
Quando o assunto é turismo histórico, cidades como Ouro Preto (MG), Paraty (RJ) e Olinda (PE) costumam liderar as buscas. No entanto, o Brasil abriga diversos destinos menos conhecidos que preservam um rico patrimônio arquitetônico, tradições centenárias e atrações capazes de surpreender quem busca viagens culturais fora dos roteiros mais concorridos.
1. Goiás (GO)
A antiga capital do estado também é conhecida como Goiás Velho. A cidade foi fundada em 1727 e completa 299 anos em 2026 mantendo uma estrutura de casarões coloniais, ruas de pedra e um dos conjuntos arquitetônicos mais bem preservados do país, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
O que fazer na cidade
Centro Histórico
Um passeio pelo Centro Histórico de Goiás é visitar o primeiro núcleo urbano fundado em território goiano. O local preserva a arquitetura de uma cidade mineradora adaptada às condições da época com ocupações de casas na margem direita do Rio Vermelho e prédios oficiais na marquem esquerda. Entre os espaços de destaque estão o Mercado Municipal, o Casarão da Prefeitura, a Sede da Diocese de Goiás / Arquivo Diocesano, a Ponte de Cambaúba, o Quartel do XX e o Chafariz da Boa Morte.

Casa de Cora Coralina
O local foi a antiga residência da poetisa goiana, Cora Coralina. O visitante vai encontrar objetos pessoas da escritora em uma exposição que conta a trajetória de sua vida e obra. O local oferece visitas monitoradas todos os dias da semana, mas o visitante deve agendar previamente. Há também uma sala de pesquisa com um vasto acervo bibliográficos, vídeos e documentários e projetos desenvolvidos pelo museu.

Igrejas históricas
As igrejas do período colonial também fazem parte do trajeto turístico que conta a história da primeira capital de Goiás (GO). Ao todo, a cidade tem 7 igrejas: Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, a Capela São João Batista e também conhecida como Capela do Ferreiro, a Igreja de Nossa Senhora da Abadia, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Santa Bárbara, São Francisco de Paula e Imagem de Nossa Senhora do Rosário. Todas as construções são do final do século XVIII.
Museus
Entre os museus da cidade, o das Bandeiras faz parte do conjunto arquitetônico do Centro Histórico de Goiás e está instalado no prédio da Casa da Câmara e Cadeia, com acervo sobre a formação da cidade e do estado. O Museu Palácio Conde dos Arcos foi construído quando Goiás ainda era capitania da coroa portuguesa. O local conta um pouco da formação da história do Brasil mas também é um centro cultural na cidade.

2. São João del-Rei (MG)
A cidade é uma das mais importantes para a história do estado de Minas Gerais. São João Del Rei é conhecida pelas suas diversas igrejas barrocas, arquitetura colonial e uma mistura de vida universitária jovem. O centro histórico da cidade tem mais de 700 prédios tombados que ambientam o visitante em um cenário típico português.
O que fazer
Igrejas históricas
São mais de 20 templos religiosos históricos em São João Del Rei (MG). No entanto, os 10 principais templos ficam no centro histórico da cidade. Cinco deles formam o famoso cruzeiro com a matriz no centro em que 4: Igreja de São Francisco de Assis, Nossa Senhora das Mercês, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Carmo estão posicionadas de frente para a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Então, este roteiro é o mais comum a ser feito pelos visitantes.

Centro colonial
O período da colonização deixou um grande legado arquitetônico para a cidade de São João Del Rei (MG). Uma das referências turísticas desse período é a Rua das Casas Tortas. A via é famosa por ter construções geminadas nas quais suas janelas e fachadas tem ângulos desalinhados ao longo do calçamento. Outro destaque vai para o Solar dos Neves, antigo lar do ex-presidente Tancredo Neves e que se destaca pela fachada em estilo colonial.

Passeio ferroviário até Tiradentes
Este passeio é uma das atrações turísticas mais importantes da cidade. É o trajeto ferroviário mais antigo do Brasil. Inaugurado em 1881, o percurso vai até a cidade de Tiradentes (MG) percorrendo 12 km com duração máxima de 40 minutos. Os visitantes passam por belas paisagens com vistas para a Serra de São José, além de terem um guia a bordo que conta a história do local. As passagens podem ser compradas pelo site da companhia VL Logística e custam R$ 86, 00 a inteira e R$ 43,00 a meia somente ida. Se for ida e volta, o passageiro paga R$ 172 a inteira e R$ 86,00 a meia entrada para qualquer percurso.

3. Penedo (AL)
A cidade está às margens do Rio São Francisco e reúne construções dos séculos XVII e XVIII e um importante conjunto de igrejas barrocas. Fundada em 1842, a história da cidade começou a ser construída em 1636 quando o vilarejo foi elevado a Vila penedo do Rio São Francisco. O local foi palco de uma i nvasão holandesa e até hoje há ruínas de um forte construído a mando de Maurício de Nassau. Além do forte há igrejas e prédios históricos que contam mais sobre o passado da cidade.
O que fazer
A cidade é cheia de igrejas e prédios históricos. Os destaques entre os passeios vão para a Igreja Nossa Senhora das Correntes. O local é tombado pelo IPHAN e tem detalhes arquitetônicos diferentes que vão do barroco ao Rococó com azulejos portugueses e pisos de cerâmica inglês. O museu do Paço Imperial e Memorial Raimundo Marinho também é muito visitado.

O sobrado pertencia a família Lemos Araújo e, em 1859 foi transformado em Paço Imperial para D. Pedro II durante a estadia na cidade. Os artefatos internos contam toda a história. A Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos é outra que apresenta uma arquitetura típica dos anos de 1758, quando foi fundada. O local mistura estilos barrocos diferentes dentro e fora da construção.

Outros destaques vão para o Oratório da Forca, onde os condenados a morte passavam as últimas noites e também algumas missas eram celebradas para militares. A Casa da Aposentadoria também é outro ponto muito visitado. O local serviu de hospedaria para ouvidores da coroa. O local não foi completamente construído, mas o prédio foi aproveitado como Paço.
4. Laguna (SC)
Conhecida por ser a terra natal de Anita Garibaldi, preserva casarões, museus e belas paisagens litorâneas. A cidade está a 120 km de Florianópolis (SC). Laguna é a segunda cidade mais antiga do estado. A cidade combina história, belezas naturais e lendas locais.

O que Fazer
Um passeio pelo patrimônio histórico será muito importante. O Museu Casa de Anita Garibaldi foi ponto de abrigo para a República Juliana em 1839 durante a Revolução Farroupilha. O Farol de Santa Marta é outro ponto histórico. Ele tem 17km de extensão e é considerado o maior das Américas. O local tem uma vista muito bonita.

Na parte do turismo natural, um passeio às Dunas da Praia Grande pode surpreender o visitante. A região fica ao norte do Farol de Santa Marta em uma área remota de acesso feito por trilhas. Após uns dias de chuva, algumas lagoas se formam na areia e a paisagem fica deslumbrante boa para banho de lagoa.

5. Alcântara (MA)
Ruínas, casarões e igrejas fazem da cidade um dos cenários históricos mais interessantes do Nordeste. A cidade faz parte da região metropolitana de São Luís. A cidade é famosa pelo vasto acervo de ruínas e casarões coloniais e fica a apenas 30 km da capital. Alcântara (MA) foi fundada no século XVII e teve seu tempo de riqueza durante o ciclo do algodão. Depois que a escravidão acabou, a elite portuguesa foi para a capital e deixou para trás todas as construções da cidade.
Pontos turísticos de destaque
A Praça da Matriz e as Ruínas de São Matias são o cartão-postal da cidade. A igreja começou a ser construída em 1648 mas não foi finalizada. Até hoje a ruína está sobre o vasto gramado. O Pelourinho também é um ponto de visitação e é o único original construído com pedras no Brasil.

A Rua da Amargura também é muito famosa. Apesar do nome, o local é muito bonito com casarões coloniais revestidos de azulejos portugueses. O Museu Histórico de Alcântara e as Ruínas do Palácio Real também remontam ao período colonial.
6. Laranjeiras (SE)
Considerada um dos principais centros históricos de Sergipe, a cidade reúne igrejas, sobrados e manifestações culturais tradicionais. A cidade está localizada a apenas 22 km de distância de Aracaju e é famosa por ser a "Capital da Cultura Popular Sergipana". Fundada em 1832, a cidade já registrava batalhas e conquistas históricas desde 1590.
O que fazer em Laranjeiras (SE)
Os pontos turísticos estão, quase todos, ligados a história do município. Então, os destaques vão para as Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, Igreja Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, Capela do Engenho Jesus, Maria e José, Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, Igreja Bom Jesus dos Navegantes, Igreja Nossa Senhora da Conceição dos Pardos. São as principais para que o visitante entenda a influência da igreja católica na história do município.
Outro destaques são os museus que conservam arte da cultura negra deixada por pessoas escravizadas no Museu Afro-brasileiro de Sergipe, e também arte religiosa no Museu de Arte Sacra e na Gruta da Matriana e a Casa de Cultura João Ribeiro com peças pertencentes do escritor, filólogo e folclorista.

7. Pirenópolis (GO)
Com uma mistura de patrimônio colonial, gastronomia, cultura e natureza, Pirenópolis (GO) é um destino que agrada diferentes perfis de viajantes. Localizada a cerca de 150 km de Brasília e 120 km de Goiânia, a cidade conserva ruas de pedra, casarões históricos da época da fundação em 1727. O local foi fundado por garimpeiros que tinham a missão de descobrir novas jazidas de ouro. Até hoje a cidade conserva ruas que ligavam pousadas antigas às minas onde o trabalho acontecia.
O que conhecer em Pirenópolis
Entre os pontos mais visitados da pequena cidade estão o Centro Histórico que é tombado como Patrimônio Histórico Nacional e a Rua do Lazer onde se concentram os barzinhos e a vida noturna da cidade. Outros locais muito visitados são a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim datada de 1750, o Museu das Cavalhadas que conta a história da tradição com ornamentos e fotografias e o Cine Pirineus, um prédio histórico que foi cinema e teatro na cidade.

8. Bananal (SP)
A cidade está cituada no e xtremo leste do estado de São Paulo no limite do estado do Rio de Janeiro. A cidade é considerada uma joia na região do Vale do Paraíba. Importante durante o ciclo do café, Bananal (SP) conserva fazendas históricas e construções do século XIX e fazendas históricas.
O que fazer em Bananal (SP)
A cidade é perfeita para quem deseja viajar para um destino de montanha que esteja próximo a cidade litorânea cercada de Mata Atlântica. Bananal (SP) fica próxima a Paraty e Angra dos Reis, então é possível fazer um bate e volta nessas duas cidades e manter o destino na serra.

Em Bananal (SP) o visitante encontrará Fazendas Históricas que podem ser a hospedagem ou que podem ser o passeio turístico na plantação. O Centro Histórico ainda tem uma Estação Ferroviária com a Farmácia mais antiga do Brasil. Para quem gosta de Ecoturismo, a cidade tem trilhas com mirantes e cachoeiras como a Cachoeira do Bracuí e o Recanto das Cachoeiras.
9. Cachoeira (BA)
Um dos principais símbolos da história do Recôncavo Baiano, Cachoeira. A cidade está às margens do Rio Paraguaçu e a aproximadamente 120 km de Salvador. Fundada em 1837 a cidade foi abrigo de tropas resistentes contra tropas portuguesas na luta da Independência da Bahia e do Brasil. Até hoje, a cidade é reconhecida como Cidade Heroica e, simbolicamente, todos os anos entre os dias 25 de junho ao dia 2 de julho, a cidade torna-se capital da Bahia.
O que conhecer
O conjunto arquitetônico de Cachoeira (BA) é tombado pelo IPHAN, a cidade preserva casarios coloniais, igrejas barrocas, sobrados e monumentos históricos que encantam visitantes e estudiosos. Além disso, a cidade conserva elementos da cultura Afro-Brasileira com tradições religiosas, festas populares e manifestações artísticas ligadas ao Candomblé e à herança de povos africanos.

Os destaques vão para o Memorial da Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte, o Museu Hansen Bahia, a Imperial Ponte Dom Pedro II e as Ruínas do Antigo Convento de Santo Antônio do Paraguaçu.
10. Marechal Deodoro (AL)
A cidade foi a primeira capital de Alagoas, guarda importantes construções históricas e praias próximas que complementam o passeio. Situada a 28 km da capital, Maceió, Marechal Deodoro (AL) é considerada a cidade histórica e litorânea mais importante por ter sido o centro econômico e político quando o estado ainda era província dentro da capitania de Pernambuco nos anos de 1591. Somente em 1839 a capital do estado tornou-se Maceió.

O que conhecer
Uma das novidades é que Governo Federal sancionou a Lei 15.444, que institui a Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas e Marechal Deodoro está entre as cidades. Os casarões, igrejas e monumentos do período colonial são protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entre as atrações estão a Casa Museu Marechal Deodoro do século VXII que foi o lar do militar. O Centro Histórico e Religioso também é muito visitado com igrejas do período colonial. O Povoado de Massagueira é conhecido como o principal polo de massas e frutos do mar de Alagoas e fica à beira da Lagoa Mundaú.

O que observar antes de montar um roteiro histórico
O visitante deve sempre observar a melhor época para viajar. A região nordeste, por exemplo, tem um clima mais ameno durante o inverno, mas chove bastante em algumas regiões. Então, montar o roteiro acompanhando a previsão do tempo pode ser uma boa alternativa para não ter passeios frustrados por causa de dias nublados ou chuvosos.
Todas as cidades têm calendários turísticos com festas regionais que celebram religiões, colheitas, datas específicas e até a estação do ano. Então, observar o calendário turístico pode ser uma ótima alternativa para agregar passeios e experiências locais ao roteiro de viagem sem ter gastos extras.
Os lugares públicos como museus e igrejas históricas nem sempre têm a entrada gratuita. A maioria dos lugares citados acima cobram entre R$ 10,00 e R$ 20,00 pela visita. Então, pode ser mais proveitoso conhecer os lugares com a ajuda de um guia de turismo. Em muitas cidades turísticas tem o centro de atendimento ao turista em que é possível contratar o serviço ou pegar indicação de guias com Cadastur.