Conhecer a memória ferroviária do país é entender um pouco sobre a importância que o trem teve no desenvolvimento de diversas cidades e estados do país e também ajuda aos viajantes a explorar o turismo de diversas regiões de maneiras diferentes. Foi pensando nesses aspectos que o iG indica 5 rotas diferentes entre o Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo para fazer em viagens curtas de feriado ou férias.
Conheça 5 rotas turísticas para fazer de trem
De Belo Horizonte a Vitória
O trajeto entre essas duas cidades é um sucesso. É uma das poucas viagens regulares e de longa distância em operação no país. A Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM) é operada pela empresa Vale e conecta o interior de Minas Gerais ao litoral do Espírito Santo. Esta rota mantém o turísmo integrado entre os dois estados.
Em junho e dezembro acontece o trem de férias, é uma edição de viagens noturnas que acontecem na época de alta temporada. Para quem deseja conhecer um dos dois estados acaba sendo uma boa alternativa. O viajante deve ficar atento aos horários e paradas . A edição de férias com viagens noturnas realiza 14 paradas ao longo do trajeto. Além disso, durante o período noturno não haverá venda de passagens nas estações. Somente pelo site da empresa.
As viagens cotidianas acontecem todos os dias, a partir das 7h, partindo da cidade de Cariacica, região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, e tem seu destino final em Belo Horizonte, Minas Gerais, chegando por volta das 20h30 da noite após percorrer os 664 km de estrada de ferro. Mas o viajante não precisa ficar preocupado, os vagões são muito confortáveis e preparados para as 13 horas de viagem. Tem carros executivos e econômicos, além de vagões com restaurante, lanchonete, gerador e vagões preparados para pessoas cadeirantes ou com dificuldade de locomoção.
As paisagens são as mais diferentes pois o trem cruza áreas urbanas com regiões marcadas pela mineração. Também passa por áreas rurais, vales, rios e trechos de mata além de ter uma parte suspensa de tirar o fôlego do viajante.
Ouro Preto São João Del Rei e Tiradentes, em Minas Gerais
Este trajeto turístico é feito na locomotiva Maria Fumaça com saída de Ouro Preto. A viagem de 180 km até de Tiradentes percorre um caminho belíssimo entre as montanhas de Minas Gerais. Com a primeira parada na cidade histórica de São João Del Rei, a viagem tem apenas um horário de partida entre 7h30 e 8h. A chegada acontece sempre no final da manhã.
Ao desembarcarem em São João Del Rei os passageiros têm visitas guiadas pela cidade. Os atrativos visitados são a Igreja São Francisco de Assis, a Catedral do Pilar e o Solar dos Neves . A primeira igreja possui um jardim amplo com palmeiras e obras de autoria do escultor Aleijadinho. A segunda igreja, a Catedral do Pilar, é um marco histórico do barroco colonial da cidade. Foi tombada pelo Iphan em 1947. A decoração da igreja foi restaurada, então, visitar seu interior é conhecer obras sacras pintadas de dourado, algumas até são se outro e remetem ao período colonial brasileiro. O solar dos Neves pertenceu a família do ex-presidente da república, Tancredo Neves.
Em seguida, a viagem segue seu trajeto rumo à histórica Tiradentes. A primeira visita guiada pela cidade é na igreja Matriz de Santo Antônio, uma igreja no estilo barroco toda torneada com detalhes em dourado. A construção é um ícone do barroco mineiro. Em seguida, os visitantes são conduzidos até o Chafariz de São José de Botas que também preserva a arquitetura barroca e por último, o Largo das Forras, local onde pessoas escravizadas recebiam a carta de alforria. O local marou o início do fim da escravização na região.
O passeio de Maria Fumaça dura o dia inteiro . O retorno para Ouro Preto tem chegada prevista entre 20h30 e 21h . É importante observar que os pontos de visitação e a duração das visitas podem variar de acordo com o tamanho do grupo. O ingresso custa R$ 460 e são vendidos pela internet. Todos os passeio e entradas nos pontos turísticos estão inclusos no valor, exceto alimentação.
Passa-Quatro a Coronel Fulgêncio
Essa viagem é a mais pura contemplação da memória ferroviária. O trajeto também é feito por Maria Fumaça, o que faz com que o passageiro resgate a importância dos trilhos para o desenvolvimento da região sul de Minas Gerais. A cidade de Passa-Quatro mantém uma relação histórica com as estações de trem em narrativas e história local.
O percurso é lento e passa por montanhas e campos abertos com áreas verdes e pequenas propriedades que vão acompanhar o viajante ao longo do caminho. O som da locomotiva e o vapor reforçam essa atmosfera histórica.
A ao longo do caminho até a estação Coronel Fulgêncio, o trem faz algumas paradas em pontos específicos para que o passageiro possa admirar a Serra da Mantiqueira e tirar fotos do passeio turístico. Na estação também tem uma feira de artesanatos e comidas locais e depois o passeio retorna para a estação Passa quatro. Ao todo são 30 quilômetros de viagem pela Serra da Mantiqueira.
Campos do Jorão a Pindamonhangaba
A viagem entre Campos do Jordão e Pindamonhangaba passa por um cenário montanhoso de beleza única. A ferrovia foi construída no século XX e teve um papel central no desenvolvimento turístico das duas cidades. O trajeto é curto, mas a experiência é incrível.
O trem percorre trechos de mata fechada e preservada, passa por pontes históricas e contorna montanhas íngremes da Serra da Mantiqueira. Durante a viagem, o passageiro pode apreciar a paisagem dos vales profundos. O clima ameno da região torana o passeio ainda mais agradável.
Chegando a Campos do Jordão, os visitantes podem dar uma esticadinha até Capivari, ao Parque Amantikir e ao Horto Florestal. Em Pindamonhangaba, o visitante pode tirar fotos nas contruções históricas nas praças ou até esticar o passeio para cidades do Vale do Paraíba.
São Paulo a Piracicaba
O percurso entre as duas cidades passa pelos trilhos da antiga Railway, construída no século XIX por engenheiros britânicos. A estrada de ferro foi feita, inicialmente, para escoar café até o Porto de Santos . A viagem ajuda os visitantes a compreenderem a importância da ferrovia para o desenvolvimento do estado de São Paulo.
A paisagem durante o trajeto corta a Serra do Mar em trechos de Mata Atlântica preservada. Gradualmente, a paisagem vai mudando com túneis, encostas e, em dias de neblina o cenário ganha uma emoção a mais.
Ao chegar em Piracicaba, o visitante desembarca em uma pequena vila de arquitetura britânica em meio a um traçado urbano contemporâneo. A estação possui museus ferroviários que ajudam os visitantes a compreenderem o sistema ferroviário e a vida dos trabalhadores.