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Conhecemos o novo centro cultural dedicado ao vinho em Portugal

WOW Porto oferece experiências gastronômicas fartas, museus interativos sobre vinho e chocolate e vista exuberante do centro histórico de Porto

Foto: Divulgação
Conheça o WOW Porto, novo distrito cultural em Porto, Portugal, que vai agradar fãs de cultura, vinho e gastronomia de primeira

A cidade de Porto, em Portugal , tem tudo para ser uma das tendências de destinos internacionais para brasileiros em 2022, sendo cobiçada pela atmosfera charmosa, construções históricas e por ser o berço do vinho do Porto. Durante a pandemia, a cidade ganhou mais um ponto turístico para ser visitado, mais especificamente a Vila Nova de Gaia. Trata-se do World Of Wine, também chamado de WOW Porto.

Com uma proposta de ser um quarteirão cultural, já que é um centro cultural a céu aberto, o WOW Porto abriu para o público em 2020 com investimento especial milionário da União Europeia. Com 55 mil metros quadrados, corresponde a uma área próxima ao centro histórico de Porto, que conta com 7 museus temáticos e 12 restaurantes e cafés; além de atrações em áreas comuns e programas especiais que podem ser incluídos no pacote, como degustações de chocolate e vinho.

A ideia do espaço é oferecer conhecimentos e experiências que celebram as especialidades da produção industrial portuguesa. No entanto, se tem em mente fugir do habitual e entregar à cidade um espaço público e de ponto de encontro com ares acolhedores e de descompressão – tanto que não é preciso pagar para acessar áreas comuns do WOW, apenas os restaurantes, museus e outras programações.

O WOW nasceu como uma promessa de esquentar o turismo e revitalizar aquela área na cidade de Gaia, que pode ser acessada ao atravessar a Ponte Luís I ou à barco pelo Rio Douro. Isto porque, até então, o potencial de Gaia como polo turístico e de lazer para locais não era notado.

Anteriormente, o espaço em que hoje está o centro cultural consistia em armazéns de vinho. Agora, parte desse vinho foi realocado para que esses mesmos armazéns abrigassem o WOW, ganhando um novo significado para a vida cultural de Gaia. O resultado é preservação da arquitetura e da atmosfera dos casarões, intensificando o charme de se caminhar pelos arredores e a amplitude dos museus e restaurantes alocados ali.

Adrian Bridge, fundador do WOW, conta ao iG Turismo que a intenção da criação do WOW era a de criar um espaço turístico sustentável, dinâmico e voltado para todos os gostos. No caso específico do vinho do Porto, ele acredita que é uma oportunidade de turistas e interessados na produção vínica compreenderem, de fato, a complexidade dessa produção. “É muito mais fácil contar essa história quando as pessoas vêm para cá do que por um power point”, pensa.

Vasta experiência vínica

Apesar dos diversos nichos apresentados no WOW Porto, o mais importante é, certamente, colocar o visitante em contato com o máximo de esferas possíveis da produção vínica, desde a plantação das vinhas até o consumo. A dedicação e contribuição para passar a história do vinho adiante garantiu ao WOW o Special Achievement Award, uma honraria rara concedida pelo Great Wine Capital , organizadora do concurso Best Of Wine Tourism 2022, que premia os melhores lugares para adeptos do enoturismo.

Seja na decoração dos espaços ou nas históricas locais, o vinho é cultuado ou remetido e sempre deixa sua marca. A bebida é a protagonista de todo o passeio, de forma que uma das intenções de Bridge funciona: é impossível voltar para casa sem aprofundar os conhecimentos sobre o vinho.

Uma das principais atrações do WOW é o The Wine Experience, carro-chefe dos museus locais. Repleto de informações didáticas apresentadas com dinamismo, o museu permite que o turista desvende as principais características de diferentes tipos de vinho e descubra como funciona toda cadeia de produção do produto, do início ao fim.

Por lá, estão disponíveis informações sobre qual processo é cumprido em cada parte do ano, quais partes da uva são mais aproveitadas no processo e até mesmo como as características de solo, armazenamento e até posição das vinhas podem contribuir com o resultado.

Tudo isso é apresentado por meio de telões gigantes, esculturas, gráficos e até testes sensoriais práticos. A experiência interativa propõe jogos e quiz para personalizar o passeio e torna a visita ainda mais interessante.

Outros três museus também são focados na introdução de diferentes particularidades do vinho. O The Bridge Collection Museum, que conta a história de amor entre o álcool e a humanidade por meio 1.800 peças (coleção particular de Bridge, como o nome do museu indica), como taças e cálices, que datam do ano 7 mil antes de Cristo.

Há ainda o Planet Cork, que se aprofunda na produção de cortiça, indústria da qual Portugal é líder mundial em produção. O país, aliás, produz anualmente 100 mil toneladas de cortiça, de acordo com a Associação Portuguesa da Cortiça. Além de rolhas, o museu também impressiona ao apresentar a variedade de produções que podem ser feitas com o material, desde pranchas de surf até revestimentos de naves espaciais.

O terceiro é o Pink Palace Experience, que também é um dos espaços mais fotogênicos do WOW. O Pink Palace oferece salas instagramáveis com as quais o turista pode interagir. Em uma delas, por exemplo, há uma grande piscina de bolinhas cor-de-rosa em que o visitante pode mergulhar. A diversão e a paleta rosa da visita tem como propósito introduzir o visitante ao vinho rosé, tanto que cinco vinhos diferentes são servidos ao longo do passeio.

É possível aperfeiçoar os conhecimentos com aulas de degustação de vinho na Wine School. Com atmosfera de sala de aula (mas muito mais divertida), o visitante aprende a fazer harmonizações e aprende as características que cada vinho pode oferecer ao paladar, ao olfato e até à visão. As aulas são bem completas, oferecem certificação de participação e custam entre € 25 e € 35 (R$ 145,95 a R$ 204,33, na cotação atual), a depender da modalidade escolhida.

A presença do armazém da marca de de vinho do Porto Taylor’s, uma das mais tradicionais e famosas do segmento, nos arredores também impacta nessa atmosfera vínica. Apesar de não fazer parte oficialmente do WOW, os locais se interligam tanto no espaço físico como no gerenciamento, já que Bridge também é dono da label.

O armazém da Taylor’s, marca que existe desde 1692, abriga cerca de 45 milhões de litros de vinho, alguns em grandes tonéis que existem desde o século 17. É possível visitar o espaço por € 15 (R$ 87,51).

O que mais tem para conhecer no WOW Porto?

Além das especialidades voltadas para o vinho, o WOW oferece três outros museus. O Porto Region Across Ages conta a história da região do Porto, com direito a fotos, curiosidades e réplica de bonde elétrico.

O museu The Chocolate Story tem uma estrutura similar ao The Wine Experience, mas, como o nome já entrega, com o chocolate. No entanto, deve-se levar em conta que o foco da história contada pelo museu é mais voltado para a visão europeia do doce. As origens brasileiras e indígenas relacionadas ao cacau são citadas, mas não são tão aprofundadas ao longo do passeio.

Este museu também aborda figuras históricas que tiveram relação com o chocolate, reúne propagandas realizadas em diversas épocas e introduz o visitante às etapas industriais de fabricação – uma curiosidade é que o WOW tem sua própria marca de chocolates, a Vinte Vinte. Por lá, também é possível fazer uma degustação de chocolate com vinho por € 35.

Por fim, há o Porto Fashion & Fabric Museum, que aborda a indústria têxtil portuguesa, explora a criação de grifes importantes e apresenta o passo a passo da confecção de peças.

Algo curioso sobre esse museu específico é que, durante sua construção, foi encontrada a Capela de Atkinson, idealizada  pelo arquiteto italiano Nicolau Nasoni no século 18. Para não comprometer os achados, que estão intactos, a capela passou a integrar o trecho dentro do Museu da Moda e dos Têxteis. A descoberta acabou se tornando uma simbologia para tradições do passado e reinvenções do futuro.

Além dos passeios nos museus, vale a pena ir ao porto para desfrutar da atmosfera de acolhimento e nostalgia do local, que não sofreu muitas adaptações na arquitetura clássica. As adaptações no espaço foram feitas apenas para otimizar a experiência do visitante. Seguindo o intuito de democratizar a área, não é preciso pagar para acessar a região, o que o torna também um ponto de encontro para a população local.

O passeio pelas ruas de pedrinhas e as vielas é sempre emoldurado pela icônica vista do centro histórico de Porto, que encara o turista do outro lado do Rio Douro. O rio, aliás, está há menos de cinco minutos do WOW e oferece bastante lazer, como lojas, restaurantes e até uma volta no teleférico, ou apenas momentos de descanso e contemplação em meio aos barcos que dão partida.

Vale a pena andar por ali com a câmera no jeito. Cada cantinho é apaixonante e pode render belas fotos, seja para capturar a arquitetura dos arredores dos armazéns e das caves, seja para selfies ou retratos com belos cenários.

Onde comer no WOW Porto?

Essa é uma pergunta com uma vasta gama de respostas, já que os restaurantes, bares e cafés possuem menus variados capazes de agradar a todos os gostos, desde quem está em busca do tradicional bacalhau até carnes suculentas.

Todo cardápio é acompanhado por uma cartela de vinhos pensada para harmonizar com a refeição solicitada. O distrito cultural também oferece opções para quem quer aproveitar a vida noturna local – no entanto, a maior parte dos restaurantes fecha cedo, às 23h.

O Angel’s Share é o bar que fecha mais tarde, à uma da manhã, e serve cartelas de vinhos e drinks com ingredientes locais, além de petiscos e tábuas de queijos. O bar proporciona um ambiente requintado e é ideal para passar algumas horas bebendo, se divertir com amigos e desfrutar dos petiscos.

Para degustar um bom almoço ou brunch (que são típicos em Portugal), o T&C apresenta um cardápio tradicional repleto de pratos regionais. É um ótimo restaurante para experimentar a Francesinha, um delicioso sanduíche típico que leva carnes, queijo, ovo, molho de tomate e porção de batatas fritas. A porção é bem generosa. O restaurante também apresenta uma decoração despojada inspirada nas vinícolas.

Entre os destaques de lugares para comer no WOW Porto estão o 1828 Steakhouse, cuja especialidade é cortes de carne diferenciados, com especialidade em galega e minhota; o Pip, lugar acolhedor com porções generosas de massas, caldos e saladas; e o The Golden Catch, opção descontraída para degustar um cardápio inteiramente montado com frutos do mar, legumes e frutas – a entrada de cavala é espetacular.

Os restaurantes do WOW são bastante sofisticados e oferecem ao visitante os melhores ingredientes e combinações, além da experiência personalizada, um atendimento cordial e opções de vinhos que tornam as refeições ainda mais saborosas.

O preço médio pode assustar à primeira vista devido à alta cotação do euro, mas é compatível com o que outros restaurantes do mesmo porte têm a oferecer. Pode-se estimar que uma boa refeição pode sair por € 30 por pessoa, algo em torno de R$175. No entanto, há muitos pratos robustos e fartos, o que possibilita que duas pessoas dividam.

Vale a pena visitar o WOW Porto?

Ao passar alguns dias subindo e descendo as escadas externas desfrutando do passeio ao ar livre, da estrutura dos armazéns e da maravilhosa vista do Porto, já fica nítido que, no WOW, os momentos não são desperdiçados. O passeio em si já é agradável pela atmosfera acolhedora do local, tanto das construções como pela disponibilidade das pessoas que trabalham ali.

Os museus podem ser considerados mais nichados para as pessoas adeptas do enoturismo, mas as atrações são capazes de prender a atenção e surpreender as pessoas leigas no assunto. É possível se entreter, aprender curiosidades interessantes e desfrutar dos passeios como um todo. Apesar de ter uma opção vasta do que fazer, é nítido que os fanáticos por vinho são quem podem se beneficiar mais do passeio por ter mais opções voltadas a este público, apesar da variedade.

A entrada aos espaços abertos do WOW são gratuitas, mas o mesmo não se aplica aos museus. Pode-se adquirir um ingresso unitário para cada atração ou fechar pacotes. O unitário custa € 17 (R$ 99,25), exceto nos casos do The Wine Experience, € 20 (R$ 116,76), e do Pink Place, € 25. Nesses casos, é possível pagar uma entrada à família, que comporta dois adultos e duas crianças e vão até € 55 (R$ 321,09).

No caso dos pacotes, é possível escolher comprar a entrada para dois (€30), três (€38 / R$ 221,84) ou cinco museus (€ 55), o que é uma boa opção para quem quer conhecer mais de um lugar ou quer baratear a entrada. Os ingressos têm validade de seis meses. Veja mais informações em wow.pt .

** Camila Cetrone é formada em jornalismo. Desde 2020, é repórter do iG e tem experiência em coberturas sobre cultura, entretenimento, saúde, turismo, política, comportamento e diversidade; com ênfase em direitos das mulheres e LGBTQIA+, na qual está inserida como bissexual. É autora do livro-reportagem “Manda as Bicha Descer”, resultado da apuração de um ano na casa de acolhida LGBT Casa 1, no centro de São Paulo. Coleciona livros, vinis e estuda cinema nas horas vagas. Ama contar e ouvir histórias, cantar mal no karaokê e memes autodepreciativos (jura que faz terapia).