
O Rio de Janeiro agora tem um guia para a temporada de baleias-jubartes que vai até setembro. Com o aumento do turismo de observação no litoral carioca, as cenas de baleias dando saltos próximos às Ilhas Cagarras fica cada vez mais frequente. Por este motivo a associação turística Visit Rio lançou um manual de boas práticas. O objetivo do guia é evitar que o fascínio pelas baleias se transforme em ameaça aos animais.
Segundo a instituição, a iniciativa é uma parceria com as empresas Let’s Go Sea e a Saveiros Tour, duas das principais operadoras desse tour na cidade e reúne orientações para turistas e operadores sobre preservação ambiental, segurança marítima e avistamento responsável.
O que o visitante encontra no guia
- Informações sobre o Projeto Baleia Jubarte
- explicações sobre a passagem das baleias-jubarte pelo Brasil
- O turismo de observação de baleias-jubarte
- O que é possível observar as baleias fazendo durante o passeio
- O que é PROIBIDO na hora da observação
- Agências credenciadas para o serviço turístico
O documento também dá recomendações básicas como manter distância mínima de 100 metros e nunca interceptar a rota dos animais. As informações do material são baseadas em normas do Ibama e protocolos do Instituto Baleia Jubarte. O visitante pode ter acesso a versão digital no site do Visit Rio.
Segundo o presidente da Visit Rio, Luiz Strauss, a procura pelos passeios de observação de baleias ganhou um enorme engajamento a partir das redes sociais, mas as instituições decidiram criar medidas para tornar o passeio seguro para os animais e o público, e sustentável para o trade turístico:
O crescimento rápido da demanda, acendeu um alerta, com embarcações navegando em áreas inadequadas e preocupando instituições ligadas à preservação ambiental. Queremos que as baleias continuem proporcionando esse espetáculo em nossa cidade, mas, para que isso aconteça de forma sustentável, é fundamental que todos estejam alinhados às boas práticas. Por isso, decidimos nos unir aos dois principais operadores para lançar esta cartilha. disse o presidente da instituição.
Além da proteção aos animais, o material também pretende orientar os condutores de embarcações. Luiz Nogueira, proprietário da Let’s Go Sea, relata que já vivenciou situações em que baleias mudaram inesperadamente de direção e se aproximaram muito dos barcos.
“Não é um passeio de churrasco ou uma saída recreativa comum na Baía de Guanabara. É uma experiência de observação em oceano aberto e as pessoas precisam estar preparadas para isso. Mesmo um toque leve pode ser perigoso. A embarcação tem hélice, leme, e a baleia pode chegar a 40 toneladas e 16 metros de comprimento”, explicou.
O fenômeno no Rio de Janeiro
Todos os anos, as jubartes percorrem milhares de quilômetros entre a Antártica e o litoral brasileiro em uma das maiores migrações do planeta. Antes de chegarem ao destino final,o arquipélago de Abrolhos, na Bahia, onde acontecem reprodução, parto e amamentação dos filhotes, elas passam pela costa carioca.
De acordo com as empresas que realizam o tour na cidade, a presença das baleias nas proximidades das Ilhas Cagarras se tornou mais frequente nos últimos anos e, em algumas temporadas, os animais chegaram a circular entre as ilhas do arquipélago, aproximando ainda mais o espetáculo natural da costa carioca.
“Elas passam o verão se alimentando de krill, um pequeno crustáceo semelhante ao camarão, e começam a subir a costa no fim do outono em busca de águas mais quentes, e o Rio de Janeiro está exatamente nessa rota migratória”, explica Nogueira, da Let’s Go Sea.
Além das baleias, os visitantes também podem registrar a presença de golfinhos, botos, pinguins e outras espécies marinhas que aparecem ao longo da rota oceânica nesse caminho de águas quentes. Um detalhe importante é que os passageiros deverão estar preparados e pacientes.
As expedições podem durar entre cinco e seis horas em mar aberto. Além disso, tem a exposição ao vento, e ondulação. O período da manhã o mais indicado para o avistamento dos cetáceos, pois oferece um mar mais calmo e menor interferência do vento na superfície da água.
Para Fernanda Gularte, bióloga da agência Saveiros Tour, o impacto mais importante desse tipo de turismo vai além da experiência náutica.“As pessoas precisam entender que esse é um turismo ecológico, sustentável, e não um turismo predatório. A gente só preserva aquilo que conhece, aquilo que emociona e aquilo com que cria conexão. O turismo ecológico tem um papel fundamental de aproximar as pessoas das questões ambientais e da preservação dos oceanos”, disse.