Ainda que dois dias seja pouco para desfrutar tudo o que a capital holandesa oferece, é possível fazer um tour pelas ruelas e museus da cidade

Entre ruelas estreitas ladeadas por construções do século 19 e cortadas por canais, Amsterdã é uma capital que esconde atrás da aparência de pequena cidade histórica um espírito jovem, contemporâneo e irreverente.

Embora os dias sejam (quase) sempre cinzas e chuvosos, a população é bem humorada e extremamente solícita com turistas perdidos e desavisados. Do funcionário do trem que oferece mapas e escreve no rodapé o número do ônibus para o turista retornar ao hotel, ao garçom que para o trabalho para anotar onde ficam as melhores baladas de Amsterdã, toda a cidade parece preparada - e animada - para receber visitantes.

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E mesmo quando não estão ajudando um turista os moradores locais estão de bem com a vida. Não estranhe se passar por algum "pub" onde dezenas de pessoas se espremem em pé, levantando canecos de cerveja e cantando músicas típicas, ou se avistar adolescentes dançando “Ai, Se Eu Te Pego” ou o “Rap das Armas”, do filme “Tropa de Elite”, dentro de barcos.

Se você tem apenas dois dias para visitar a cidade, prepare-se para se cansar percorrendo os principais pontos turísticos - e se perdendo pelas ruas e praças de vez em quando. Em dois dias é possível visitar o principal de Amsterdã, mas quase sem parar para tomar fôlego. Mesmo assim, a cidade vale a dedicação. Depois, é só listar o que mais encantou durante a curta estadia e o que não coube no planejamento para organizar uma próxima viagem.

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PRIMEIRO DIA

- Museus
Amsterdã possui mais de quarenta museus. De sexo a barcos, é impossível não se interessar pelo tema de algum dos acervos abertos para visitação. As filas, entretanto, podem desanimar quem tem apenas 48 horas para curtir a cidade. O segredo é comprar os ingressos em lojas à parte, situadas nas redondezas dos principais museus, e não nas bilheterias oficiais. As filas por lá são menores e o tempo de espera para entrar, pequeno.

Nas lojas há também o City Card e o Holland Pass, cartões que permitem ao usuário visitar dois, três ou até quarenta museus por um preço fixo, e podem incluir transporte público e passeio de barco pelos canais. Mas antes de adquirir um deles verifique a lista de lugares a que o pacote dá acesso e tenha certeza de que você quer visitar todos em tão pouco tempo. Além disso, algumas atrações concorridas não fazem parte das lista.

Outra dica para quem vai aos museus é instalar um leitor de QR Code no celular. Se você possui um aparelho com câmera e acesso à internet, poderá ter músicas e informações extras em algumas exposições.

Bicicleta é parte essencial da rotina de turista e nativos em Amsterdã
Getty Images
Bicicleta é parte essencial da rotina de turista e nativos em Amsterdã

- Museu Van Gogh

O acervo ocupa um prédio de três andares e conta com algumas das principais obras de Van Gogh, bem como trabalhos daqueles que o influenciaram. Os quadros são organizados em ordem cronológica e textos nas paredes explicam o contexto de cada fase do artista.

Exposições temporárias também ocupam o subsolo do museu. Ótimo para estudantes e até leigos que desejam aprender mais sobre arte, já que as obras são apresentadas de maneira organizada e didática.

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- Rijksmuseum
Aqui está a história da Holanda contada em obras de arte. O museu exibe quadros de Rembrandt e outros artistas do país, esculturas, louças e até uma fascinante casa de bonecas rica em cômodos e detalhes. Embora o museu esteja passando por uma reforma ainda sem previsão de término, as obras principais (que não são poucas) estão expostas em uma sala reservada para que o Rijksmuseum continue em funcionamento.

- Museumplein Square
O Van Gogh Museum e o Rijksmuseum ficam próximos e, entre os dois, está a Musemplein Square, praça com as grandes letras que formam “I Amsterdam”. O local é ponto de encontro de turistas que querem uma foto comprovando a visita à cidade. Vale até tentar escalar as letras.

No outro extremo da praça há uma fonte, e os que resistirem à água fria podem tirar uma foto dentro dela. Quem preferir algo menos extremo pode apenas deitar no gramado para descansar ou fazer um piquenique.

- Heineken Experience
Em Amsterdã, cerveja também tem história. Mas é claro que ela é contada de um jeito bem descontraído e com direito a brinde. No museu da Heineken, o visitante aprende os passos da produção da cerveja se sentindo, inclusive, a própria bebida, experiência que envolve chacoalhões, respingos, calor e vento. Lá dentro também é possível conhecer a história da empresa, experimentar a cerveja antes da fermentação e aprender a degustá-la. O ingresso ainda dá direito a dois chopes e um passeio de barco.

- Marie Heinekenplein
A praça Marie Heineken fica próxima ao Heineken Experience e é palco de eventos como feiras, pequenos shows e exibições abertas de filmes. Se nada disso estiver acontecendo no dia de sua visita, a visita à praça vale pela quantidade de restaurantes e bares. Por ali é possível encontrar comidas típicas holandesas, mas também chinesas, indianas ou espanholas.

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SEGUNDO DIA

Antiga casa de Anne Frank é um dos pontos mais visitados da cidade
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Antiga casa de Anne Frank é um dos pontos mais visitados da cidade

- Casa de Anne Frank
Durante três anos, um prédio comercial às margens de um dos canais de Amsterdã abrigou a adolescente Anne Frank, a irmã e os pais da menina, além de uma outra família de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Mesmo após ser descoberto pelos militares nazistas, o esconderijo foi preservado. As colagens que Anne fez na parede do quarto, assim como o armário construído para esconder a passagem para os dormitórios, ainda estão lá. Uma maquete do abrigo ajuda o visitante a entender onde está, e vídeos exibidos nos cômodos mostram depoimentos de secretárias que ajudaram a família Frank durante os anos de clandestinidade e do pai de Anne ao descobrir os diários da filha. Na saída da casa ainda há uma livraria com cópias de “O Diário de Anne Frank” em todos os idiomas para que foi traduzido.

- Flea Market
O “mercado de pulgas” da cidade é uma grande feira de roupas, acessórios e alguns objetos de decoração de estilos e origens diversos. Artesanatos feitos com materiais naturais e peças de malha com tingimento tie-dye dão toque anos 1970 à feira, que também vende roupas usadas, além de coturnos e uniformes do acervo de militares aposentados do exército holandês. Um casaco cáqui de um veterano, por exemplo, custa 10 euros no Flea Market.

- Museu de Cera Madame Tussauds
O Madame Tussauds de Amsterdã não é o mais fantástico dos museus de cera. Mas, embora as celebridades não pareçam tão reais quanto no museu original, em Londres, e algumas até sejam difíceis de identificar, posar para fotos fingindo dar entrevista para a apresentadora Oprah Winfrey ou tirando uma casquinha de Jon Bon Jovi garante boas risadas.

- Museu do Sexo
Em uma rua cheia de lojas de lembrancinhas turísticas, a maioria delas com temática sexual, fica um museu que reúne estátuas, louças, fotonovelas, miniaturas e tudo o mais que remete a sexo. Há quem morra de rir com as brincadeiras do museu e quem ache uma tentativa constrangedora de fazer piada com o assunto.

- Aluguel de bicicletas
Em Amsterdã, quem anda a pé precisa tomar cuidado com três fatores de risco: as bicicletas, os trens e os canais. Não que os motoristas e ciclistas sejam agressivos, mas em muitas ruas não há distinção entre via e calçada e, quando você menos espera, está caminhando sobre o trilho do trem enquanto o próprio pede passagem. Os canais, por sua vez, não têm proteção contra distraídos, e as bicicletas parecem ser o principal meio de transporte nas estações mais amenas do ano.

Vale a pena investir 6 euros em um passeio de três horas de bike. Abrir mão do mapa e se perder pela cidade rende ótimas surpresas e belas fotos. Na primavera e no verão, você ainda conta com uma ajuda da natureza. Nas duas estações, a noite só chega por volta das 22 horas em boa parte da Europa.

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Garotas de programa estampam vitrines (ao fundo) no Red Light District
Getty Images
Garotas de programa estampam vitrines (ao fundo) no Red Light District

- Red Light District
Em Amsterdã, a prostituição é legalizada e reconhecida, e a maioria das profissionais fica em vitrines de ruas sinalizadas por uma luz vermelha. Lá, elas fazem poses sensuais e dividem a atenção dos transeuntes com coffee shops, casas de shows de sexo explícito, lojas de preservativos coloridos e com formatos diversos.

O bairro é frequentado não só por quem está interessado nas garotas, mas também por grupos de jovens que querem apenas bater papo e beber uma cerveja, casais de namorados e famílias.

Mas cuidado! É proibido fotografar as garotas nas vitrines, e se alguma delas se irritar, poderá lhe dar uma bronca e até partir para a agressão física.


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SERVIÇO

Van Gogh Museum
Stadhouderskade, 55.
Aberto diariamente, das 10h às 18h. Às sextas, até às 22h.
Ingressos: custam 14 euros e podem ser adquiridos em lojas, pela internet ou na bilheteria do museu

Rijksmuseum
Jan Luijkenstraat, 1 (o fundo do museu fica na Stadhouderskade, rua do Van Gogh Museum)
Aberto diariamente, das 9h às 18h
Ingressos: custam 14 euros e podem ser adquiridos em lojas, pela internet ou na bilheteria do museu

I Amsterdam City Card
Pacote que dá direito a visitas gratuitas em mais de quarenta museus, transporte público e passeio de barco
Preços: 40 euros (24 horas), 50 euros (48 horas) ou 60 euros (72 horas)
Onde comprar: no site oficial, no aeroporto Schiphol ou em lojas de souvenirs e ingressos próximas aos museus da cidade

Holland Pass
Pacote que dá direito a visitas gratuitas a uma quantidade de museus escolhida previamente e descontos
Preços: 28 euros (dois museus), 44 euros (cinco museus), 54 euros (sete museus)
Onde comprar: no site oficial, no aeroporto Schiphol, em lojas de souvenirs e ingressos próximas aos museus da cidade e demais pontos de venda listados no site oficial

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Em Amsterdã, barcos também são casas
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Em Amsterdã, barcos também são casas

Heineken Experience 
Stadhouderskade, 78 (rua do Van Gogh Museum)
Aberto diariamente, das 11h às 19h30 (a venda de ingressos termina às 17h30)
Ingressos: 15 euros e podem ser adquiridos na bilheteria ou pela internet

Casa de Anne Frank 
Prinsengracht, 263-267 (uma caminhada de 20 minutos a partir da Estação Central)
De março a setembro, aberto diariamente das 9h às 21h. De setembro a março, aberto das 9h às 19h.
Ingressos: 9 euros, e podem ser adquiridos na bilheteria ou pelo site oficial

Flea Market
Waterlooplein (Praça Waterloo)
Como chegar: pegue o trem 14 que sai da Estação Central

Museu de Cera Madame Tussauds
Dam, 20 (a 15 minutos a pé da Estação Central, em uma caminhada pela Damrak)
Aberto diariamente, das 10h às 17h30
Ingressos: 21 euros na bilheteria, 19 euros pela internet

Pontes são comuns no cenário da capital holandesa
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Pontes são comuns no cenário da capital holandesa

Museu do Sexo 
Damrak, 18
Aberto diariamente, das 9h30 às 23h30
Ingressos: 4 euros na bilheteria

Aluguel de bicicletas
- Rent a Bike
Onde alugar: Damstraat, 20 (próximo ao Museu de Cera Madame Tussauds)
Preço: 6.50 euros por três horas
- Mac Bike
Onde alugar: Estação Central, Waterlooplein (praça do Flea Market) e outros locais listados no site
Preço: 7 euros por três horas, 9,50 euros por 24 horas

Red Light District
Há três áreas de luz vermelha em Amsterdã, mas a principal delas fica na região do Walletjes, entre a Estação Central e o Nieuwmarkt. Para chegar lá, siga pela Prins Hendrikkade e depois pela Zeedijk

Armários para bagagens
A Estação Central de Amsterdã disponibiliza armários para malas. Caso o check-out do hotel seja muitas horas antes da sua partida, é só procurar pelos “lockers” da estação. É preciso ter um cartão de crédito ou débito aceito no país.
Preços: o valor varia de acordo com o tamanho do armário, mas a média é 5 euros
Funcionamento: das 7h às 23h

Bilhetes de trens e ônibus
Em Amsterdã, uma passagem unitária custa 2,50 euros, e uma passagem válida por 24 horas custa 7 euros, portanto, vale a pena investir na segunda. As passagens podem ser adquiridas nos ônibus e trens, com os motoristas. Não esqueça de validar seu bilhete quando entrar e sair dos transportes públicos.

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