
Com a chegada do mês de junho, a paisagem da capital federa l muda e o comportamento dos moradores e visitantes, também. O início do inverno no Planalto Central traz combinação peculiar de céu sem nuvens, umidade baixa e quedas acentuadas na temperatura, que batem marcas frequentes dos 10°C nas madrugadas. O clima impulsiona um turismo sazonal específico no quadradinho, regado a grandes feiras e tradicionais festas regionais.
Engana-se quem acha que a mudança climática esvazia os espaços públicos de Brasília. A virada climática movimenta especificamente a economia local. De acordo com dados históricos do Instituto Nacional de Meteorologia ( Inmet), neste período concentra-se maior incidência do clima seco e frio do ano na região.
O vento gelado que corta os pilotis das superquadras residenciais logo no cair da tarde anuncia a mudança da dinâmica urbana. As roupas leves abrem espaço para casacos pesados, cachecóis e botas. O céu limpo e claro intensifica a diferença térmica com dias ensolarados e de temperatura amena e noites com clima de montanha.
O refúgio das grandes exposições
Uma opção confortável e cheia de atrações internas para turistas e locais são o c ircuito de grandes feiras em pavilhões cobertos que acontecem na capital. As principais edições desse modelo em junho é a Expotchê, realizada tradicionalmente no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, no coração da capital. O evento começa nesta quinta-feira (4) e segue até 14 de junho.

A mega exposição já é tradição em Brasília e acontece nesse período do ano há 34 anos. Ano a ano expositores do Sul do país se encontram na cena candanga num espaço que proporciona conforto térmico, consumo diferenciado de vinhos nacionais, chimarrão e pratos gaúchos que só a gastronomia do Sul tem como a famosa "costelona" no fogo de chão.
Dados da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) apontam que eventos sazonais como este geram um fluxo contínuo de visitantes e ocupação hoteleira aumenta na área central.
O calor junino
Do abrigo das feiras, o clima junto com o calendário de festas juninas brasiliense sugere uma experiência inversa: abraçar e se integrar ao frio ao ar livre. A capital conta com variado circuito de arraiás que é distribuída em formatos e locais diferenciados, mas por todo Distrito Federal.

Dos clubes à beira do Lago Paranoá, passando pelas paróquias nos "bairros" centrais - Asa Sul e Norte. Já nas praças das regiões administrativas o cenário é de pura tradição com a presença de fogueiras, muito comuns na Região Nordeste, mas que em Brasília e neste período, toma grandes proporções para aquecer o público entrando a noite à madrugada.
E nesse cenário a culinária típica do período tem cruzamento perfeito no quadradinho que tem características próprias dada a constituição da cidade. Formada por migrantes de diversas regiões do país, a capital federal desenvolveu um paladar diversificado, fortemente influenciada pela cultura nordestina, mineira e goiana.
Segundo os dados de inventários culturais da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), essa miscigenação reflete diretamente nas barracas dos arraiás da cidade. Nisso, o cardápio junino opera como um apanhado nacional convivendo harmoniosamente.
É comum encontrar, no mesmo evento, a pamonha goiana, o acarajé baiano, o bolo de rolo pernambucano dividindo espaço com o feijão tropeiro mineiro e o tradicional arroz carreteiro. Porém há uma unanimidade quanto a temperatura dos alimentos: a prioridade são refeições servidas em alta temperatura.
Não para por aí. A programação musical muda do tradicionalíssimo rock, estilo base da capital, e passa a se concentrar no forró pé-de-serra, mantendo o fluxo de pessoas ao ar livre, mesmo diante o vento característico do inverno brasiliense, firmando o mês de seis do calendário anual como um período de alta atividade cultural e turística na capital.
Roteiro gastronômico para além
O inverno do Distrito Federal movimenta muito além dos circuitos integrados diretamente à rotina das quadras residenciais, comerciais e eventos puramente sazonais. Brasília e consolida como um polo consumidor de grãos nobres impulsionado por eventos temáticos.

Um exemplo disso é o circuito de feiras voltadas à cadeia de cafés especiais e à pães artesanais que utilizam estruturas tradicionais como a CasaPark e áreas abertas localizadas no Setor de Clubes Esportivos da capital para workshops e degustações.
Esse nicho atrai amantes deste mercado, mas também baristas e mestres panificadores de todo o país que aproveitam as manhãs e tardes frias de junho para expor métodos de extração e harmonização da bebida com queijos artesanais do Cerrado.