
A Vila do Biribiri (MG) é um destino turístico ainda desconhecido por muitos. O local tem várias casas, igreja e até hospedagem, mas apenas 3 pessoas moram no bucólico vilarejo localizado a 13 km de Diamantina, em Minas Gerais. Ainda que a Vila do Biribiri seja um destino pouco conhecido, a pergunta que fica é: por que apenas três pessoas habitam a vila?
História
A Vila do Biribiri foi fundada em 1876 por uma fabricante de tecidos que funcionou por quase 100 anos, encerrando suas atividades entre 1972 / 1973. Inicialmente, a mão de obra era somente feminina e chegou a abrigar 50 mulheres. Com o passar dos anos, a fábrica foi crescendo e adotando mão de obra masculina. A vila foi tomando forma quando as trabalhadoras formaram famílias que passaram a morar ao redor da fábrica de tecidos.
Há 13 anos, a Estamparia SA, dona da propriedade, colocou as 33 casas da vila a venda. O proprietário deu preferência a compradores que morassem em Diamantina (MG). Segundo uma das moradoras do local, até o momento 25 casas foram vendidas para diamantinenses e as outras são de propriedade de moradores de cidades próximas como Belo Horizonte, Montes Claros e outras regiões.
Além dos imóveis históricos, a Vila do Biribiri está em fase de ampliação. Há 65 flats sendo construídos na área que abrigou a moradia de mulheres que trabalhavam na fábrica de tecidos e a previsão é que inaugurem no fim do ano. Além deste local, no dia 18 de julho, a Vila vai inaugurar o Memorial da Fábrica de Tecidos. Através de registros fotográficos e documentais, a organização da exposição pretende contar a história da remota vila operária e feminina.

A atual Vila do Biribiri
Como o local é uma propriedade particular, não há serviços como posto de saúde, farmácia, posto de combustível e mercados. Mas, os atuais proprietários dos imóveis formaram uma associação de moradores para administrar as questões relacionadas a infraestrutura. Segundo a moradora, Betânia Novaes, juntos, eles conseguiram fazer obras de restauração de i greja, calçamento e construíram banheiros públicos para receber turistas.
Segundo ela, como o vilarejo fica dentro do Parque Estadual do Biribiri, em Diamantina (MG), a administração da unidade também auxilia no cuidado com as cachoeiras que ficam próximas ao vilarejo. Eles colocaram sinalização nas trilhas e ao longo da estrada de acesso.

A associação também tem projetos turísticos com rotas de visitação do vilarejo e trajetos de ecoturismo de bicicleta e bem-estar. Segundo a moradora, após o almoço, há uma paz que a vila transmite para quem está na região. Então, o clima bucólico toma conta. Dessa forma, o turismo de bem-estar é o que define o perfil do vilarejo.
Após o almoço no Vila do Biribiri o clima costuma ser de muita tranquilidade e conexão com a natureza. A maioria das pessoas aproveita a tarde para caminhar pela vila histórica, descansar nas áreas gramadas, tomar um café tranquilo ou seguir para as cachoeiras da região. disse Maria Betânia Novaes, moradora do vilarejo.
Morar na Vila
Como uma das três moradoras, Maria Betânia vivia na capital, em Belo Horizonte e há 13 anos decidiu mudar de vida. Escolheu viver em Diamantina em um vilarejo mais afastado do centro da cidade. A comerciante conta que seu ritmo de vida mudou muito. Agora, ela tem uma rotina mais c onectada a natureza, mas reconhece que precisa planejar mais o cotidiano fora de casa.
Então, compras de supermercado, cuidados médicos e abastecimento de casa são organizados em duas vezes na semana. Segundo ela 15 km não são tão distantes do centro de Diamantina (MG), mas exige planejamento para equilibrar com o trabalho autônomo:
Normalmente são duas vezes na semana. Eu vou hoje ao centro da cidade, resolvo tudo e, como a minha demanda de hospedagem é maior durante o final de semana, eu me organizo para a compras da semana, faço meus estoques e está resolvido. afirmou Betânea Novaes
Para quem deseja descansar da rotina agitada e ficar um tempo off das redes sociais, o vilarejo pode ser uma ótima opção de hospedagem porque o sinal de internet oscila. A região ainda não tem um serviço de internet bom o suficiente para atender aos moradores.
Mas, apesar do sossego, o local é monitorado com seguranças e câmeras 24 horas por dia. Além disso, a portaria cobra uma taxa de R$ 15, 00 pela entrada de novas pessoas. Os hóspedes são obrigados a r ealizar registros de entrada e saída e avisam para onde vão ou o horário de retorno a Vila do Biribiri.
"Nós temos muito cuidado com os turistas que vem visitar a vila. Então, o turismo aqui gira em torno desse contato com a natureza, do patrimônio histórico, das trilhas e cachoeiras do parque, temos o caminho dos escravos, temos alguns pontos que os visitantes gostas=m de visitar a noite para ver a lua com mirantes."
Segundo Betânia, a maioria dos turistas que visitam a Vila do Birirbiri (MG) são de Diamantina (MG). Alguns procuram o local só para almoçar e outros chegam na sexta-feira e ficam hospedados até o domingo para ter uma experiência de curta duração na vila.
A Vila do Biribiri é o coração de Diamantina, então, quem conhece a cidade também quer vivenciar essa experiência de estar em uma vila como a nossa. Então, recebemos casais, famílias com crianças e animais domésticos que ficam soltos no gramado. É o público da natureza mesmo. afirmou a comerciante.
O turismo na Biribiri (MG)
A vila ainda possui poucos pontos de comércio, segundo Betânia há dois cafés, um restaurante, uma pousada e os flats que devem inaugurar no fim do ano. Então, a associação dos moradores junto a Estamparia SA se uniram a Prefeitura de Diamantina (MG) para divulgar o local como destino turístico. Por meio da Secretaria Municipal de Turismo da cidade, a divulgação acontece.
Mas, a vila também é muito explorada por guias locais e operadoras de turismo que levam os visitantes para passeios na região. Segundo Betânia, o Parque Estadual do Biribiri é gerido pelo I nstituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF - MG) e realiza os circuitos de natureza. Mas, segundo a comerciantes, a associação ainda tenta arrumar a estrada de acesso a Vila.
"A Estrada Parque também leva a uma comunidade que fica a 17 km de Diamantina (MG), então, a via não é só usada pelo turismo e está muito desgastada. Isso nos atrapalha ela sempre está danificada. Então, estamos procurando apoio junto aos órgãos para que a gente possa encontrar uma solução."
Até o momento da publicação desta reportagem não houve retorno da prefeitura a respeito do reparo na estrada.
















