A ação de saqueadores e da natureza varreram milhares de templos anticos
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A ação de saqueadores e da natureza varreram milhares de templos anticos

Bagan é motivo de encanto e parada obrigatória para a grande maioria dos visitantes do sudeste asiático, e isso se deve às maravilhosas vistas que a região apresenta. Espalhadas por uma vasta planície empoeirada é possível ver dezenas de milhares de templos budistas exóticos.

Os reinos de Bagan tiveram início ainda no século 2 a.C., mas chegou ao auge muitos anos depois, já em 1057, durante o reinado do rei Anawrahta. Com o passar dos anos, a cada novo rei que assumia o posto, mais templos, pagodes e outras estruturas religiosas em homenagem a Buda eram construídas, chegando a ter mais de 13 mil.

Em 1287 as forças de Kublai Khan (Império Mongol) invadiram e saquearam muitos dos tempos, reduzindo em muito a população local, desde então a ação de criminosos e grandes desastres naturais – como terremotos – varreram grande parte dos templos. Atualmente, existem pouco mais de 200 templos permanecem de pé.

Já nos anos de 1990, o governo local decidiu restaurar centenas de templos, porém o processo não foi bem sucedido, por usarem materiais modernos, bem diferentes dos usados originalmente, o que o diferenciou muito do estilo de arquitetura. Toda essa mudança fez com que a Unesco se recusasse por muitos anos a reconhecer Bagan como  Patrimônio Mundial da Humanidade.

O primeiro pedido foi feito em 1996, e veio a ser aceito somente em 2019, algo que os moradores da região entenderam como uma correção histórica. Os templos são os últimos vestígios do antigo Reino Pagão da Birmânia (atual Myanmar).

O passeio de balões é um dos grandes atrativos de Bagan
Charlie Costello/Unsplash
O passeio de balões é um dos grandes atrativos de Bagan

O que fazer por lá

Opções do que se fazer em Bagan é o que não faltam, mas não há duvidas que os templos são o maior chamariz para turistas – seja para visitar ou sobrevoar em passeios de balão.

O Templo Ananda

Foi concluído em 1091, pelo Rei Kyanzittha. É inspirado em uma lendária caverna chamada Nandamula, situada nas montanhas do Himalaia. Com mais de 51 metros de altura, recebeu um topo dourado já em 1990, em comemoração aos 900 anos. Dentro do templo estão quatro grandes estátuas de Budas, das quatro eras. Kakusandha está virada para o norte, Konagamana para o leste, Kassapa para o sul e Guatama, o Buda mais recente, está para o oeste.

O Templo Gawdawpalin

Foi construído no século 12 pelo rei Narapatisithu, o templo de 60 metros foi muito danificado em um forte terremoto de 1975, sendo totalmente reconstruído anos mais tarde.

O Templo Dhammayangyi

Este é o maior templo em Bagan, foi construído pelo rei Narathu que reinou de 1167 a 1170.

O Templo Shwesandaw

Foi construído em 1057 pelo rei Anawahta, A estupa retrata os cabelos do Buda. Às vezes é chamado de Templo de Ganesh, deus hindu com cabeça de elefante cujo as imagens estavam nos cantos de cada um dos cinco terraços.

O Templo Mahabodhi

Uma réplica exata, em tamanho menor, do famoso templo Bodhi em Bodh Gaya, na Índia. Foi construído durante o reinado do rei Nantaungmya, entre 1210 e 1234.

O Templo Shwezigon

Este pagode foi construído como o mais importante santuário relicário em Bagan. Iniciado pelo rei Anawrahta e concluído pelo rei Kyanzittha em 1089. Ele contém vários ossos e cabelos do Buda.

O famoso passeio de balão

Os balões de ar quente sobrevoam Bagan a mais de 600 metros de altura
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Os balões de ar quente sobrevoam Bagan a mais de 600 metros de altura

Quando se procura por imagens de Bagan, depois dos grandes templos, o que mais se destaca são as imagens dos grandes balões de ar quente que sobrevoam a região a mais de 600 metros de altura. Este passeio está na lista de desejos de qualquer um que vá visitar Myanmar – a menos que tenha muito medo de altura.

Os voos de balão são silenciosos e estáticos, combinando com a luz do nascer do sol proporcionam um visual deslumbrante dos templos e de toda a área. É, sem dúvidas, uma experiencia inesquecível.

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Com taxas a partir de U$ 300 (cerca de R$ 1.7 mil) por pessoa, os passeios acontecem somente entre outubro e abril, quando o clima está mais propicio para o voo. Os voos podem durar de 45 minutos a uma hora.

A melhor época para viajar

A bicicleta em Bagan é um dos meios de transporte mais usado
propelahed/Flickr
A bicicleta em Bagan é um dos meios de transporte mais usado

Entre os meses de março e maio acontece a considerada “época seca”, quando a temperatura é bem quente, passando dos 40°C durante o dia. De junho a outubro as monções do sudeste asiático chegam à Myanmar, deixando a temperatura com uma média de 30°C e com fortes chuvas por quase todo o período.

Entre novembro e fevereiro está a melhor época para se viajar, as temperaturas ficam mais amenas e, durante o dia, beiram os 35°C. Por outro lado, a grande procura faz com que os preços fiquem bem elevados, o indicado é que se faça a reserva com bastante antecedência.

Se bem programado é possível visitar alguns dos maiores templos de Bagan em apenas dois dias, mas também há muito charme a ser explorado em templos menores – e que exigem um pouco mais de tempo -, que ficam fora do roteiro mais tradicional e podem ser acessados por pequenas trilhas. Para agilizar o passeio, podem ser alugadas bicicletas em hotéis, restaurantes e lojas locais.

Alugar uma bicicleta, porém, pode não ser a melhor das ideias em dias mais quentes, já que as trilhas são longas e exigem um dia inteiro de pedalada. Para isso também existe a alternativa de aluguel de motos e scooters. Para quem desejar mais conforto, mas sem tanta liberdade, também pode optar por usar o transporte público que passa somente pelas principais vias.

O turista também pode usar o serviço de Taxi, no qual o motorista o levará por onde quiser, mas é preciso combinar os valores com antecedência, para evitar um choque na hora de pagar a corrida – caso dinheiro não seja problema, também é possível agendar um tour com agências de turismo locais.

O pôr do sol no rio Irrawaddy

O pôr do sol no rio Irrawaddy
Shimmerx Lyan/Unsplash
O pôr do sol no rio Irrawaddy

Antes era possível escalar os grandes templos para assistir ao pôr do sol em Bagan, no entanto, com o aumento do tráfego de turistas acidentes se tornaram frequentes e a prática foi proibida.

Existem dois tempos ao longo do rio Irrawaddy que não contam com níveis para escalar, sendo muito mais seguros. Para quem sofre com dificuldade de locomoção, ou prefere vistas ribeirinhas, a dica é ir ao Bupaya Pagode e ao Lawkananda Pagode, onde se pode apreciar um belíssimo pôr-do-sol.

Explore o mercado local

O mercado em Myanmar
toozler/Flickr
O mercado em Myanmar

Para quem deseja fazer compras pode visitar as áreas fora da Zona Arquológica de Bagan, também conhecidas como “Nova Bagan”, ao norte da cidade mais antiga de Nyaung-U, próximo ao aeroporto de Bagan.

O Mercado Mani Sithu conta com a presença de moradores locais comprando e vendendo carne fresca e produtos secos. A cidade de Myinkaba, próxima a Bagan, foi um grande centro de produção de laca (louças artesanais) durante séculos. As oficinas atuais usam técnicas bem semelhantes às originais e são bem únicas. Ao contrário de outras peças de artesanato, as cores das lacas ficam mais claras com o passar dos anos, tornando a laca antiga especialmente apreciada por colecionadores.

A culinária local

A culinária local é bem variada, com influência também de outras regiões devido a alta no turismo
bengawanty/Flickr
A culinária local é bem variada, com influência também de outras regiões devido a alta no turismo

Graças ao grande fluxo de visitantes estrangeiros, o cenário alimentício de Bagan se tornou mais acomodado ao longo dos anos. Ao ir de Nova Bagan para Nyaung-U, existem restaurantes que atendem às tradições culinárias não somente birmaneses e chineses, mas também tailandeses, indianas, e até tibetanas e britânicas. A maioria dos restaurantes com uma boa relação custo-benefício pode ser encontrada em Nyaung-U.

Onde se hospedar

Bagan Hotel em Myanmar
Jacques Rollet/Flickr
Bagan Hotel em Myanmar

Em Nyaung-U também está localizada a maior oferta de hotéis a um bom preço. Apesar de ser um pouco mais afastada da região dos templos é, sem dúvida, o melhor local para se hospedar.

Velha Bagan

Região mais próxima aos templos, também mais indicada para quem deseja visitar os antigos portões da velha cidade. Os hotéis da região proporcionam vistas aos grandes templos e podem ficar às margens do rio Ayeyarwady (ou também chamado de Irrawaddy). O custo aqui é um pouco mais elevado, mas proporciona mais opções para o turista.

Nova Bagan

Está ao sul da Velha Bagan, a cerca de 4,6km de distância. É a opção de menor custo entre as três. A cidade foi construída após os anos 1990 e conta com uma arquitetura bem diferente das anteriores.

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