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Igor Galli é considerado a pessoa mais viajada do mundo da sua idade e é colunista do iG Turismo. Nesta semana, ele conta como foi a preparação para escalar o Monte Kinabalu em apenas um dia e sozinho

Viajando pela Ásia, em fevereiro de 2014, cheguei a Ilha de Bornéu, na Malásia. Queria muito conhecer a ilha e escalar o Monte Kinabalu , que possui 4.095 metros de altitude e é considerada a maior montanha do Sudeste Asiático.

Igor Galli conta como foi escalar o Monte Kinabalu em um dia
Arquivo pessoal
Igor Galli conta como foi escalar o Monte Kinabalu em um dia


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Quase todos os turistas a escalam em dois dias, pois passam uma noite em um acampamento não muito distante do local. Bom, sou uma pessoa que ama desafios, então resolvi escalar em apenas um dia, mesmo sabendo que seria muito difícil.

Por causa desse meu jeito se ser, já passei por muitas desventuras na vida, mas é claro que todas elas me levaram a um crescimento tanto intelectual como físico, por isso, gosto sempre de explorar meus limites.

Preparação

Para que tudo desse certo, foi necessário pensar em algumas coisas. Não levei mochila pesada , fui apenas com uma pequena que cabia o necessário, ou seja, comida. Também fiquei com medo da roupa atrapalhar, então escolhei uma bermuda e uma blusa leve.

Achei melhor também não levar agasalho. Pensei que quando chegasse ao topo, o corpo estaria quente por causa da caminhada e o sol estaria escaldante então, não passaria frio. 

Monte Kinabalu é o maior do Sudeste Asiático
Arquivo pessoal
Monte Kinabalu é o maior do Sudeste Asiático


Começando o percurso

Cheguei às 6h30 da manhã ao pé da montanha, a 1.800 metros de altitude. Sabia que seria necessário subir 2.295 metros e descer no mesmo dia, então por volta das 7h da manhã comecei a "missão" rumo ao topo. Eu tive que correr contra o tempo, pois era necessário estar no pico até às 13h, se não seria obrigado a desisir da aventura e descer.

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Quem entende de montanhismo sabe que é bem puxado fazer todo esse desnível de subida e descida num só dia, ainda mais sabendo que o parque fechava às 16h, portanto só tinha cerca de nove horas para cumprir todo o trajeto. Para dar tempo, não podia caminhar, tive que ir trotando na subida e correndo na descida.

Saudade da blusa de frio

Infelizmente tive um contratempo. Peguei chuva, frio e neblina da metade do percurso para frente. Estava com muito frio. Meus lábios e dedos estavam roxos e eu não podia parar nem por um minuto, pois meu corpo precisava permanecer aquecido. Como queria ter levado uma blusa de frio! A ideia de desistir passava pela minha cabeça, mas a vontade de superar o desafio foi maior.

O viajante teve pouco tempo para desfrutar da visão do topo da montanha
Arquivo pessoal
O viajante teve pouco tempo para desfrutar da visão do topo da montanha


Finalmente cheguei ao topo às 12h50. Só tive tempo de tirar uma foto e olhar a paisagem toda coberta de uma densa neblina e já comecei a me preparar para a descer.

Descendo com cuidado

A volta não foi fácil, já que próximo ao cume (parte mais elevada) é necessário descer por cordas. A questão era: as pedras estavam molhadas por causa da chuva e eu não estava sentindo meus dedos por causa do frio. Qualquer erro, eu poderia cair e fraturar um osso ou até mesmo morrer.

Graças a Deus consegui passar por todos os desafios e cheguei ao portão da saída às 15h30, faltando apenas 30 minutos para o parque fechar. Pelo esforço físico que realizei, passei os próximos três dias mancando das duas pernas.

Sei que não era necessário escalar em um dia, mas quis encarar esse desafio e no final tudo deu certo. Hoje, olho para traz e sinto que todo sacrifício realizado nessa montanha valeu a pena, lembrando dessa história me sinto mais forte e confiante. Para ver mais histórias do viajante, acompanhe a coluna de Igor Galli .