As Mães da Praça de Maio em uma das várias manifestações que tomaram a Praça de Maio, em Buenos Aires
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As Mães da Praça de Maio em uma das várias manifestações que tomaram a Praça de Maio, em Buenos Aires

O Dia das Mulheres é uma data importante para o movimento de mulheres no mundo todo, já que simboliza a luta por direitos e pela equidade de gênero, além de celebrar conquistas que garantiram avanços sociais. Diversos países do mundo todo abrigam monumentos importantes que visam celebrar a organização política de mulheres, enaltecer figuras ímpares e homenagear momentos do passado.

Conhecer monumentos e memoriais que celebram a vida e a história das mulheres se mostra tão importante quanto a conscientização do cotidiano, bem como os estudos e a propagação dos conhecimentos e feitos femininos. É uma oportunidade de vivenciar por algumas horas a atmosfera de eventos históricos, sejam eles dolorosos, de celebração ou por serem pontos de organização de mulheres.

O iG Turismo separou 11 lugares, memoriais e monumentos históricos importantes para a história das mulheres em todo o mundo. Entre os locais selecionados estão residências em que viveram figuras históricas, museus dedicados exclusivamente a obras artísticas de mulheres e estátuas e monumentos que consagram o trabalho feito por ativistas e escritoras feministas.

Praça de Maio, Buenos Aires, Argentina

Considerada a principal praça da capital argentina, a Praça de Maio fica em frente à Casa Rosada e tem esse nome em celebração à Revolução de Maio, que tinha como intuito a conquista da independência argentina. Apenas por esse motivo, a praça é de extrema importância histórica para o país.

No entanto, um novo contexto passou a ser relacionado à Praça de Maio na década de 1977. Isso porque o local passou a receber as manifestações de mulheres que exibiam fotos de seus filhos que desapareceram durante a ditadura argentina.

Nas passeatas que iam até a Casa Rosada, levantavam cartazes com as fotografias e cobravam explicações sobre os paradeiros dos homens. As Mães da Praça de Maio também vestiam panos brancos na cabeça, uma alusão às fraldas dos filhos, e protestavam contra o regime militar, que ficou em vigor de 1976 até 1983. Elas foram consideradas subversivas.

As ações da associação ficaram conhecidas em todo o mundo. Hoje, as Mães da Praça de Maio atuam na Argentina com o propósito de garantir os direitos humanos, civis e políticos em toda América Latina. A Praça de Maio também se tornou parte rota comumente seguida por organizações feministas em manifestações.

Museu Frida Kahlo, Cidade do México, México

Fãs da artista conseguem explorar as cidades em que ela morou no México, já que existe um roteiro com locais marcantes para a vida de Frida Kahlo . No entanto, o Museu Frida Kahlo, no bairro de Coyoacán, é o ápice do passeio.

Além de ser uma das casas mais importantes do século 20, La Casa Azul, como também é conhecida por suas paredes azuis, era onde Frida morou a vida toda (ela literalmente nasceu, cresceu e morreu ali). Alguns cômodos continuam preservados desde a época – o mais famoso deles é o ateliê onde Frida dava vida e cores às telas.

À parte das pinturas de Frida e Diego Rivera, marido da artista, o acervo do museu conta com obras de arte popular, além de fotografias e itens pré-hispânicos. Em algumas áreas existem objetos pessoais da artista em exposição.

Estátua de Sojourner Truth, Susan Anthony e Elizabeth Stanton, Nova York, Estados Unidos

Estátua de Sojourner Truth, Susan Anthony e Elizabeth Stanton no Central Park
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Estátua de Sojourner Truth, Susan Anthony e Elizabeth Stanton no Central Park

Em 2020, foi instalada no Central Park uma estátua que representa três mulheres de extrema importância para o movimento das mulheres e para o feminismo. Trata-se de Sojourner Truth, Susan Anthony e Elizabeth Stanton, três abolicionistas, sendo Sojourner uma mulher negra que nasceu escravizada.

A escultura criada pela artista Meredith Bergmann representa as três conversando. Elas estão em meio a estátuas de nomes como Robert Burns, William Shakespeare e Walter Scott na área de Literary Walk, um dos setores mais frequentados do Central Park.

Na inauguração foi dito que a cidade estava homenageando “mulheres reais”, mas a instalação da estátua denuncia uma realidade do Central Park: das mais de 30 estátuas instaladas no local, a maioria representa personagens femininas da ficção ou homens brancos. No mesmo ano, a cidade prometeu uma estátua de Shirley Chisholm, a primeira mulher negra eleita ao Congresso dos Estados Unidos, mas que ainda não foi erguida.

Harriet Tubman Underground Railroad Visitor Center, Church Creek, Estados Unidos

A chamada Underground Railroad era, como diz o nome, uma ferrovia subterrânea que servia como passagem secreta para que pessoas negras escravizadas pudessem escapar com ajuda de abolicionistas. Uma das pessoas a escapar e a auxiliar outros escravizados foi Harriet Tubman, que resgatou cerca de 300 pessoas por meio da ferrovia.

Em 2021, o estado de Maryland inaugurou um museu que presta homenagem a Harriet e conta sua história em filmes, exibições, estátuas e materiais didáticos explicativos. A área está localizada exatamente onde a abolicionista viveu e fez trabalho forçado, e tem como intuito consagrar ainda mais a imagem de Harriet como heroína nacional.

O local conta com o The Tubman Visitor Center, que foca na vida de Harriet em 929 m², e oferece a Harriet Tubman Underground Railroad Byway, um tour cênico que passa por 36 localizações ligadas à ativista, o que inclui o próprio trecho da Underground Railroad

Museu Nacional das Mulheres nas Artes, Washington, Estados Unidos

Museu Nacional das Mulheres nas Artes, em Washington
Reprodução/Washington DC
Museu Nacional das Mulheres nas Artes, em Washington

Com o intuito de celebrar a produção artística de mulheres, a colecionadora Wilhelmina Holladay inaugurou em 1987 o Museu Nacional das Mulheres nas Artes ao lado do marido, Wallace Holladay. Dentro do hotel estão expostas peças de artistas como Frida Kahlo, Mary Cassatt e Vigée-Le Brun.

São cerca de 4,5 milobras de arte expostas dentro do prédio de arquitetura neoclássica que abriga o museu. Entre elas estão esculturas, pinturas e filmes. O museu é reconhecido mundialmente por ser o único e o maior museu em todo mundo a se dedicar totalmente aos feitos femininos nas artes.

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Deir El Bahri, Luxor, Egito

No século 15 antes de Cristo, Hatshepsut se tornou a primeira mulher a ser faraó na história. Ela tomou o lugar do pai e do marido, que faleceram, e ficou 22 anos à frente do Antigo Egito. De acordo com registros históricos, o período em que Hatshepsut ficou no poder foi marcado por prosperidade e paz, o que indica um ótimo reinado.

Todo legado deixado pela faraó é homenageado em Deir El Bahri, um vasto conjunto a oeste do Rio Nilo que abriga templos e sepulturas mortuárias das dinastias egípcias. Hatshepsut é homenageada ali no templo Djeser-Djeseru, que significa algo como Maravilha das Maravilhas. Especula-se que esse tempo foi feito como homenagem por um ministro que era amante da faraó.

Estátua de Mary Wollstonecraft, Londres, Inglaterra

Após 10 anos de tentativa, uma estátua que homenageia a escritora e ativista Mary Wollstonecraft, que é considerada a mãe do feminismo na Europa, foi inaugurada no parque Newington Green, região em que ela abriu um internato para meninas no século 13. Inaugurada em 2020, a estátua fundida em bronze prateado foi feita por Maggi Hambling e apresenta uma das frases pelas quais a escritora ficou conhecida: "Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas”.

No entanto, o monumento, que era uma tentativa de homenagear o legado de Wollstonecraft, não foi bem recebido entre ativistas feministas porque a escritora é representada nua. Portanto, a obra estaria anulando todos os feitos cívicos e intelectuais ao representá-la de forma sexualizada. Por esse motivo, a estátua é frequentemente coberta com panos ou camisetas pela população, denunciando o machismo da obra.

Begijnhof, Amsterdam, Holanda

Trata-se de um belo e calmo jardim secreto localizado no meio da capital holandesa que, por gerações, abrigou uma irmandade católica de mulheres laicas, chamadas beguinas. Por esse motivo, o jardim também é conhecido como Jardim das Beguinas.

Estima-se que essas mulheres tenham se mudado para o local no século 14. Viúvas e solteiras, elas tinham interesse em dedicar a vida delas à caridade e a ajudar outras pessoas. As beguinas não vivem mais no jardim – a última delas morreu no início da década de 1970 –, mas toda estrutura prevalece e existem outras mulheres residindo no local. Por lá, é possível encontrar diversas estátuas que representam as beguinas.

Também foi no século 14, depois da habitação das beguinas, que se encontram os primeiros registros de  Begijnhof em documentos oficiais, mas estima-se que as casas ao redor do grande pátio de grama estavam lá anos antes. A porta que leva ao jardim fica na Begijnhof, nº 30, perto da Praça Spui. A fachada remete a uma casa comum, então muitas pessoas têm medo de entrar e dar de cara com o imóvel de alguém. Mas não tem erro: o acesso fica ao lado da livraria American Book Center e pode ser feito das 9h às 17h.

Casa de Anne Frank, Amsterdam, Holanda

A casa em que Anne Frank, garota judia de 15 anos que foi vítima do Holocausto, se escondeu com sua família em 1942 se tornou um museu para contar a história dela. No total, oito pessoas se esconderam no topo de um prédio corporativo. Foi lá, sem poder sair de casa e dividindo o quarto com outro garoto, que muitas das passagens de "O Diário de Anne Frank" foram escritas.

Além de toda história de Anne, contada por meio de fotografias, dos espaços onde viveu, citações de seus escritos, vídeos e itens originais, o museu abriga marcas e rastros das famílias judias que se esconderam das tropas nazistas. Entre os objetos expostos estão o primeiro diário de Anne, a passagem secreta que levava ao esconderijo, as marcas de crescimento de Anne e sua irmã, Margot, e um mapa em que consta a posição das tropas.

Em agosto de 1944, Anne e sua família foram encontrados nesse mesmo esconderijo pela Gestapo e capturados. Ela foi vítima da epidemia de tifo de 1945 e faleceu.

Túmulo de Simone de Beauvoir, Paris, França

A filósofa, pensadora e ativista feminista é uma das figuras centrais para se pensar o feminismo contemporâneo. Seus trabalhos, principalmente o livro “O Segundo Sexo”, ajudaram a definir os mecanismos estruturais, patriarcais e machistas que segregam mulheres há séculos; além de ter sido uma grande inspiração para que mulheres conquistem a emancipação e equidade.

Simone faleceu em 1986 e está enterrada no cemitério de elite Père-Lachaise ao lado de seu marido, o também filósofo Jean-Paul Sartre. O cemitério está localizado em um dos bairros mais conhecidos de Paris, Montparnasse, e recebe todos os dias milhares de fãs do trabalho do casal. É comum que flores de pétalas amarelas sejam deixadas no túmulo.

Além do casal, Frédéric Chopin, Jim Morrison, Edith Piaf, Oscar Wilde e Marcel Proust estão entre outras personalidades famosas e históricas enterradas em Père-Lachaise.

Ilha de Lesbos, Grécia

Entre os séculos 7 e 6 antes de Cristo, viveu nas ilhas uma poetisa grega chamada Safo e é uma das poucas autoras femininas da Antiguidade que conseguiram resistir à passagem dos anos. Safos era uma mulher lésbica e escrevia sobre relações afetivo-sexual entre mulheres sem qualquer tabu, já que, na época, a homossexualidade era bem aceita.

Foi graças à Safo e à ilha de onde veio que a palavra “lésbica” é usada para designar mulheres que sentem atração por mulheres. Além da curiosidade, da importância etimológica e da relevância de seu trabalho que explora a diversidade sexual, a Ilha de Lesbos é um dos destinos mais paradisíacos da Grécia.

Com mais de 1,6 mil km de extensão, é a sétima maior ilha do Mediterrâneo e está na região do mar Egeu. A ilha de origem vulcânica é repleta de belas construções à beira-mar, montanhas altas e vegetação bem verde. A região ficou tão marcada pela origem da palavra lésbica que se tornou um dos destinos mais buscados por mulheres lésbicas. Anualmente, em setembro, Lesbos organiza o Festival da Mulher. Vale ainda visitar a cidade de Eresso, onde Safo nasceu.

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