O Sistema Nacional de Trilhas (Sintrilhas) foi instituído pelo Governo Brasileiro em parceria com o Ministério do Turismo. A medida transforma a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (Rede Trilhas) em uma política pública permanente com objetivo de fortalecer o turismo de natureza gerando emprego e renda, além do desenvolvimento regional.
O decreto foi assinado no dia do meio ambiente (10) e instituiu um conjunto de medidas voltadas a proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e conservação de biomas . As medidas também estão direcionada a mudança do clima e os impactos , além de reconhecer os serviços ambientais prestados por pessoas que protegem a natureza.
O que é o Sintrilhas
De acordo com o Ministério do Turismo, é um sistema que reúne a malha de trilhas de longo curso . Ao todo, o Sintrilhas reúne 22 percursos oficialmente reconhecidos. São 7 mil quilômetros sinalizados que passam por 18 estados, 184 municípios e conectam 347 Unidades de Conservação . O planejamento feito pretende ultrapassar os 16 mil quilômetros de rotas e cobrir todos os biomas brasileiros incluindo a zona costeira e marinha.
A coordenação do sistema será da responsabilidade de 3 instituições: Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Juntas, as instituições pretendem estruturar as trilhas brasileiras, ampliar a segurança dos usuários e fortalecer o posicionamento do Brasil no mercado internacional do turismo de natureza.
Como vai funcionar na prática
O sistema de trilhas deverá criar condições para ampliar a circulação de visitantes, aumentar o tempo de permanência de turistas nos destinos. Dessa forma, o governo espera fortalecer o trade turístico como os serviços de hotelaria, restaurantes, produtores de artesanato local e também o turismo de base comunitária. A política também pretende integrar os visitantes as regiões que ficam fora dos grandes circuitos turísticos em diferentes municípios brasileiros.
O iG conversou com o guia de turismo na Serra da Mantiqueira, Rodrigo Nunes que falou sobre a integração das trilhas de longo curso aos circuitos turísticos famosos. Segundo o especialista, Muitas vezes os governos trabalham pensando em uma situação mais ampla, mas precisam conhecer a realidade dos municípios.
É preciso que os municípios trabalhem fortemente as suas políticas públicas para que haja o fortalecimento e a união das instituições que compõem esse cenário. O movimento deve ser do município, para o estado e depois para a União e não de cima para baixo. É dessa forma que os município conseguirão mostrar a realidade das suas necessidades. No papel, no projeto, na ideia eles estão integrados. Mas, na realidade mesmo, ainda falta muito para se chegar a uma integração. afirmou o guia de turismo.
Estrutura permanente
A estrutura do Sintrilhas foi criada em 2018, mas a partir do decreto a estrutura passa a ser nacional e permanente voltada ao planejamento, implantação, gestão, monitoramento e promoção de trilhas. Dessa forma, a política criada pretende instituir uma Estratégia Nacional de Trilhas, o Cadastro Nacional de Trilhas e um Comitê Nacional de Trilhas. Além disso, a medida também aumenta a participação dos estados, municípios, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil e da iniciativa privada.
Para que a Estratégia Nacional de Trilhas comece a funcionar, o comitê será instalado. Após 180 dias, as metas prioritárias para o desenvolvimento do segmento serão instituídas.
Recuperação de biomas nacionais
No mesmo dia, foi sancionada a lei que cria Programa Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. A regra tenta incentivar a recuperação de áreas degradadas e ampliar a produção sustentável de alimentos na região central do Brasil. Também foi anunciada a criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru (RO) e a ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões (PI).