Marco zero de Aparecida (SP)
Santuário Nacional Aparecida (SP)
Marco zero de Aparecida (SP)

Em 2026, os romeiros que chegarem a Basílica de Aparecida encontrarão um novo ponto de referência, a placa do Marco KM 0, localizada no Pátio das Palmeiras, na entrada frontal da igreja. O totem foi instalado pelo Santuário Nacional para representar a chegada dos peregrinos que percorrer diferentes caminhos a pé até a igreja.

Segundo o Santuário, a ideia foi transformar a chegada em uma experiência de fé e memória para que o fiel se sinta acolhido. O totem tem uma imagem que mostra a basílica e vários caminhos. Entre as rotas de destaque estão o Caminho da Fé, Caminho de Aparecida, Caminho de Nossa Senhora e Caminho Religioso da Estrada Real. Também aparecem a Rota da Luz, o Caminho da Padroeira, o Caminho da Graça e Rotas da Devoção.

Segundo o Santuário Nacional, a escolha de instalar o totem no local foi devido a enorme fluxo de peregrinos que terminam a caminhada nesta parte da Basílica. Além disso, o objeto também foi pensado para fazer parte dos registros dos romeiros e, na parte de baixo, tem um QR Code com informações sobre o espaço do peregrino e como retirar o certificado após a caminhada.

Fé e solidariedade

Entre os romeiros que chegarão ao Santuário Nacional Aparecida em 2026 está Marcelo Silva, motorista de trasnportadora. Ele sempre foi devoto de Nossa Senhora Aparecida e tinha a tradição de ir ao Santuário Nacional de carro com a família.

Em 2024, a esposa de Marcelo teve que fazer uma cirurgia as pressas e corria risco de vida. Quando soube da situação, Marcelo ficou muito preocupado, mas rezou para Nossa Senhora Aparecida ajudar a resolver a situação.

Em troca da solução do problema, Marcelo prometeu ir para Aparecida a pé. Segundo ele, como um dos seus maiores hábitos era andar de carro, quis fazer esse desafio de fé. Então, começou a se preparar para a romaria que decidiu fazer sozinho.

Segundo Marcelo, quando faltavam 10 dia para iniciar a viagem, o filho dele sofreu um acidente de carro gravíssimo. No entanto, quando ele chegou ao local do acidente, viu que o carro tinha sido destruído pelo impacto, mas o filho não tinha se ferido. Ouro detalhes que chamou a atenção ele foi a imagem de Nossa Senhora Aparecida ter ficado intacta. Marcelo, então, considerou aquele fato um forte sinal para realizar a caminhada em direção a Aparecida.

Eu tirei uma foto daquele carro estragado, imprimi e botei na bolsa. Toda hora que eu sentia o cansaço, aquela dor, aquele cansaço, eu lembrava da cirurgia da minha esposa que tinha dado certo e do meu filho intacto. Ele não sofreu um arranhão. Entendeu?! Marcelo Silva, motorista.


Segundo ele, fazer a romaria sozinho foi um ato de fé mas também de muito sacrifício. O desgaste físico que teve caminhando por aproximadamente 180 quilômetros, foi intenso. Marcelo partiu de Guarulhos (SP) levando uma mochila com itens essenciais, mas que pesava 7 quilos. Ele completou o percurso em 3 dias e afirma que, ao chegar em Aparecida (SP), a mochila parecia ter 100 quilos.

A primeira romaria deu certo. Marcelo cumpriu o seu objetivo, mas sentia que poderia fazer outras romarias de uma forma mais fácil. Foi então que teve a ideia de mobilizar voluntários que pudessem dar apoio carregando os itens necessários durante a sua caminhada.


Ele montou um grupo nas redes sociais para ajudar as pessoas que queriam caminhar mas não tinham um carro para auxiliar e carregar a barraca, itens de higiene, água e alimentos. Nos primeiros anos, o grupo tinha somente 3 pessoas. Mas, atualmente, conta com 30 pessoas. Dessas, 25 vão caminhando, e cerca de 5 vão ajudando e se revezam em duas vans e um carro de passeio como apoio aos caminhantes. Marcelo vai completar a 5ª romaria.

Marcelo e a esposa após chegar em Aparecida (SP). Foto: Foto: Marcelo Silva
Marcelo e o filho durante uma romaria. Foto: Foto: Marcelo Silva
Marcelo Silva durante sua primeira caminhada para Aparecida. Foto: Foto: Marcelo Silva
Marcelo Silva durante sua primeira caminhada para Aparecida. Foto: Foto: Marcelo Silva
Marcelo Silva, o filho e um dos romeiros do grupo. Foto: Foto: Marcelo Silva
Marcelo e o grupo de romeiros na caminhada de 2025. Foto: Foto: Marcelo Silva


Todos os anos, em meados de gosto, ele começa a pedir doações de água, itens de higiene e alimentos nas redes sociais para ajudar aos romeiros durante a caminhada. Quem desejar, também pode doar dinheiro.  Ele também promove uma rifa de camisas e reverte toda as doações são para usar no momento da romaria dos caminhantes.

Os nosso apoios não servem só para nós. Todos os romeiros que precisarem de comida, água, remédio, Tudo o nosso apoio tem. Então se o romeiro estiver precisando na estrada, a gente ajuda. Então, é um apoio de coração grande afirmou Marcelo.


Fé e persistência

Entre os romeiros do grupo do motorista Marcelo Silva está a Renata Silva.  Ela vai completar a 3ª romaria com o grupo e faz a caminhada em agradecimento aos pedidos em nome do filho, Rafael Silva de 17 anos.

O filho de Renata á jogador de futebol na federação paulista. Quando estava na escolinha de futebol, aos 14 anos, ele passou em uma peneira para jogar no Flamenguinho de Guarulhos. Segundo Renata, ele foi um dos primeiros  garotos que receberam a proposta, com pedido de documentos para entrar para a Federação de Futebol Paulista na categoria de base.

No entanto, Renata percebeu que o clube estava chamando outros atletas para assinar o contrato ao invés de chamar o seu filho. Então Renata rezou e pediu a Nossa Senhora que lhe desse uma resposta:

Eu pedi a Nossa Senhora que me desse uma resposta, que se fosse para ele ficar lá e ser federado, que acontecesse. Me bateu um desespero. Eu chorei muito, mas entreguei nas mãos de Nossa Senhora. afirmou Renata.


Dois dias depois, o filho de Renata foi chamado para fazer uma outra avaliação para jogar o campeonato paulista por outro clube. Então, ele comunicou aos coordenadores que tinha esse compromisso e recebeu uma resposta dizendo que seria federado ali mesmo.

Dois dias depois, ele assinou o contrato com o clube e jogou o campeonato paulista na categoria.

Foi a forma que eu vi que, através da minha oração como mãe eu poderia tudo. Eu poderia entender que a gente não tem que pedir somente, a gente tem que conversar com Deus e Nossa Senhora que a gente é atendido na hora certa e no momento certo. Foi isso que aconteceu. Ele assinou o contrato, ficou federado e ficou dois anos pelo clube Renata Silva, secretária.


Segundo Renata, a vida dela e da família mudou muito depois que o filho começou a jogar na federação paulista de futebol. Por este motivo, em abril de 2024, ela começou a se preparar para caminhar, procurou um grupo de romeiros para ir para Aparecida e firmou o propósito de chegar a pé até a Basílica.

Eu falava que, mesmo se eu não achasse um grupo, eu iria sozinha para agradecer. Eu levei a foto do meu filho assinando o contrato e eu deixei aos pés de Nossa Senhora. Foi isso que me motivou a ir. E eu coloquei sempre o propósito que, tudo que a gente alcançasse através do futebol e das graças alcançadas dentro da minha casa, eu iria a pé para agradecer. Mesmo que não acontecesse nada. Só pelo fato de ter mudado tudo dentro da minha casa eu iria para Aparecida do Norte Agradecer Romeira Renata Silva


Depois da primeira caminhada, Renata começou a praticar mais as orações e percebeu que a família dela também fez o mesmo movimento. Atualmente, ela participa de ritos na quaresma, novenas e outras orações como forma de agradecimento.

Rafael Silva assinando o primeiro contrado com o clube de futebol da federação paulista. Foto: Foto: Renata Silva
Rafael Silva, filho de Renata Silva, romeira do grupo de Marcelo. Foto: Foto: Renata Silva


A segunda caminhada em direção a Aparecida também foi motivada por uma graça alcançada. Ela pediu que o filho encontrasse alguém que o ajudasse na carreira profissional de jogador de futebol.

Em um dos jogos do filho, um empresário do setor esportivo fez a proposta de trabalhar com Rafael.  Renata afirma que, após a chegada desse empresário na carreira de Rafael, aconteceu uma mudança de clube e situação continuou melhorando. 

Como forma de agradecimento, Renata foi a pé para Aparecida para deixar as chuteiras do filho aos pés de Nossa Senhora:

Eu falei que tudo que eu almejasse e conseguisse para o meu filho eu iria agradecer. Hoje, a maioria das minhas orações são em prol do meu filho, porque o futebol é um mundo um pouco ingrato. As coisas são mais difíceis para as pessoas que não tem muito dinheiro. E eu peço sempre para Nossa Senhora que guie os passos dele e que se for para ele ser um bom jogador, que seja. Renata Silva.


Segundo Renata, nesta terceira caminhada ela vai agradecer por tudo o que já conseguiu para o filho e para a família. Ela afirma que a fé na virgem Maria a ajuda no dia a dia. Ela deseja que um dia o marido e o filho também participem de uma romaria para Aparecida, mas se ente feliz co o apoio que recebe dos dois.

Fé e motivação

Tiago Balconi, contador, de 41 anos vem de uma família católica. Ele conta que sempre teve devoção por Maria, mas a fé aumentou em 2017, quando a Basílica de Nossa Senhora completou 300 anos e ele realizou a primeira caminhada em direção a Aparecida. Segundo ele, em 2026, ele completa a 10ª romaria.

O contador caminhou por dois anos com um grupo e, após formar outro com alguns integrantes, continuou as romarias. Segundo Tiago, a intensão era ser só 6 pessoas que eram seus amigos próximos. Mas os anos se passaram e as pessoas foram convidando outras para participarem. O grupo cresceu e ele entendeu que essa era uma das missões dele como romeiro.

O grupo de romeiros de Tiago conta com mais de  100 pessoas atualmente e, a maior parte delas caminha na estrada enquanto outros poucos dão suporte na caminhada conduzindo os carros, guiando na estrada, dando alimentação e hidratação. Ele lembra que na primeira romaria que realizou, estava com dificuldades financeiras e até pensou em não ir. Mas, sua esposa o incentivou dizendo que a situação financeira da família poderia mudar a partir da romaria.

Depois da minha primeira romaria, que foi em 2017, eu já voltei de lá com outra visão, outro espírito, renovado e transformado. Eu fui acolhido por uma família incrível de romeiros chamada Amor Incondicional. Esse grupo foi incrível. No segundo ano também foi ótimo. Contador, Tiago Balconi


Segundo Tiago, no terceiro ano, ele decidiu ir com os amigos agradecer pelo ano. Eles entendiam que o ano espiritual deles só começara no dia 12 de outubro. Então, todos faziam a jornada e sentiam que a partir da caminhada se iniciava um ano novo espiritual para todos.

Esse ano eu completo 10 jornadas. Sempre caminhando e levando o pessoas. Eu sou o que chamamos de "o último da fila" que vou carregando o pessoal que tem mais necessidade e que está passando por um momento mais complicado, de mais dores. Eu acabo ficando mais horas na estrada para poder ajudar e não deixar que ninguém desista e para que eles possam cumprir a jornada deles. Tiago Balconi


Em uma das caminhadas, ele levou a madrinha de seu filho. Na época, ela era a única pessoa do grupo de romeiros que estava muito cansada. Então, ele decidiu acompanhá-la durante a caminhada pois já tinha a noção de que, quanto mais tempo na estrada, maior o desgaste físico.

Tiago Balconi na Basílica de Aparecida (SP). Foto: Foto: Tiago Balconi
Tiago Balconi e os romeiros no carro de apoio. Foto: Foto: Tiago Balconi
Grupo de romeiros guiados por Tiago Balconi. Foto: Foto: Tiago Balconi
Tiago Balconi e os romeiros após chegada na Basílica de Aparecida (SP). Foto: Foto: Tiago Balconi
Tiago Balconi e os romeiros na Basílica de Aparecida (SP). Foto: Foto: Tiago Balconi
Grupo de Romeiros de Tiago Balconi no ponte de apoio. Foto: Foto: Tiago Balconi
Grupo de Romeiros de Tiago Balconi no ponte de apoio. Foto: Foto: Tiago Balconi


Segundo Tiago, durante as romarias com este grupo atual ele descobriu que a santa Maria tinha uma missão para ele que era guiar as pessoas para a Basílica:

Quando nós chegamos lá que ela me abraçou, me agradeceu, eu senti que a minha missão não era mais ir para Aparecida. A minha missão era conduzir as pessoas que precisavam da minha ajuda para chegar e agradecer lá na Basílica. Então, depois da minha 4ª jornada eu descobri que não podia parar e continuo. afirmou o contador.


Segundo Tiago, todos os anos, ele faz a caminhada a pé e ainda não sabe ainda quando vai parar. Mesmo com os apoios, ele prefere ir caminhando. Tiago também disse que este ano foi presenteado por Nossa Senhora.

Por muitos anos, eu tinha que sair e deixar a minha família, minha esposa e meu filhos para fazer a caminhada. Neste ano que eu completo a minha décima jornada a minha esposa falou que a nossa família vai junto. Então, para mim, é um ano mais do que especial. É um ano que eu esperei por muito tempo para poder estar com a minha família nessa jornada. Tiago Balconi


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