Quem viajar para o Rio de Janeiro e quiser experimentar uma emoção diferente pode dar uma esticadinha na viagem até Niterói, na região metropolitana, localizada a 45 minutos da capital, e fazer o passeio de observação de baleias-jubates . A temporada de avistamento dos cetáceos foi aberta no final do mês de maio pela prefeitura durante um workshop que reuniu pesquisadores, operadores turísticos, mestres de embarcação, agências de turismo, guias e representantes da rede hoteleira.
O objetivo do evento foi discutir práticas mais sustentáveis, a capacitação profissional e as estratégias para fortalecer a atividade combinando conservação ambiental, educação e desenvolvimento econômico. Por meio da Empresa de Lazer e Turismo da cidade (Neltur), a prefeitura se juntou ao Projeto Jubarte em uma estratégia para implantar o passeio de observação de baleias em uma política de turismo sustentável aliada a economia do mar e a valorização dos recursos naturais da cidade.
O incentivo ao turismo marítimo
Segundo a prefeitura, os estudos para a implantação do turismo de observação de baleias começaram no fim de 2022. Em 2025, a atividade completou dois anos. De acordo com os dados da Neltur, mais de 2 mil turistas já participaram das expedições realizadas em alto mar entre Niterói e Rio de Janeiro. E os turistas ainda tiveram a companhia de pesquisadores embarcados durante o passeio.
Experiências de contato com a natureza têm um poder transformador. Quando uma pessoa observa uma baleia em seu ambiente natural, ela volta sensibilizada e passa a refletir sobre a importância da preservação. Nosso objetivo é fazer com que esse turismo gere benefícios para a economia local, fortaleça a educação ambiental e, ao mesmo tempo, respeite os animais e o ambiente onde vivem destacou André Bento, presidente da Neltur.
Para implantar o passeio entre as atrações turísticas da cidade, a prefeitura custeou estudos de viabilidade e monitoramento que permitissem estruturar a atividade de forma segura para os turistas e sustentável para os trabalhadores do mar. De acordo com o secretário de turismo, André Bento, o aumento na frequência de baleias próximas à costa foi outro fator favorável para os passeios na região como mostra o vídeo.
O evento do trade marítimo
O evento ofereceu uma capacitação sobre turismo regenerativo, legislação de proteção aos cetáceos, expôs as regras de avistamento e falou também sobre ecologia e biologia das espécies para quem ainda não atuava nos passeios. Mas, para os profissionais que já operam na área, o treinamento também serviu como atualização na atividade de expedições pelo litoral fluminense.
De acordo com a prefeitura, há uma forte procura por capacitação, demonstrando que a atividade está amadurecendo com o tempo. Agências de turismo, proprietários de embarcações e mestres náuticos têm buscado formação para operar dentro de critérios ambientais e de segurança. Dessa forma, a secretaria espera ampliando a rede de profissionais preparados para atuar no segmento gradativamente.
Projeto Amigos da Jubarte
O diretor do Projeto Amigos da Jubarte, Thiago Ferrari, é também o responsável pelo monitoramento científico e pelo ordenamento da atividade. Segundo ele, o turismo de observação de cetáceos vem sendo usado no setor internacional como ferramenta de conservação biológica da espécie associada ao desenvolvimento econômico do setor turístico:
“O turismo de observação de baleias e golfinhos gera benefícios socioambientais importantes, promovendo emprego e renda para comunidades costeiras, fortalecendo a educação ambiental e incentivando a proteção dos oceanos. Quando organizado de forma responsável, ele transforma conservação em oportunidade de desenvolvimento sustentável” , afirmou.
Uma tendência mundial
Segundo a secretaria, há uma tendência mundial no avanço do turismo marítimo. Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas participam anualmente de atividades de observação de baleias e golfinhos, movimentando cerca de US$ 3 bilhões por ano. Na América do Sul e no Brasil, o setor registra crescimento estimado em aproximadamente 10% ao ano.
Como fazer o passeio de observação de baleias em Niterói (RJ)
Baleia Jubarte na costa fluminense
O turista deve acessar o site Quero Ver Baleia.com e escolher a região desejada para realizar o passeio. O portal foi criado por pesquisadores em parceria com condutores e guias de turismo marítimo para conectar passageiros e profissionais. O site disponibiliza o serviço e o contado de agências parceiras capacitadas e credenciadas para realizar as atividades em todo o litoral fluminense. Essas agências também são monitoradas pelo projeto e levam um pesquisador a bordo em todas as expedições de avistamento de cetáceos. Todo o agendamento e pagamento são acertados pelo site.
Como mostra o vídeo acima, em alguns dias, além das baleias-jubartes também é possível ver outras espécies de cetácios nadando junto com o grupo o que torna a experiência turística muito mais emocionante.
Segundo o diretor do projeto Amigos da Jubarte, Thiago Ferrari, em 2026, o site será transformado em aplicativo para facilitar o acesso de visitantes e moradores da região fluminense. O objetivo é deixar o agendamento de passeios mais rápido e seguro conectando agências e passageiros na atividade. No aplicativo, os turistas também poderão se certificar que as embarcações foram vistoriadas e homologadas pela capitania dos portos.