Associação de Paneleiras de Goiabeiras, distrito de Vitória (ES)
Foto: Aline da Mata
Associação de Paneleiras de Goiabeiras, distrito de Vitória (ES)

Viajar por Vitória, no Espírito Santo, pode ser uma experiência incrível para quem deseja conhecer um local acolhedor e com muitas tradições voltadas a cultura caiçara e afro-indígena. Um dos passeios mais encantadores para quem deseja relaxar e entram em contato com esse lado da capital é passar na Associação das Paneleiras de Goiabeiras.

O local está localizado em um distrito de mesmo nome e reúne cerca de 33 estandes onde 68 artesãs se dividem em diversas funções na produção de um dos ícones culturais gastronômicos brasileiros, as panelas de barro capixaba. A cultura de fazer panelas moldadas a mão se mantém entre as artesãs há mais de 400 anos. A maioria dos trabalhadores são mulheres. Todas dizem que aprenderam o trabalho com a mãe que aprendeu com a avó e, dessa forma, a tradição se mantém.

Como são feitas as Panelas de Goiabeiras (ES)

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Foto: Aline da Mata

Local onde o barro é pisado na Associação das Paneleiras de Goiabeiras - Vitória (ES)

trabalho das artesãs preserva o que há de mais genuíno da cultura afro-indígena. Para fazer uma panela o barro, ou argila é retirado de uma região localizada no Vale do Mulembá(ES), no distrito de Goiabeiras e levado para a associação para ser pisado. Após pisarem e hidratarem o barro, as profissionais começam o trabalho de retirar grãos de pedra maiores até que tudo se transforme em uma massa uniforme, com aspecto próprio para ser modelado.

Em seguida, a matéria prima é moldada até se tornar uma panela. Durante o processo, a panela é posta para secar, e depois é moldada novamente com uma pedra retirada do rio. É esta etapa que deixa a estrutura bem lisinha. Em seguida ela é queimada em fogo alto durante algumas horas. Depois os artesãos retiram a panela quente do fogo e dão cor com a tinta feita da casca da árvore, Mangue Vermelho. Conforme ela é tingida com a cerâmica quente, a cor vermelha vai ganhando tons escuros até ficar completamente preta.

Artesã da Associação de Paneleiras de Goiabeiras pintando a panela assada com o líquido do Mangue Vermelho
Foto: Aline da Mata
Artesã da Associação de Paneleiras de Goiabeiras pintando a panela assada com o líquido do Mangue Vermelho

Do início do processo até a panela ficar pronta para cozinhar alimentos levam sete dias. Segundo as profissionais, o utensílio também vai ao forno convencional  e ao micro-ondas. O trabalho é tão importante que é reconhecido com Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil pelo IPHAN e a associação é uma Indicação Geográfica do Estado do Espírito Santo.


As paneleiras

Sem a panela de barro não se faz a tradicional moqueca capixaba e as paneleiras são a base desta tradição. Presidente da associação, Berenicia Correa Nascimento tem 68 anos e, há 58 anos trabalha como paneleira. Ainda criança, aos sete anos, ela teve suas primeiras aulas com a mãe e, aos nove, se tornou profissional. A tradição que vem de família tem raízes profundas pois, segundo Berenicia, a mãe de sua bisavó também fazia panelas.

Como ela é a quinta geração de uma família de paneleiras e líder entre as profissionais, observa a quantidade de artesãs diminuírem ao longo do tempo. A associação já teve 120 pessoas envolvidas na produção dos utensílios de barro. Mas atualmente são 68 distribuídas em todas as funções.

O Sebrae do Espírito Santo, através do programa Turismo Capixaba, realiza uma parceria dom a Secretaria Municipal de Turismo de Vitória para a promoção do trabalho das profissionais e da sede da associação como destino turístico na capital. A iniciativa ajuda no reconhecimento do esforço das profissionais e na manutenção da tradição afro-indígena das paneleiras. 

Ao apresentar a Associação, Berenice explica como parte da tradição se adaptou com o passar dos anos em que está a frente da associação.


O curso de produção de panelas

Atualmente, é possível fazer um curso com a Associação de Paneleiras de Goiabeiras (ES). Basta procurar a associação pelas redes sociais e agendar o período. O curso dura seis meses e o preço é sob demanda.

Mas, caso o turista queira ter contato com as produtoras e, durante a visita, aprender a produzir panelas, basta procurar a associação, também pelas redes sociais, e agendar uma aula rápida pelo valor de R$ 48 reais. Em um dia a pessoa consegue aprender brevemente todos os processos e ter contato com a técnica. Mas, para levar a panela para casa, será necessário esperar 5 dias até a secagem, queima e pintura.

Forno onde as panelas são assadas, na Associação das Paneleiras de Goiabeiras. Foto: Foto: Aline da Mata
Artesã na terceira etapa de modelagem das panelas - Associação da Paneleiras de Goiabeiras - Vitória (ES). Foto: Foto: Aline da Mata
Artesã Valdineia vendendo seu trabalho no estande da associação. Foto: Foto: Aline da Mata
Artigos de decoração expostos na parte externa da Associação das Paneleiras de Goiabeiras (ES). Foto: Foto: Aline da Mata
Panelas antes de serem assadas - Associação das Paneleiras de Goiabeiras - Vitória (ES). Foto: Foto: Aline da Mata

Além de panelas, as artesãs também fazem objetos de decoração que são vendidos na associação. Além deles, os visitantes também pode comprar os utensílios de cozinha direto na associação. Os valores mudam conforme o tamanho da panela e custam de R$ 12, 00 a R$ 80, 00 reais.

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