
Uma investigação identificou a atuação de uma organização criminosa que estaria utilizando a estrutura do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, para inserir drogas em voos internacionais. Segundo os investigadores, o grupo contava com empregados de empresas que trabalham dentro do aeroporto e que, por causa de suas funções, tinham acesso a áreas restritas.
De acordo com a apuração, esses acessos teriam permitido a entrada dos envolvidos em locais onde passageiros normalmente não podem circular, facilitando a movimentação da droga dentro do aeroporto e sua chegada até as aeronaves. Entre as práticas identificadas pela investigação estariam a colocação de malas diretamente nos compartimentos de carga dos aviões e até a troca de etiquetas de bagagens.
A investigação começou em 2025 e busca esclarecer toda a dinâmica da organização criminosa, desde a entrada dos entorpecentes no Aeroporto de Guarulhos até sua circulação pelas áreas internas e o posterior embarque em voos com destino ao exterior.
Segundo um dos responsáveis pela investigação, pelo menos seis inserções de drogas em aeronaves atribuídas ao grupo foram identificadas somente nos últimos três ou quatro meses. Prisões em flagrante, análise de materiais apreendidos e outras diligências realizadas durante a apuração ajudaram os investigadores a identificar os suspeitos e avançar sobre o funcionamento do esquema.
Os funcionários de empresas investigados foram proibidos de acessar as áreas restritas do aeroporto. A investigação continua para identificar todos os envolvidos, determinar a função de cada integrante e esclarecer a extensão da atuação da organização dentro do maior aeroporto internacional do país.
O caso chama atenção porque a suspeita não envolve apenas passageiros tentando embarcar com drogas escondidas nas próprias bagagens. A investigação aponta para um esquema que teria se aproveitado de acessos internos e da própria operação aeroportuária para inserir entorpecentes em aeronaves e manipular bagagens depois que elas já haviam sido despachadas.
Como tentar proteger sua mala
Embora nenhum cuidado seja capaz de eliminar completamente o risco depois que uma bagagem é despachada, principalmente diante de um esquema que possa envolver pessoas com acesso a áreas restritas, algumas medidas podem dificultar violações e, principalmente, ajudar o passageiro a comprovar em que condições entregou sua mala à companhia aérea.
Lacre os zíperes: além do cadeado, é possível utilizar lacres plásticos numerados unindo os puxadores e até prendendo-os a uma alça ou ponto fixo da mala, quando o modelo permitir. Isso dificulta a abertura sem deixar sinais e pode ajudar contra métodos de violação de zíper conhecidos popularmente como “golpe da cesárea”.
Use uma capa chamativa e uma cinta: uma capa com cor ou estampa facilmente reconhecível cria uma camada adicional e permite perceber rapidamente se a mala foi manipulada, trocada ou devolvida de maneira diferente. Uma cinta de bagagem também pode aumentar a dificuldade de abertura.
Coloque um rastreador dentro da mala: dispositivos de localização compatíveis com viagens aéreas permitem acompanhar a localização aproximada da bagagem e podem ajudar a perceber quando ela não seguiu o mesmo trajeto do passageiro.
Filme a mala por dentro antes de sair de casa: faça um vídeo mostrando o interior da bagagem e tudo o que está levando. Depois de fechá-la, registre também o estado externo, zíperes, cadeados, lacres, capa e outras características que permitam identificar como ela estava antes da viagem.
Registre o peso no aeroporto: no momento do despacho, fotografe ou filme a mala sobre a balança mostrando o peso indicado. Guarde também o comprovante de despacho. Caso haja posteriormente uma diferença significativa de peso, você terá um registro de quanto aquela bagagem pesava quando foi entregue à companhia aérea.
Confira a etiqueta antes de a mala seguir: verifique se a etiqueta colocada pela companhia corresponde ao seu voo e destino e guarde o comprovante da bagagem até recuperá-la. Como a própria investigação menciona suspeitas de troca de etiquetas, esse registro ganha ainda mais importância.
Nunca transporte objetos de terceiros: não aceite malas, pacotes ou objetos de desconhecidos e não deixe sua bagagem desacompanhada antes do despacho.
Encontrou algo estranho dentro da mala? Não mexa: se perceber sinais de violação ou encontrar qualquer objeto ou substância que não reconheça, evite manipular o conteúdo e procure imediatamente a autoridade policial ou a segurança do aeroporto. Os registros feitos antes do despacho podem ajudar a demonstrar como a bagagem estava quando foi entregue.
Essas medidas não garantem que uma mala não seja violada, mas aumentam as barreiras físicas, facilitam a identificação de alterações e criam registros que podem ser importantes caso o passageiro precise comprovar posteriormente o estado, o conteúdo e o peso da bagagem.