A brasileira Vanessa Tamura dá dicas de turismo além do óbvio para conhecer outras áreas do Japão
Acervo pessoal/Vanessa Tamura
A brasileira Vanessa Tamura dá dicas de turismo além do óbvio para conhecer outras áreas do Japão

O Japão é o destino dos sonhos para muitos turistas e, atualmente, está em alta devido à realização dos Jogos Olímpicos de Verão em Tóquio , no próximo mês. O país é mais buscado por seus destinos e pontos turísticos populares, mas existem roteiros menos exploradores que podem ser igualmente surpreendentes e marcar a viagem.

Vanessa Tamura, brasileira que mora no Japão há mais de 15 anos, afirma que outras províncias japonesas reservam lugares igualmente incríveis, apesar de menos conhecidos. “Tóquio, Kyoto, Hiroshima e Okinawa são incríveis, mas apesar de parecer bem pequeno, o país tem muitos outros lugares incríveis sobre os quais poucos turistas falam”, garante.


Atualmente, Vanessa intercala seu trabalho como cabeleireira e profissional de RH de uma empresa local com suas mídias sociais, em que traduz para o português dicas úteis a turistas que querem conhecer o Japão. Lá, Vanessa também divulga informações sobre passeios, cultura e variedades sobre o país.

Com isso, ela espera incentivar pessoas que queiram conhecer o país a não ter medo e a se prepararem para a viagem. “Muitos adiam a vinda para cá por uma série de razões: é longe, caro e, principalmente, complicado demais pelo fato de não falarem inglês”, explica.

No entanto, Vanessa afirma que a tecnologia é capaz de facilitar a visita. “Fica muito mais fácil com a internet. É impossível não conseguir se virar se souber usar o Google Translator e o Google Maps”, diz. Confira algumas dicas da brasileira radicada no Japão e seu roteiro turístico personalizado.

Hakuba Mountain Harbor


Se quiser uma visão privilegiada dos alpes japoneses, o lugar é aqui. O porto Hakuba Mountain Harbor está localizado no topo do Iwatake Mountain Resort, na vila de Hakuba. “É possível subir de gôndola até lá. No ponto mais alto deste resort tem um café com um mirante. A vista é incrível em qualquer época do ano, mas é mais procurada no inverno”, diz.

É comum que os turistas subam até lá para apreciar a vista enquanto tomam um cafezinho. Além disso, Vanessa elogia a estrutura do local, que possui banheiros e ônibus que levam o viajante até a fachada do resort.

O valor para subir e descer uma única vez a Hakuba Mountain Harbor é de ¥ 2,1 mil (R$ 96,61*). Para passar o dia esquiando no resort, o valor sobe para ¥ 4,6 mil (R$ 211,63). O preço também é de ¥ 4,6 mil para alugar um equipamento de snowboard ou esqui por um dia.

Nagano


A região preferida para viagens de Vanessa é a cidade de Nagano, localizada a oeste de Tóquio. Nagano é o lar de nove das 12 montanhas mais altas do país e foi o palco das Olimpíadas de Inverno de 1998.

A região também é conhecida por ter muitos resorts de esqui, uma das maiores atrações de turistas que querem esquiar e praticar snowboard. “Além disso, Nagano tem muitos Onsens, que é o termo em japonês para águas termais”, diz Vanessa. Os Onsens seriam o equivalente a piscinas naturais.

Caso o turista queira aproveitar a região em tempo de neve, o melhor é fazer a visita entre dezembro e abril. Vanessa reforça que vale a visita a Nagano também nas estações mais quentes, já que a região possui parques e outras atrações. Uma delas é o templo Zenkō-ji, construído no século 7 e que possui uma estátua do Buda escondida, mostrada ao público apenas de seis em seis anos.

Jigokudani Yaen Kōen

“Essa é a única espécie de macacos do planeta que adora a neve e os onsen”, diz Vanessa
Reprodução/Go NAGANO
“Essa é a única espécie de macacos do planeta que adora a neve e os onsen”, diz Vanessa

Ainda em Nagano, mais ao norte, o Parque de Jigokudani é o ponto turístico em que o viajante pode ver os snow monkeys (também conhecidos como macacos-japoneses) se banharem em águas termais. “Essa é a única espécie de macacos do planeta que adora a neve e os onsen”, afirma Vanessa.

O parque que abriga os macacos-japoneses fica no vale do rio Yokoyu. “Os macacos-japoneses vivem em quase todas as províncias, exceto em Okinawa. Este local em Nagano ficou famoso por ser possível observá-los de perto, no seu ambiente natural”, diz. O preço para entrar no parque é de ¥ 800 (R$ 36,79).

Kamikōchi

Kamikōchi recebe 1,2 milhão de visitantes ao ano
Reprodução
Kamikōchi recebe 1,2 milhão de visitantes ao ano


O parque montanhoso de Kamikōchi, também um dos lugares preferidos de Vanessa no país, fica localizado na área entre Hotaka e o Monte Yari, em Nagano, e atrai 1,2 milhão de visitantes anualmente.

“O local oferece várias opções de trilhas, mas caso o turista não esteja habituado a exercícios, o local oferece um ônibus que leva até o ponto principal e mais famoso do parque. Caso não tenha restrições alimentares, o local oferece várias opções de comida. Kamikōchi também tem muitas lojas de souvenirs”, diz Vanessa.

O parque, que é um dos destinos alpinos mais populares do país, recebe uma temporada de escalada e de camping dentro de seu parque por toda primavera e outono, que vai de abril a outubro. Também há hotéis na região que devem ser reservados previamente.

Vanessa alerta que os carros não entram em Kamikōchi porque o vale está dentro de uma reserva nacional. Para acessá-lo, é preciso deixar o carro no estacionamento e pegar um ônibus que leva até o início de uma das trilhas.

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Museu Miho


A província de Shiga possui o lugar perfeito para os turistas amantes de arquitetura. O Museu Miho está localizado nas montanhas de Shigaraki, a 45 minutos de Kyoto. A estrutura do museu foi construída pelo mesmo arquiteto das Fases 1 e 2 do Louvre I.M. Pei, e é considerada uma obra de arte.

A história da construção em si também é curiosa. O museu fica dentro do terreno de um parque nacional e levou seis anos de planejamento para obter permissão e iniciar a construção. “Durante o processo, uma montanha literalmente teve que ser movida e colocada de volta onde estava originalmente para satisfazer as autoridades locais”, explica Vanessa.

Naoshima


Ao lado de Teshima e Inujima, Naoshima é conhecida como uma das ilhas de arte contemporânea do Japão por ser totalmente dedicada à arte e à arquitetura. “Ainda é possível passar a noite em hotéis ou hostels na beira do mar”, afirma Vanessa.

As ilhas são repletas de museus de arte moderna, esculturas e possui uma arquitetura super artística. Além disso, estão expostas obras do arquiteto Ando Tadao, muito conhecido como um dos maiores arquitetos de todos os tempos.

Vanessa aponta como pontos turísticos imperdíveis nessa região o Museu de Arte de Chichu, o Museu Lee Ufan, o Benesse House e a obra de arte “Abóbora Amarela”, de Yayoi Kusama, uma das mais famosas da ilha. “Muitas pessoas passeiam pelas vilas de bicicleta, é possível alugar”, afirma Vanessa.

É preciso pegar uma balsa no porto de Okayama ou Takamatsu para chegar até Naoshima. Okayama fica mais acessível de trem bala para quem está em Osaka e Kyoto, com um tempo médio de viagem de 1 hora.

Ainda de trem, o tempo de viagem entre Tóquio e Okayama é de 3h30, enquanto de avião o tempo cai para 1h20. “De Okayama, várias balsas partem do porto de Uno para diferentes pontos de interesse da região”, explica. Como muitos turistas visitam a região, há sinalizações em inglês.

A Corporação Benesse oferece acomodações de luxo em seus museus, como nos edifícios Museum e Oval, com 24h de acesso às obras de arte inclusas no pacote. Além disso, Vanessa explica que há um estímulo local para que os turistas se acomodem nas casas de moradores locais para conhecer as tradições japonesas e fomentar a troca cultural.

Dicas de transporte

Para aqueles turistas que querem visitar o Japão pela primeira vez, é importante ficar atento quanto ao transporte. Vanessa explica que existem aplicativos em inglês que podem ajudar o viajante a se deslocar com facilidade de uma província para outra. “Um dos meus preferidos é o Japan Transit. Com ele eu consigo saber os horários exatos dos trens de todo o Japão”, explica.

Os trens são a maneira mais barata e rápida de se deslocar por todo Japão. Vanessa explica que os serviços de transporte coletivo são muito eficientes. “Dificilmente um turista precisa acionar motoristas de aplicativos ou táxi como em outros países”, diz. Aliás, ela explica que os serviços de aplicativos chegam a ser mais caros do que os táxis. “Além disso, os aplicativos não estão disponíveis em todos os lugares, não compensa”, diz.

Quem visita o país com um visto de turista tem vantagens. O país oferece um passe de transporte público chamado Japan Rail Pass que pode funcionar por 7, 14 ou 21 dias consecutivos. Vanessa explica que o passe deve ser adquirido antes da viagem.

Os preços do passe para adultos podem variar entre ¥ 44.810 e ¥ 91.670 (R$ 2,1 mil e R$ 4,2 mil, respectivamente), de acordo com a quantidade de dias. “O valor pode até assustar quem nunca veio para cá, mas é vantajoso porque o transporte público aqui é bem caro. Com ele, o turista acaba economizando bastante”, explica Vanessa. Confira a tabela de preços disponível no site oficial da  Japan Rail Pass.

Preços apurados no dia 18 de junho de 2021 no site da Japan Rail Pass, data em que o preço da cotação do iene era de R$24,21.
Reprodução/Japan Rail Pass
Preços apurados no dia 18 de junho de 2021 no site da Japan Rail Pass, data em que o preço da cotação do iene era de R$24,21.


Sempre tenha dinheiro em espécie

“Apesar de japoneses serem conhecidos por sua tecnologia, por aqui ainda usamos fax, dinheiro em espécie e, na maioria das cidades fora das grandes metrópoles, pedimos táxi no ponto de táxi mesmo”, se diverte Vanessa.

Ela explica que o costume de usar cartão de crédito para tudo só começou no Japão há alguns anos. Por conta disso, alguns lugares, principalmente pequenas cidades, podem não aceitá-los. Para evitar imprevistos, ande sempre com dinheiro em espécie.

*Todos os preços foram consultados de acordo com a cotação do dia 18 de junho de 2021.

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