Igor Galli é considerado a pessoa mais viajada do mundo da sua idade e é colunista do iG Turismo. Nesta semana, ele conta como foi viajar por horas de carro de Bissau, na Guiné Bissau, a Dakar, no Senegal

Em novembro de 2014, resolvi me aventurar em países que são pouco visitados pelos turistas que vão à África Ocidental. De todos os trajetos que já percorri por terra, o que mais me marcou e sempre ficará em minha memória foi a ida de táxi de Bissau, capital de Guiné Bissau em que o idioma falado é o português, até Dakar, capital do Senegal.

Igor fala como foi viajar de táxi da Guinea Bissau ao Senegal
Arquivo pessoal
Igor fala como foi viajar de táxi da Guinea Bissau ao Senegal


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A rota é bem complicada. Foram necessárias 17 horas de estrada, com várias conexões de táxis compartilhados, incluindo um barco. O táxi  lá era para oitos pessoas, ou seja, era bem apertado, principalmente para quem viajava nos bancos de traz.

O único assento que cabia uma pessoa com os padrões de conforto de um país ocidental era o do copiloto . Sempre fazia questão de pagar mais para ir sentado nesse lugar, é horrível ir espremido nas fileiras dos bancos de traz.

Començando o trajeto

Peguei um táxi às 6h em Bissau e fui até Ziguinchor , no sul do Senegal . Troquei de carro e fui até Banjul, que é a capital do país Gâmbia . Cruzei o rio de balsa que leva em torno de uma hora e do outro lado peguei meu último transporte para chegar a Dakar .

Dakar é a capital do Senegal
Arquivo pessoal
Dakar é a capital do Senegal


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O relógio já marcava 20h e estava exausto. Além de ter passado o dia todo no sol, em carros lotados com música alta misturada com choro de criança e sem ar condicionado, ainda parei em três fronteiras africanas nas quais não são fáceis de passar sendo turista.  Se você não subornar os policiais, você não passa na imigração. Como não sou a favor de suborno, foi tudo burocrático e trabalhoso.

Problemas com o motorista 

As estradas não são boas e é difícil o turista passar pelas fronteiras sem suborno
Arquivo pessoal
As estradas não são boas e é difícil o turista passar pelas fronteiras sem suborno


Continuei a viagem e de repente o carro que estava foi parado em uma blitz rodoviária e, ironicamente, o motorista não tinha carteira de motorista . É uma situação incabível, afinal de contas a profissão dele é dirigir. Como um profissional de um táxi interestadual está dirigindo sem possuir uma habilitação?

Bem, o motorista ficou detido pelos policiais, mas e agora, quem iria dirigir o carro? Fizeram uma ronda entre os passageiros e descobriram que ninguém possuía habilitação para conduzir o veículo.

Os oficiais falavam em francês e eu estava entendendo tudo, mesmo eles tendo um forte sotaque. Então, eu disse em francês: “Eu posso dirigir”. Na mesma hora todos olharam assustados para mim e muitos diziam: “Não, não. Um branco não pode”.

Assumindo o volante 

As estradas no Senegal são cheias e muitos complicadas de dirigir
Arquivo pessoal
As estradas no Senegal são cheias e muitos complicadas de dirigir


Eles achavam que um homem branco nunca conseguiria dirigir no caos que são as estradas do Senegal . Expliquei que sou brasileiro e que já tinha dirigido no Marrocos, Tailândia, Vietnã e vários outros países. Eles acabaram deixando, mas uma senhora preferiu não entrar no carro e ficar a noite com os policiais na estrada, por achar que podia morrer por eu estar dirigido.

Assumi o volante e percebi no trajeto que as pessoas nas ruas e nos outros carros ficaram espantadas e até tiraram fotos daquela situação: um cara branco dirigindo um táxi no Senegal cheio de passageiros.  Foi uma aventura incrível e hilária. Para ver mais histórias do viajante, acompanhe a coluna de Igor Galli

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