
Um dos templos religiosos mais antigos de Minas Gerais, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de Matias Cardoso, voltou a integrar o circuito de igrejas históricas. Após restauro, o Ministério Público de Minas devolveu à sociedade o templo considerado o mais antigo do estado.
A igreja é um dos principais monumentos históricos da pequena cidade de apenas 9 mil habitantes que faz divisa com a Bahia e fica bem próxima do Rio São Francisco, mas está a 645 quilômetros de distância da capital mineira. Historiadores estimam que o local tenha sido fundado em 1676 e já sobreviveu a mais de 350 anos de história.
Ao longo dos anos, o prédio sofreu algumas alterações que danificaram a sua estrutura como a instalação de uma torre com três antenas de internet nas proximidades do terreno, além do desgaste do tempo.
A primeira fase de obra de restauração foi entregue para a cidade na quarta-feira (29) durante uma cerimônia religiosa realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais em parceria com o Instituto Joaquim Artes e Ofícios. A obra faz parte do programa Minas Para Sempre e foi realizada por meio da Plataforma Semente com recursos de medidas compensatórias no valor de R$ 2.184.000,00.
Um pouco da História
O prédio histórico foi construído entre 1670 e 1673. O tombamento da igreja só aconteceu em 1954, quando, o escritor Carlos Drummond de Andrade que na época era chefe da Seção de História do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional da época escreveu:
Lembra ao vivo a fase de desbravamento e povoamento da região por paulistas e baianos, ainda ao findar do século XVII. Carlos Drummond de Andrade
Enquanto diretor, Drummond afirmou ainda que “sua ancianidade incontestável (sendo um dos templos mais antigos de Minas) e sua vinculação a esse período da formação nacional conferem-lhe evidente interesse histórico, estendido ainda às características arquitetônicas”.
Com o apoio de Lúcio Costa, o pedido seguiu para o dr. Rodrigo Melo Franco de Andrade, que determinou o tombamento da edificação. Naquela época, o prédio da igreja estava em péssimas condições. O pedido foi para que o local fosse restituído à comunidade em condições apropriadas de conservação e uso.
As intervenções pretendidas eram baseadas na necessidade de valorização do patrimônio arquitetônico nacional e das manifestações sociais representadas pela preservação das heranças culturais do estado.
O patrimônio
A torre com três antenas de internet que havia sido instalada no Morro do Jesuíta, ao lado da Igreja da Matriz de Nossa Senhora do Carmo só foi retirada em maio de 2018. A empresa responsável pela obra que agredia o patrimônio arquitetônico da cidade foi condenada a pagar R$ 65 mil reais por danos morais coletivos.
Em 2024, o MPMG, por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), destinopu recursos para intervenções emergenciais na edificação. A partir daí foram feitas melhorias na rede de instalação elétrica do prédio a implementação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas, reformas de paredes e recuperação de revestimentos e estruturas.








