ainda temos as festas privadas e a praia. Já viemos para o Rio várias vezes, sempre tem coisa boa para fazer", disse Leonardo, apoiado por Simone, que resumiu: "Praia de dia e festas à noite".

Apesar de os sindicatos dos Meios de Hospedagem do Município (Hotel Rio) e dos bares e restaurantes (SindRio) esperarem um resultado melhor do que o do ano passado, os números não atingem ainda os de 2020, último carnaval sem Covid-19. Até a última quinta-feira, 78% dos quartos já estavam reservados para o período de 26 a 28 de fevereiro. No réveillon, a ocupação atingiu 96%, taxa que costuma ser alcançada nos carnavais sem pandemia.

O presidente do Hotéis Rio, Alfredo Lopes, está otimista e acredita que os números ainda vão aumentar.

"A expectativa é que, mesmo com o adiamento dos desfiles e a suspensão dos blocos de rua, a ocupação no feriado momesco chegue a 85%, pois ainda há muitas reservas chegando", afirma.

O perfil dos visitantes ainda é o mesmo do ano passado, na grande maioria de dentro do país. O total de passageiros que vão passar pela Rodoviária do Rio durante esse período de carnaval corresponde a 70% do que foi registrado em 2020. Serão 362 mil, 120 mil a mais do que no ano passado. Em 2021, ano em que o carnaval foi cancelado, o movimento no terminal ficou em torno de 240 mil passageiros.

Luiz Strauss, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio de Janeiro, diz que, em tempos pré-pandêmicos, 25% dos visitantes eram estrangeiros. A redução deles está na casa dos 80%, calcula.

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"Os turistas estrangeiros sofreram um pouco com restrições por causa da Covid e teve ainda o adiamento dos desfiles das escolas de samba. Eles gostam muito (dos desfiles). Muitos viajam só para isso".

A falta do carnaval oficial não fez o argentino Leonardo Andrés desistir. Os termômetros marcavam 30 graus na orla de Copacabana, na tarde de ontem, enquanto ele tomava seu chimarrão olhando o mar. É sua segunda vez na cidade.

"Tudo é muito agradável, as pessoas simpáticas, lindas praças, lindas mulheres, linda música. Quero ver alguns lugares que não conheci da última vez, como a Floresta da Tijuca. Também estou aproveitando a Lapa e vou a uma festa num barco e outras baladas nesta semana. Só faltou o Sambódromo", enumerou o animado morador de Santa Fé.

R$ 5,4 bilhões na folia

O pesquisador Claudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV, estima que a suspensão dos blocos de rua e, sobretudo, o adiamento dos desfiles das escolas de samba para o feriado de Tiradentes devem tirar até 13% dos possíveis ganhos do Rio durante o carnaval. De acordo com os cálculos do Ibre/FGV, a folia poderia gerar até R$ 5,4 bilhões para a cidade, sendo R$ 4,4 bilhões gastos por turistas e o restante pelos cariocas. Do valor deixado pelos visitantes, R$ 700 milhões, ou 13%, seriam de estrangeiros. "O adiamento dos desfiles vai fazer muita diferença nos ganhos. Os estrangeiros costumam gastar mais".

O presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Município do Rio, Fernando Blower lembra que, em 2021, além de não ter carnaval, havia a segunda onda dos casos de Covid-19.

"Na ocasião, houve uma queda de 46% no faturamento, comparando com o mesmo mês do ano anterior. Este ano, estimamos a recuperação destes 46% e dos patamares pré-pandemia".

Para quem vende bebida nas ruas, no entanto, a situação vai continuar difícil nesse carnaval. A festa é considerada uma espécie de 13º salário dos ambulantes.

"Não vai ter onde ganhar dinheiro. Nos ambientes fechados onde vai ter festa, os ambulantes vão ficar aglomerados na porta tentando alguma coisa — lamenta Marcelo Veras, presidente da Federação das Associações de Ambulantes do Estado do Rio".

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