
O Espírito Santo é um estado cheio de boas surpresas. O visitante pode ir das praias às montanhas em poucas horas de viagem aproveitando o dia para visitar locais diferentes e muito bonitos. Para quem deseja conhecer a cidade de Domingos Martins, na região das montanhas capixabas, o iG separou uma dica que deixa a Rota Pedra Azul ainda mais interessante.
A Fazenda Camocim
A propriedade começou a produzir cafés orgânicos em 1996 e sempre houve uma busca por aprimorar a produção tornando-a mais sustentável, usando apenas processos biodinâmicos e naturais. ?Nesses 20 anos, a Fazenda Camocim conquistou alguns certificados nacionais que reconhecem a produção orgânica do café como uma das melhores do Brasil.
Os cafés
A propriedade cultiva três tipos de grãos: o Arábica orgânico, o Moca e o café do Jacu. Os três possuem características diferentes. O primeiro grão, é comummente vendido como café de qualidade superior. O grão moca nasce apenas com uma semente dentro do fruto. Isso dá um sabor diferente à bebida após a torra. Segundo os produtores, o sabor do café de grão moca costuma ser mais doce e intenso e com acidez equilibrada.
O café do Jacu é o grande representante da Fazenda Camocim e um dos destaques principais do Roteiro turístico de Pedra Azul, em Domingos Martins (ES) porque ele é feito com a ajuda do pássaro. Segundo os produtores, o café do Jacu foi inspirado no café copiloac que é feito com a ajuda de um pequeno mamífero que vive na Indonésia chamado civeta. A função natural do animal na produção do grão de café é ingerir a pequena fruta e depois defecá-la. A bebida feita com o cocô do pequeno animal é considerada super rara na Indonésia.

Inspirado nesse formato de produção de café, o dono da Fazenda Camocim, Henrique Sloper, aproveitou que haviam muitos Jacus atrapalhando a produção do café orgânico arábica e, ao invés de espantar de alguma forma os animais, decidiu fazer o teste. Ele pediu aos funcionários que colhessem o cocô do Jacu e fizessem o café a partir do grão defecado.
Segundo relato do funcionário e guia do passeio na fazenda Camocim, Rogério Lemke, a situação pareceu estranha a todos eles pois, parecia um café sujo. Então, no meio do processo, eles decidiram lavar os grãos antes de dar continuidade às etapas de produção da bebida.
Após vários testes, os funcionários e o dono da fazenda descobriram que o segredo para que o café desse certo e ficasse com um sabor inconfundível era não lavar o grão de café defecado. Apesar disso, entre as etapas há o congelamento das sementes, o que faz com que possíveis bactérias sejam eliminadas.
O café do Jacu já ganhou vários prêmios em concursos de cafés especiais não só pelo sabor, mas também pela forma como é cultivado. A Fazenda Camocim está localizada na região de montanhas a 1200 metros de altitude em uma área correspondente a 300 hectares de Mata Atlântica Tropical. A propriedade tem 450 mil pés de cafés plantados à sombra de diferentes árvores nativas. Além disso, 1/3 do local é Área de Preservação Permanente com 5 nascentes e 7 represas.
O passeio pela fazenda Camocim
Há dois anos, toda essa biodiversidade foi transformada em um passeio guiado. Os visitantes são conduzidos pelo guia, Rogério Lemke que também é um dos funcionários mais antigos da fazenda. O iG esteve na Camocim e realizou o passeio assim como é oferecido aos turistas.
Enquanto o guia vai contando a história do local, também mostra as sinalizações, as colmeias de abelhas e as diferentes etapas de produção que passam pelas mudas, cultivo, estufa até a máquina de separação de grãos e armazenamento para vendas.
A última etapa do passeio é degustar os três tipos de café na cafeteria da fazenda. O local tem baristas especializada no preparo de diferentes driks e principalmente o tradicional, coado. Também há um cardápio com bolos doces, e lanches salgados para harmonizar com a bebida. E o visitante que desejar comprar a iguaria direto da fonte paga mais barato do que em outros pontos de venda. O orgânico custa em torno de R$ R$ 60,00, o moca custa R$ 70,00 e o café do Jacu custa entorno de R$ 460,00 o quilo. A fazenda também vende o chá feito com as cascas do café que custa em torno de R$ 80,00, 100 gramas.

Segundo o dono da propriedade, Henrique Sloper, após vencerem o prêmio Globo Rural na categoria Café mais sustentável do Brasil, as visitas na fazenda só aumentam. Mas, proprietário também reconhece que há uma forte tendência puxada pelo turismo rural e a busca por bons produtos:
Levar o turista para visitar a plantação é fundamental. Aqui a gente consegue mostrar o que é uma agroflorestal produtiva. O agricultor está muito comprometido com o uso de agrotóxico. Aqui a gente consegue mostrar para o consumidor que existe a viabilidade de ser produzida de forma economicamente viável, protegendo a natureza, os animais e ter um produto de qualidade sem ter que usar aditivo que faz mal a toda essa cadeia. A nossa missão principal é essa. afirma o empresário.
O passeio acontece em grupos a partir de 10 pessoas e custa R$ 90 por adulto com duração de até 1h30 min. os interessados devem agendar por telefone ou pelos canais de atendimento que estão no site da Fazenda Camocim. Mas, caso os visitantes queiram apenas degustar as bebidas e comer algo diferente dentro do roteiro de visitação de Pedra Azul, a cafeteria fica aberta de segunda a sábado, das 9h às 16h.
Como chegar
A propriedade fica em Domingos Martins (ES) no KM90. Para chegar ao local, o viajante poderá ir de ônibus ou de carro e passará pela BR 262 por uma estrada que em partes não tem asfalto, mas o caminho não é de difícil acesso.
Parada para o almoço
Dentro do roteiro Pedra Azul (ES) há vários restaurantes em Domingos Martins. O Grão da Terra chama a atenção por parecer uma casa. Assim que o cliente chega, é recebido de forma muito gentil pelos funcionários do lugar. O diferencial é que a comida é feita no fogão a lenha e nas tradicionais panelas de barro capixabas . Algumas são servidas em tachos de ferro que também são tradicionais da comida caipira.

O restaurante serve pratos que vão desde uma feijoada, a mais pedida pelos turistas, até a polenta, a tradicional moqueca capixaba e vários tipos de arroz com frutos do mar. Quem procura o trivial arroz com feijão também vai encontrar. Mas a especialidade d acozinha é a comida caipira.
De acordo com o dono do lugar, os finais de semana, a chefe de cozinha prepara um prato do dia como Galo ou Galinha Caipira, Galinhada caipira com pequi, Baião de dois, Macarrão a Comitiva, Arroz de Carreteiro, Tutano de boi e outros. Segundo a casa, todos os pratos são feitos com ingredientes frescos pela chefe Rosi Reis.
Selah Chocolate de Origem
A experiência nesta fábrica de chocolate transforma o jeito de consumir o doce. A fábrica é pequena e o chocolate que é produzido pelo casal Pedro Goulart e Rafaela Modolo não leva nenhum aditivo químico. Além disso, os produtores também compram cacau selecionado e considerado de primeira qualidade no mercado brasileiro.

Há apenas 4 anos, o casal decidiu empreender no ramo da fabricação de chocolates e há sete mese, realizam um tur guiado pela fábrica. Eles explicam todos os processor desde o plantio até o resultado final.
Durante a visita guiada, o turista participa de uma degustação do cacau e aprende a diferenciar os sabores da amêndoa em vários tipos de chocolates. O visitantes também aprende a diferenciar o chocolate de origem de outro convencional ao provar os produtos da fábrica. Todos os processão são explicados em detalhes.
Para realizar a visita guiada pela fábrica da Selah Chocolate de Origem é necessário agendar previamente entrando em contato pelo perfil do Instagram da marca ou pelo telefone da fábrica. As visitas são realizadas para grupos com mais de 5 pessoas e custam R$ 90, 00 por adulto. Também há a experiência kids que se chama Do Cacau ao Pirulito e custa R$ 80,00 por criança.
Ao final, os visitantes provam um chocolate ao leite que acabou de ser prensado juntamente com o mel de cacau. O iG esteve na Selah Chocolate de Origem. Segundo a dona da fábrica, Rafaela Modolo, o objetivo da marca é ser referência na produção do chocolate de origem, além de oferecer uma opção cultural para o cenário turístico de Pedra Azul:
Nós somos uma opção de lazer e cultural e que também traz um conhecimento. A gente vê que as pessoas não conhecem o mundo do chocolate e do cacau. Então, a gente consegue mostrar desde fruto até o chocolate pronto na nossa visita guiada. afirma Rafaela Modolo
Prêmios
O chocolate produzido pelo casal já participou de concursos pelo Brasil. O último prêmio conquistado pela marca foi em outubro de 2025, durante o concurso Cacaufest Brasil, a marca recebeu ouro na categoria ao leite e prata na categoria intenso 70%. Foi um reconhecimento que veio para um produto ainda fabricado em pequena escala. Segundo a fabricante, a Selah quer ser uma marca de referência no mercado de chocolates e consultoria sem deixar para trás seus objetivos sociais:
No mercado, a gente pretende ser referência em chocolates no Brasil e depois avançar internacionalmente. Mas, na parte social, queremos trazer um comércio justo para a cadeia produtiva do cacau que seria comprar o cacau do produtor a um preço justo, a um preço que seja bom para ele também. Afirma a empresária.
Após a visita guiada na fábrica, o visitante pode comprar o produto na loja que há bem no início da propriedade. Há chocolates mais amargos, com diversas percentagens de cacau e há os mais doces que levam leite até chegar aos brancos com misturas como morangos, maracujá, maçã com canela, especiarias e ervas aromáticas. Os sabores são incríveis e se transformam em uma ótima oportunidade de levar uma lembrança de viagem.

























