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Igor Galli é considerado a pessoa mais viajada do mundo da sua idade e é colunista do iG Turismo. Nesta semana, ele conta como foi conhecer parte da África Central e ver de perto as desigualdades que existem no mundo

Depois de ter visitado quase todos os países do Oeste Africano, resolvi que era hora de seguir viagem para a África Central. Peguei um voo da Costa do Marfim diretamente para N’Djamena, que é a capital de Chad.

Igor Galli lembra o que viveu em Chad, na parte central da África
Arquivo pessoal
Igor Galli lembra o que viveu em Chad, na parte central da África


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Não vou negar que estava bem apreensivo e com medo de ir para lá, pois sabia que Chad é um dos países mais pobres do mundo e com alto índice de criminalidade. Mesmo assim fui, porque tenho o objetivo de conhecer todos os países do mundo. Será que consigo?

Por causa da precariedade turística da cidade, eu não achei pela internet um hotel bom e barato. Pelo contrário, a hospedagem na África Central costuma ser caríssima se você levar em consideração aquilo que oferecem.

Fazendo amizade

Segui viagem e o voo que peguei chegou ao destino às 22h, ou seja, ainda teria que pegar um táxi e encontrar um hotel. Estava bem preocupado com toda essa situação e por segurança, resolvi fazer amizade.

O viajante recebeu uma carona para chegar em N'Djamena, capital do país
Arquivo pessoal
O viajante recebeu uma carona para chegar em N'Djamena, capital do país


Pedi carona na porta do aeroporto para um homem que estava saindo de um carro, e graças a Deus, ele aceitou meu pedido. Que sorte, né? Falei que estava a procura de hospedagem e ele me levou a um hotel que oferecia o melhor custo-benefício da capital.

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Geralmente durmo em hotéis simples, então estou acostumado a me hospedar em lugares básicos, mas esse foi, sem dúvidas, um dos piores hotéis que fiquei na vida. Paguei 35 euros (aproximadamente R$ 117) pela estadia, porém garanto que não valia nem 10 euros (cerca de R$ 33).

Conhecendo o destino

Foi a primeira vez o homem da carona tinha encontrado com um brasileiro, por isso, estava bem curioso para conversar comigo, tanto que marcamos de encontrar no dia seguinte.

A população desta pequena cidade ficou curiosa com a presença de um turista
Arquivo pessoal
A população desta pequena cidade ficou curiosa com a presença de um turista


Logo de manhã, ele me buscou no hotel e passeou comigo para mostrar a cidade. Ele me levou ao local onde trabalhava e me apresentou os amigos e famliares. Sentia que ele estava feliz de ter um colega estrangeiro.

Próximo destino: Camarões

Mais um dia se passou e o homem me perguntou o que eu queria fazer, respondi que gostaria de ir a Camarões , pois N’Djamena faz fronteira com esse país. Então ele disse: “Sem problemas. Tenho um amigo na fronteira que vai deixar a gente passar sem burocracia”. Dito e feito. Ao chegarmos à fronteira, não demorou 10 minutos, e já estávamos em solo novo.

Passamos o dia inteiro no país, mais exatamente na cidade de Kousseri. A pobreza do local é enorme e chega a impressionar, mas mesmo vivendo naquela situação, eu via a alegria estampada no rosto da população.

Pequena cidade de Kousseri, em Camarões
Arquivo pessoal
Pequena cidade de Kousseri, em Camarões


A viagem para o Chad e Camarões me trouxe vários ensinamentos, foi muito enriquecedor. Eu pude ver de perto a imensa desigualdade social que existe no nosso mundo. Para ver mais histórias do viajante, acompanhe a coluna de Igor Galli  no iG Turismo .