
O estado do Alagoas está vendo seu turismo prosperar. Segundo a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), houve aumento de 145.14% na chegada de passageiros estrangeiros no primeiro bimestre de 2026, no Aeroporto Internacional de Zumbi dos Palmares. De acordo com a empresa pública, foram registradas 11.985 chegadas internacionais entre janeiro e fevereiro deste ano. No mesmo período de 2025, foram 4.889 passageiros entrando no estado.
Essa movimentação faz com que as agências e produtoras de turismo trabalhem intensamente na promoção de destinos específicos. Com mais de 20 anos atuando no ramo turístico, a promotora Kaká Marinho observa uma crescente valorização de viagens para a Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar, no sertão de Alagoas. Segundo ela, os viajantes procuram experiências autênticas: “Não é só sobre viajar, é sobre viver um lugar com profundidade. A Ilha do Ferro tem uma potência criativa absurda, com artistas que transformam matéria em identidade. E isso gera uma experiência que nenhum resort consegue replicar”, afirma.Identidade territorial
Às margens do Rio São Francisco, o pequeno povoado de Pão de Açúcar (AL) tem conquistado espaço nas mesmas conversas que destinos já consolidados como Trancoso (BA) e São Miguel dos Milagres (AL), mas, segundo a especialista a proposta é singular: menos ostentação e mais significado. Mais do que um destino turístico, a Ilha do Ferro é observada pelos viajantes como um exemplo espontâneo de “design de território”, conceito que une identidade cultural, economia criativa e narrativa local.

Especialista Kaká Marinho durante visita na Ilha do Ferro em Pão de Açúcar (AL)
A Ilha do Ferro é conhecida por concentrar uma das maiores densidades de artistas por metro quadrado do país. A região reúne artesãos, escultores e criadores que transformam o cotidiano em expressão artística. Nesse contexto, o turismo surge como consequência natural de um ecossistema criativo vivo.
Segundo a especialista, os viajantes que desejarem um destino com a melhor produção artística sertaneja do estado do Alagoas, podem ir para Pão de Açúcar:
“Existe ali um ecossistema criativo. Quando você tem arte, identidade, história e pessoas vivendo aquilo de verdade, você tem um território com narrativa própria. Isso é design de território, mesmo que não tenha sido planejado como tal”, explica Kaká.
Luxo: simples, autoral e emocional
O crescimento do turismo na Ilha do Ferro também acompanha uma mudança clara na percepção de luxo. Em vez do excesso, o que atrai é a essência com o tempo desacelerado, o silêncio e o contato com o fazer manual. Segundo a especialista, destinos mais procurados no futuro vão oferecer mais calma e profundidade nas experiências:
"Os destinos mais desejados do futuro não são os mais estruturados, são os mais autênticos. O luxo deixou de ser sobre ostentação e passou a ser sobre significado”, diz a alagoana.Segundo ela, o conceito de “luxo emocional”, ganha força globalmente e encontra no sertão alagoano uma tradução genuína. Experiências como visitar ateliês, conversar diretamente com artistas e vivenciar a rotina local têm atraído um público formado por arquitetos, designers, colecionadores e viajantes em busca de profundidade cultural.
Do insider ao mainstream
Ainda preservando sua essência, a Ilha do Ferro começa a ultrapassar o circuito nichado e entrar no radar de diferentes setores criativos. Um indicativo recente é quando o local ganha uma marca e se torna lembrado pela indústria do varejo como marcas de roupa, agências e pelo audiovisual e é o que está acontecendo com o local.
E com o aumento da visibilidade, surge também um desafio: Como crescer sem perder autenticidade? Segundo a especialista, a força da Ilha do Ferro está justamente em sua natureza orgânica e na ausência de intervenções artificiais. Nesse cenário, a Ilha do Ferro se consolida não apenas como tendência, mas como símbolo de uma nova forma de viajar. Mais consciente, mais sensível e profundamente conectada ao território.




