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Bem longe do litoral, interior do Mato Grosso propõe aventuras por aquários naturais, cachoeiras e formações pré-históricas; confira sugestões de roteiro

A Chapada dos Guimarães se tornou um destino chave para aqueles que procuram um paraíso com temperaturas elevadas e muitas atividades, mas não querem recorrer ao litoral. E não há nem sinal de praia! Neste ponto do mapa, nas proximidades de Cuiabá (MT), os oceanos Atlântico e Pacífico estão exatamente na mesma distância.

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Mas você ainda poderá aproveitar o visual das grandes formações rochosas, belas cachoeiras e os mirantes espalhados pela região. Isso torna o caminho entre as atrações ainda mais agradável, já que os viajantes terão que se locomover por muitos quilômetros todos os dias. A reportagem do iG Turismo esteve no local, e  fizemos um roteiro de três dias por algumas das principais atividades da Chapada dos Guimarães . Veja os detalhes: 

Recomendações iniciais

Chapada dos Guimarães arrow-options
Caue Lira/iG
Floresta do Parque Nacional, vista do Véu de Noiva

A melhor recomendação, que vale tanto para casais quanto famílias ou grupo de amigos, é alugar um SUV com ar-condicionado. Veículos menores vão sofrer muito no asfalto poroso e, por vezes, quase inexistente. A grande quantidade de serras também pede por motores mais potentes.

Também vale ficar atento às temperaturas e amplitude térmica do local, pois os termômetros podem variar entre 15° e 35ºC no mesmo dia. As noites costumam ser mais frias devido à altitude, mas na maior parte do tempo, o clima é abafado.

Protetor solar e repelente serão muito bem-vindos para evitar complicações, mas algumas atividades pedem para que os banhistas evitem estes produtos. A preservação ambiental é levada bem a sério em algumas das atrações que falaremos adiante.

O que fazer para aproveitar a Chapada dos Guimarães

Mirante do Véu de Noiva

A cachoeira Véu de Noiva é um dos principais pontos turísticos da Chapada dos Guimarães. Localizada a 67 quilômetros de Cuiabá (pela estrada MT-251), costuma ser uma das primeiras visitações de quem explora a região. Vale muito a pena apreciar a queda d’água que desce por um paredão de 86 metros arenito.

Nas épocas mais chuvosas, a cachoeira fica cercada por uma leve neblina que acrescenta charme ao belo casamento com a parede alaranjada. No passado, era possível se refrescar no Rio Caxipozinho que se forma a partir dela, mas um acidente com vítimas fatais ocorrido em 2008 restringiu a visita apenas ao mirante. Mesmo assim, continua sendo um ponto muito interessante da Chapada dos Guimarães. Se você tiver uma câmera semi-profissional ou superior, não economize memória no cartão SD.

Visitação: R$ 5,00
Horário: 9h às 15h

Almoço no Atmã e vista da Chapada

Visitar o Véu da Noiva durante a manhã pode ser uma boa ideia, pois a apenas 12 km de distância está um dos melhores restaurantes da região, o Atmã. Talvez o principal tempero seja a bela vista da Chapada dos Guimarães. Com boa área envidraçada, o viajante tem a sensação de estar comendo nas nuvens.

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Apesar de não se rotular como um restaurante de culinária italiana, há boas opções de massas, risotos e carnes. Opções vegetarianas e para crianças também estão disponíveis.

Ainda no restaurante Atmã, há uma pequena trilha que leva para o mirante - que deve ser feita de carro. 

Visitação: gratuita
Horário: 11h às 16h30
Restaurante: os pratos variam entre R$ 70,00 e R$ 120,00

Aquário Encantado

Lembra quando falamos que alguns estabelecimentos privados restringem o uso de repelente e protetor solar pela conservação ambiental? O Aquário Encantado é um deles. Trata-se de um “achado meio perdido” na Chapada, pois sua localização exige o percurso de alguns quilômetros na estrada de terra. A idade mínima para o passeio é oito anos.

Os visitantes precisam colocar máscaras de mergulho, snorkel e sapatilhas especiais para entrar na água. É possível enxergar uma infinidade de peixes vagando pelo rio bem cristalino, com tonalidade azulada devido ao calcário e magnésio. Piraputangas, dourados e piaus estão entre os peixes que podem ser observados. A visita é indispensável!

Visitação: R$ 75,00 (no aquário natural), R$ 145 (incluindo tirolesa de 700 metros)
Horário: 7h00 às 17h30

Cidade de Pedra no Parque Nacional

De todas as atividades que fizemos na Chapada dos Guimarães, a visita à Cidade de Pedra no Parque Nacional é a mais complexa. Há trechos de terra com lamaçal intenso para reafirmar nossa recomendação por um veículo utilitário esportivo, talvez com tração 4x4.

Na estrutura rochosa, o principal obstáculo é a subida. Crianças e pessoas com locomoção debilitada precisarão de ajuda, mas até mesmo idosos conseguem chegar no topo da Cidade de Pedra.

Toda a formação foi esculpida por milhões de anos pela chuva e pelo vento, formando os pilares que lembram prédios (daí o nome!). Algumas estruturas têm mais de 350 metros de altitude e servem de ninho para as belas araras vermelhas que passeiam pelo “cânion”. O visual é cinematográfico, e mesmo as lentes dos melhores celulares não conseguem reproduzir a exuberância do local.

Visitação: os preços podem variar, dependendo da empresa que fechar o passeio
Horário: 9h00 às 15h00

Visitas aos sítios arqueológicos

Passear pela Chapada dos Guimarães é como uma jornada no tempo. A região é cheia de sítios arqueológicos que conectam os visitantes ao nativos que estiveram na região, há mais de 3 mil anos. Um deles é o Sítio de Santa Elina.

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Desde 1984, o lugar está sendo escavado por pesquisadores da Universidade de São Paulo em parceria com o Museu de História Natural de Paris. Ali, já foi encontrada a ossada de um bicho-preguiça gigante, cuja extinção ocorreu há 10 mil anos. No local, a equipe de escavadores também encontrou mais de 25 mil artefatos. De acordo com o arqueólogo Levy Figuti, o Mato Grosso tem cerca de 792 sítios arqueológicos cadastrados, que variam desde os feitos com pedras a registros rupestres.

Horários: as visitas guiadas devem ser marcadas na Secretaria de Turísmo de Jangada

* Viagem a convite da Audi do Brasil