
A Polícia Civil investiga um golpe aplicado por uma agência de turismo religioso de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul em cerca de 80 viajantes que iriam participar de uma excursão para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de mesmo nome, no interior de São Paulo. Segundo as vítimas, a viagem foi comprada mas não aconteceu e o dinheiro também não foi devolvido.
A investigação aponta que o caso se repetiu em mais de uma cidade. Em Canoas, a Polícia Civil investiga a empresa JPF Turismo Religioso e o proprietário, Márcio Flores pelo crime de estelionato. O inquérito foi concluído na esfera policial e foi encaminhado para o Poder Judiciário do Rio Grande do Sul no dia 18 de setembro. Ao todo, 34 pessoas denunciaram a empresa para a polícia porque compraram pacotes de viagens que não aconteceram.
Na cidade de Novo Hamburgo, 44 vítimas já procuraram a Polícia Civil para fazer denúncia sobre viagens adquiridas que não aconteceram. Os viajantes relatam um prejuízo estimado em R$ 74 mil reais. Entre as vítimas, 2 casos envolvem a compra de viagens para destinos internacionais.
O que diz a Polícia Civil de Novo Hamburgo (RS)
Segundo a Polícia Civil de Novo Hamburgo (RS), a investigação está em andamento e já foram identificadas vítimas em mais 8 cidades: Campo Bom, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Araricá, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Rolante, além de Novo Hamburgo e Canoas. Somando um total de 10 cidades. A Polícia Civil também apura se a empresa aplicou o golpe em Bagé, região Sul do estado.
O que as vítimas relatam
De acordo com os viajantes, a excursão que sairia de Canoas (RS) estava marcada para acontecer no dia 27 de junho. Os passageiros contavam com dois ônibus, mas os veículos nunca chegaram ao local de embarque. A maioria dos viajantes eram idosos na faixa de 60 anos e eram fiéis na igreja Sagrado Coração de Jesus, de Canoas. Alguns dos fiéis, programaram a viagem para pagar promessas.
As vítimas planejaram as viagens de ônibus até Aparecida (SP). Muitas relatam que não tinham condições de pagar a viagem à vista e parcelaram o valor. Como o cancelamento aconteceu sem aviso prévio e sem ressarcimento, o caso começou a ser investigado.
O que disse a Polícia Civil de Canoas (RS)
Segundo o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas (RS), Cristiano Reschke, após deixar os fiéis esperando pelo ônibus, a empresa não se pronunciou. Não explico o que aconteceu até o dia 18 de setembro, quando foi indiciada. Além disso, o proprietário da empresa não fez o pagamento, nem o ressarcimento e também não mostrou iniciativa para ressarcir as vítimas.
A polícia também afirmou que mesmo que a viagem não tenho sido planejada para causar prejuízo, o organizador assumiu o risco ao perceber que não conseguiria entregar o que foi vendido e não ter avisado aos passageiros.
Para evitar situações como essa, a Polícia Civil orienta aos viajantes que verifique o histórico das agências de viagem antes de assinar contratos. O viajante deve pesquisar o site da empresa na Receita Federal, no site oficial, pesquisar se o CNPJ da empresa está ativo, ver se a empresa tem o Cadastur, procurar o Reclame Aqui para ver relatos e reclamações de outros consumidores em relação aquela empresa ou agente de viagem que está sendo contratado. Segundo o delegado, essas são as principais ações que um viajante deve fazer quando for contratar um serviço de viagem.
Explicações da JPF Religious Tourism
Ao site G1, a empresa explicou que está passando por dificuldades no momento mas está pensando em fazer o reembolso o mais breve possível para os romeiros. A empresa disse ainda que existe há 13 anos trabalhando exclusivamente com turismo religioso, atuou em mais de 400 romarias para Aparecida nesse tempo e mais de 30 peregrinações para a Terra Santa.
A empresa também disse que foram mais de 10 mil clientes e sempre horou com os compromissos e, infelizmente nessas duas últimas romarias não conseguiu. Mas, alguns valores já foram devolvidos para alguns romeiros e que iria mandar alguns contratos para a confirmação.