Porta de entrada para a Amazônia, a capital mistura história, gastronomia apurada

Belém, capital do Pará, é uma exuberância só. Da brisa com cheiro de fruta que exala das mangueiras que enfeitam a cidade à culinária rica e forte, com peixes e temperos, tudo é intenso na cidade. Lá tem o carimbó, tradicional ritmo paraense, tem a Baía do Guajará, belas praias de água doce e o sotaque gostoso dos belenenses de pele dourada. Tem o Círio de Nazaré, maior manifestação popular religiosa do País, os casarões centenários da época das invasões portuguesa e holandesa, e a declaração de amor a Belém feita pelo escritor Mário de Andrade, que visitou a cidade em junho de 1927 e entendeu, de pronto, a exuberância local.

Ele expressou assim seu amor à capital paraense numa carta que enviou ao amigo escritor Manuel Bandeira: “Manu, estamos numa paradinha pra cortar canarana da margem pros bois dos nossos jantares. Amanhã se chega em Manaus e não sei que mais coisas bonitas enxergarei por este mundo de águas. Porém, me conquistar mesmo, a ponto de ficar doendo no desejo, só Belém me conquistou assim. Meu único ideal de agora em diante é passar uns meses morando no Grande Hotel de Belém. O direito de sentar naquela terraça em frente das mangueiras tapando o Teatro da Paz, sentar sem mais nada, chupitando um sorvete de cupuaçu, de açaí. Você que conhece mundo, conhece coisa melhor do que isso, Manu? (...). Belém eu desejo com dor, desejo como se deseja sexualmente, palavra. Não tenho medo de parecer anormal pra você, por isso que conto esta confissão esquisita, mas verdadeira, que faço de vida sexual e vida em Belém. Quero Belém como se quer um amor. É inconcebível o amor que Belém despertou em mim”.

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E não é exagero de escritor. Belém do Pará é mesmo uma pessoa, uma mulher portentosa, clássica e rica em história. Selecionamos 15 motivos para você também querer conhecê-la de perto:

1. Círio

A procissão em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará, é a maior do Brasil e uma das maiores do mundo. No segundo domingo de outubro, cerca de dois milhões de pessoas seguem a imagem da santa pelas ruas da capital. O percurso tem cerca de 3,6 km, e parte da Catedral de Belém até a Praça Santuário de Nazaré. A cidade (incluindo as repartições públicas) fica completamente colorida e enfeitada para a data.


2. Unha + suco de bacuri + jornal

A unha é um dos quitutes mais típicos do Pará. Trata-se de uma coxinha com recheio de caranguejo. O nome “unha” fica por conta de uma garra do caranguejo que fica à mostra na ponta da coxinha, a título de enfeite. O suco de bacuri é um dos mais saborosos. Pra completar esse menu paraense, só comprando O Liberal, jornal local, e fazendo um minipiquenique de domingo em alguma praça.


3. Portinha

Embora esteja localizada numa ruela escondida no bairro histórico Cidade Velha e não tenha número e nem qualquer inscrição à porta, a Portinha (que leva esse nome por ser uma pequena porta azul entre casas maiores) é um dos estabelecimentos mais conhecidos de Belém. Seus salgados frescos, feitos com massa caseira e recheios típicos da região, fazem com que dezenas de pessoas se aglomerem à porta do estabelecimento assim que ele abre. Pastel de pato no tucupi ou mussarela de búfala com tomate seco e castanha são dois dos mais procurados. Além disso, Manoel Júnior, dono da Portinha, também oferece maniçoba, sopa de camarão e outras especialidades paraenses.

Serviço:
Rua Dr. Malcher, s/n (quase esquina com a rua Gurupá) – Cidade Velha
Tel.: (91) 9115-2222
Horário de funcionamento: sexta a domingo, das 17 às 22hs
Preço médio: R$ 10

Mais: Açaí salgado e outras curiosidades do Amapá


Açaí, tipico da região norte, é facilmente encontrado pela cidade
Getty Images
Açaí, tipico da região norte, é facilmente encontrado pela cidade
4. Ver-o-Peso

Frutas, farinha, castanha, peixe, verduras, especiarias artesanato, bichos vivos e artigos para mandinga. Tudo isso e muito mais existe no Ver-o-Peso, o mercado a céu aberto mais famoso de Belém. É o típico mercado municipal das capitais, caótico, quente, sujo, lindo, feio, aromático e catinguento. Suas origens remontam ao século 17, quando nasceu como mercado dos caboclos. O complexo do Ver-o-Peso – que compreende o mercado de peixe, a doca, a feira do açaí, a Praça do Pescador, o mercado de ferro, a Praça do Relógio, a Ladeira do Castelo e o Solar da Beira – funciona todos os dias, dia e noite. O ideal, contudo, é você visitá-lo apenas de dia ou à tarde, com pouco dinheiro no bolso e um olho sempre em seus pertences.

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5. Tacacá na rua

Reza o dito popular que às três da tarde não há um paraense que não coma seu tacacá na rua. Nas principais avenidas e ruelas de Belém, há sempre uma barraca de tacacá, caldo de tucupi com camarão, jambu e goma de mandioca, servido numa cuia. A tradição pede que o tacacá seja de rua.

Serviço:
Rua Senador Manoel Barata, esquina com a Av. Presidente Vargas – Campina
Variadas barracas de tacacá
Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 12 às 18hs
Preço médio: R$ 5

Festa religiosa: Círio de Nazaré: por dentro da maior festa religiosa do Brasil


6. Estação das Docas

O antigo porto belenense foi transformado em um shopping à beira do rio Guajará e inaugurado no ano 2000. O projeto da Estação das Docas conservou e restaurou a estrutura de ferro dos galpões do porto e manteve sua aparência rústica, mas com tecnologia (ar-condicionado, iluminação, escadas rolantes) e conveniência (banheiros, revistaria, caixas eletrônicos). Guindastes norte-americanos do início do século 20 decoram a principal via de pedestres da Estação, além de bancos que servem como mirantes para admiração da orla. A Estação está dividida em três boulevares – de artes (com cinema e teatro), gastronômico e o de feiras e exposições.

Serviço:
Av. Boulevard Castilhos França, s/n – Campina
Tel.: (91) 3212 5525
http://www.estaçãodasdocas.com.br
Horário de funcionamento: segunda a domingo, das 10 às 22hs (restaurantes têm horários diferentes)
Preço: grátis


7. Praça da República

Aos domingos, a Praça da República, na avenida Presidente Vargas, fica lotada de famílias, cachorros, crianças com bicicletas e turistas. É uma das mais importantes de Belém. Não raro acontecem apresentações de música e dança em algum canto.

Serviço:
Av. Presidente Vargas, s/n – Campina
Horário de funcionamento: domingo, das 8 às 18hs
Preço: grátis

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Praça da República seve de palco para eventos culturais diversos
Flickr/Marcos João Reis
Praça da República seve de palco para eventos culturais diversos


8. Cemitério da Soledade

Próximo à praça Batista Campos está o Cemitério da Soledade, segundo cemitério público de Belém, construído no século 18. Visitar jardins mortuários não é um passeio dos mais turísticos se o jardim for decrépito como este. Mas há quem goste, e o Soledade tem lá seu charme de filme de terror lado B, com tumbas abertas, ossários expostos, estátuas kitsch, túmulos mal cuidados e velas acesas espalhadas nas laterais da alameda central. No cemitério há placas indicando túmulos de pessoas conhecidas e reverenciadas por seu poder de intercessão pelos vivos junto à divindade. O da escrava Preta Domingas é uma delas.

Serviço:
Av. Serzedelo Correa, s/n (esquina com a rua Conselheiro Furtado) – Batista Campos
Horário de funcionamento: segunda-feira, das 6 às 19hs
Preço: grátis


9. Parque Zoobotânico Emílio Goeldi

Cutias, lagartos e garças caminham livres por ali. Presos estão os macacos, onças, jacarés, cobras e espécies raras de aves, peixes, tartarugas e outros animais impressionantes provenientes das florestas e rios da Amazônia. O parque zoobotânico do Museu Emílio Goeldi conserva uma grande mostra da fauna e flora brasileira nos seus 5,2 hectares de extensão encalacrados bem no meio de Belém.

Serviço:
Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Tel.: (91) 3219-3358
Horário de funcionamento: terça a domingo, das 9 às 17hs. A exposição permanente e o aquário funcionam de terça a domingo, das 9 às 12 horas, e das 14 às 17hs http://www.museu-goeldi.br/
Preço: R$ 2 (estudante paga meia)


10. Mangal das garças

No centro velho de Belém, bem perto de onde a cidade começou, foi erguida, há cinco anos, uma das mais importantes reservas ecológicas da cidade, com 34,7 m² e centenas de espécies de animais e vegetais nativos da região amazônica. O Mangal das Garças conta com borboletário, viveiro de pássaros e plantas, farol, restaurante, museu da navegação, loja de produtos naturais, plantas, livros e CDs, além de uma vista incrível para o rio Guajará.

Serviço:
Passagem Carneiro da Rocha, s/n – Cidade Velha
Tel.: (91) 3242-5052
http://www.paraturismo.pa.gov.br/saibamais/mangaldasgarcas.asp
Preço: R$ 2 para cada atração do parque (ingresso para todas as atrações custa R$ 9; estudante paga meia)

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Mangal das garças é uma grande reserva ecoogica no meio da cidade
Flickr/Rã´ Bueno
Mangal das garças é uma grande reserva ecoogica no meio da cidade


11. Museu de Arte Sacra

No interior em penumbra da Igreja de Santo Alexandre, os quadros com motivos religiosos, capelas laterais em estilo barroco talhadas em madeira, imagens de santos e retábulos parecem ficar ainda mais sagrados. A igreja foi inaugurada em 1719 pelos jesuítas que estavam em missão em Belém. Tanto a igreja quanto seu prédio anexo – o antigo Colégio de Santo Alexandre – foram transformados em museu em 1991.

Serviço:
Praça Frei Caetano Brandão, s/n – Cidade Velha
Tel.: (91) 4009-8802
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10 às 18hs; sábado e domingo, das 10 às 16hs.
Preço: R$ 4 (estudante paga meia; às terças a entrada é grátis)
Mais informações no site


12. Dona Onete

Dona Onete é uma das mais importantes compositoras e cantoras de carimbó do Pará. Suas letras cantam o amor simples e cheio de tempero dos caboclos paraenses, e seu ritmo chamegado é desses pra dançar juntinho. Se souber de alguma apresentação dela enquanto estiver na cidade, não deixe de ir.


Aparelhagem do DJ Juninho no documentário
Divulgação
Aparelhagem do DJ Juninho no documentário "Brega S/A", sobre o movimento musical
13. Aparelhagem

O tecnobrega é uma invenção que nasceu dos computadores e sintetizadores de DJs que remixam e transformam músicas nacionais e internacionais famosas em canções autorais cheias (mas cheias mesmo) de firulas eletrônicas, efeitos, distorções e letras incrivelmente cafonas, mas adoráveis. As aparelhagens são os DJs com suas pick-ups de mixagem (seus aparelhos) que mais parecem naves espaciais de filmes de ficção científica lado B. As pick-ups brilham, piscam e soltam raios luminosos. Cada aparelhagem tem um nome e há uma certa rivalidade em relação às demais. O incremento das pick-ups com mais luzes e efeitos é uma forma de mostrar superioridade sobre os adversários musicais. Uma das mais famosas aparelhagens do Pará é a Superpop – O Águia de Fogo. Para saber onde estes engenheiros do tecnobrega irão se apresentar (os shows costumam ficar lotados), basta entrar neste site .


14. Carimbó na doca

Todas as sextas-feiras, a partir das 18hs, locais e turistas se reúnem do lado de fora da Estação das Docas, em frente ao galpão 1, para curtir uma hora e meia de apresentação de grupos regionais que tocam o carimbó. Com uma percussão vigorosa, violões frenéticos e entoando letras que falam das lendas e rios da Amazônia, os músicos não perdem a atenção do público um só minuto. Dançarinos apresentam coreografias bem preparadas e, ao fim do show, convidam a plateia para um bailado derradeiro.

Serviço:
Av. Boulevard Castilhos França, s/n – Campina
Tel.: (91) 3212-5525
http://www.estaçãodasdocas.com.br
Horário de funcionamento: sexta-feira, a partir das 18hs
Preço médio: grátis


15. Remanso do Peixe (ou do Bosque)

Ir ao Pará e não provar a comida farta, delicada e primorosa do chef Thiago Castanho, é falha grave. Eleito chef revelação pelas revisas especializadas nos últimos anos, Thiago especializou-se no trabalho de valorizar os peixes, pratos e ingredientes típicos da região, agora em dois restaurantes, o Remanso do Peixe e o Remanso do Bosque. Não deixe de provar o pirarucu defumado com nhoque de banana-da-terra e molho de urucum, o bolinho de tapioca e o pudim com calda de cumaru.

Serviço:
Remanso do Bosque
Travessa Perebebui, 2350, Marco
Tel: (91) 3347-2829


Remanso do Peixe
Travessa Barão do Triunfo, 2590 - casa 64, Marco
Tel: (91) 3228-2477
Horário: 12h/15h e 19h/22h (dom. e feriados só almoço; fecha seg.)

Informações úteis

- Site oficial do órgão de turismo do Pará
- Site oficial do órgão de turismo de Belém
- Site com a programação cultural de Belém

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