Há todo um processo que deve ser seguido desde a solicitação até a entrevista para a provação do visto
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Há todo um processo que deve ser seguido desde a solicitação até a entrevista para a provação do visto

Viajar para os Estados Unidos está entre os objetivos de quem quer apenas conhecer os parques de Orlando, as praias de Miami ou as famosas avenidas de Nova York. Independentemente de questões políticas diplomáticas, o Brasil sempre foi visto como grande parceiro comercial dos EUA, sendo o perfil econômico do brasileiro bastante atrativo para esses pontos turísticos do país norte-americano.

Mas, para entrar no país, seja por motivo for, é preciso antes passar pelo processo de requisição de visto, o que ainda gera algumas dúvidas em muitas pessoas. “O governo norte-americano tende a ofertar uma quantidade maior de vistos ao Brasil”, diz Andreas Perdicaris, especialista em negócios internacionais, que alerta para que essa atratividade comercial não seja usada para que sejam cometidas ilegalidades durante o processamento dos vistos ou já em território americano.

“As fiscalizações e punições estão cada vez mais rigorosas e, por isso, recomendamos extremo cuidado para que todos sigam as reais intenções destes pedidos junto aos consulados e embaixadas”, orienta.

A oferta de vistos

Para ter o visto aprovado, o viajante precisa cumprir uma série de requisitos
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Para ter o visto aprovado, o viajante precisa cumprir uma série de requisitos

Considerando que o governo dos Estados Unidos tende a “ofertar uma maior quantidade de vistos ao Brasil”, não significa que exista um número limitado de vistos para brasileiros, mas sim uma limitação de vistos por categoria, que são 185 tipos diferentes.

Ao iG Turismo, a especialista em lei de imigração e nacionalidade, Gislene Leite, explica que todos os países compartilham de uma mesma cota global. “Por exemplo, os Estados Unidos liberam uma média de 40 mil vistos de trabalho todos os anos. Refugiados são 62 mil; e no caso para diversidade o governo americano separa a cada ano 55 mil vistos que são distribuídos aleatoriamente por meio de uma loteria gerada por computador para cidadãos de diversos países. Outro caso interessante, são os vistos E2 para investidores de determinados países e que, neste caso, o Brasil não tem direito”.

Devido às suas peculiaridades, cada categoria de visto deve ser analisada individualmente, conforme o perfil de cada peticionário.

O problema com a ilegalidade

Histórias de pessoas que foram aos Estados Unidos legalmente, mas que acabaram ficando pelo país de forma ilegal não são incomuns, mas também ocorre de que ainda no processo de requerimento do visto sejam cometidas fraudes.

“Infelizmente, a fraude durante a solicitação de visto não é uma peculiaridade apenas do brasileiro; mas de várias nacionalidades. Estamos falando de um visto que dá elegibilidade de entrada num país considerado uma das maiores potências econômicas do mundo. Por isso, a atratividade é enorme para ter um visto americano aprovado”, diz Gislene.

Entre as ilegalidades mais comuns estão falsificação de documentos como imposto de renda, certidão de nascimento, casamento e até títulos de propriedade de imóveis. “Mas, a fiscalização tem sido cada vez mais intensa com punições rigorosas”, alerta.

Há algumas semanas, foi constatado um voo fretado pelo Departamento de Estado americano com 300 brasileiros deportados, sendo 90 crianças, todos por estarem em condições irregulares no país, de acordo com dados da Xplore Group.

O que é preciso para solicitar o visto

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A especialista afirma que o primeiro passo é entender o real propósito pelo qual se deseja ingressar nos Estados Unidos. “Diante disso, fica mais fácil identificarmos qual o melhor visto para este peticionário; e assim saber os requisitos para solicitar a emissão deste visto”, orienta.

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Gislene alerta que cada categoria de visto tem uma exigência específica e tempo diferente de emissão, “por isso é importante buscar um advogado de imigração legalmente credenciado nos EUA para orientar o visto ideal para este propósito de viagem”.

As principais categorias de visto e requisitos básicos:

Categoria: B1/B2 (visto de turismo)

  • Passaporte válido para viagem aos Estados Unidos – Seu passaporte deve ser válido por pelo menos seis meses além do período de estadia nos Estados Unidos.
  • Cada indivíduo que precisa deste tipo de visto deve enviar uma solicitação separada, incluindo todos os membros da família listados em seu passaporte no formulário DS-160.
  • Recibo de pagamento da taxa de inscrição
  • E documentos que comprovem seus laços efetivos com o Brasil

Categoria: I (Funcionário de mídias, jornalista)

  • Você deve demonstrar que é um representante de boa-fé da mídia estrangeira cujas atividades são essenciais para as funções de sua organização.
  • O funcionário consular da embaixada dos EUA determinará se a sua atividade é qualificada para obter um visto de não-imigrante.
  • Uma carta do empregador ou contratante deve validar sua atividade profissional ao consulado ou embaixada americana

Categoria:  F-1, M-1, F-2 ou M-2 (para estudantes e dependentes)

  • Passaporte deve ser válido por pelo menos seis meses além do período de estadia nos Estados Unidos. Solicitação de visto de não-imigrante, página de confirmação do formulário DS-160. Recibo de pagamento da taxa de inscrição, se você for obrigado a pagar antes da entrevista.
  • Certificado de Elegibilidade para Status de Estudante Não Imigrante (F-1) - Para Estudantes Acadêmicos e de Idiomas, Formulário I-20 ou Certificado de Elegibilidade para Status de Estudante Não Imigrante (M-1) para Estudantes Vocacionais, Formulário I-20 - Sua escola nos EUA lhe enviará um Formulário I-20 assim que eles inserirem suas informações no banco de dados SEVIS.

Categoria: Q (intercâmbio cultural)

  • Ter pelo menos 18 anos. Estar qualificado para realizar o serviço, mão-de-obra ou treinamento; e ser capaz de comunicar eficazmente sobre os atributos culturais do seu país para o público americano.

O visto foi recusado, o que fazer?

De acordo com Gislene, para aquele que, por algum motivo, recebeu a negativa pode solicitar uma reconsideração, mas isso irá depender de vários fatores, além dos motivos que levaram o oficial do governo americano a não aprovar o visto.

“Para cada negativa há um prazo diferente para pedir uma revisão ou efetuar um novo pleito. Existem casos em que as pessoas podem pedir um novo visto em meses, 10 anos ou serem banidas definitivamente deste benefício dos EUA”, explica.

Quanto tempo até a emissão do visto

A pandemia afetou os prazos de emissão de visto, que foram de dias para meses
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A pandemia afetou os prazos de emissão de visto, que foram de dias para meses

Antes da pandemia da Covid-19, o tempo médio entre solicitação, entrevista e emissão de um visto de não-imigrante demorava em torno de sete dias, atualmente, esse prazo está bem mais longo.

“Neste momento, pós-pandemia, o que vemos é um trabalho incessante do governo americano e que mesmo assim tem demorado cerca de sete meses, dependendo da embaixada ou consulado. Estes tempos de processamento mudam conforme a localidade”, diz.

Gislene ressalta que o próprio portal do Departamento de Estado americano divulga este tempo médio –  clique aqui para ver.

Em casos de urgência na viagem, é possível solicitar agilidade no processo, mas Gislene diz: ”Quanto aos pedidos de agilidade para emissão destes vistos de não-imigrante, o peticionário deve contatar o consulado da região onde mora e justificar os reais motivos deste pedido”, mas ela ressalta “caberá ao cônsul-geral dos EUA aceitar ou não está solicitação de urgência”.

A situação entre Rússia e Ucrânia, pode afetar o processo de visto?

Segundo Gislene, a tendência, ao menos até o momento, é que não afete em nada e que há esforços por parte do governo americano em aumentar o número de funcionários nas embaixadas e na agência governamental de imigração (USCIS) para agilizar o processamento de emissão de vistos.

“Quer sejam eles de não-imigrante como de imigrante que chamamos também de residência permanente. O que pode acontecer é que devido as sanções econômicas à Rússia; algumas pessoas percam as condições financeiras de arcarem com os custos desta imigração. Fora isso, o governo americano tem se mostrado cada vez mais aberto para absorver uma mão-de-obra cada vez mais especializada, daquilo que chamamos de ‘mentes brilhantes’, completa.

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