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Igor Galli é considerado a pessoa mais viajada do mundo da sua idade e é colunista do iG Turismo. Nesta semana, ele relata como foi pedalar pela estrada que é considerada a mais perigosa do mundo

Em outubro de 2012, desembarquei em La Paz, na Bolívia. Chegando ao hostel, já fui logo me informar sobre o tour de bicicleta pela Estrada da Morte, já que essa foi a principal razão que me levou à capital boliviana. O tour começou em La Paz, todo o percurso durou cerca de 11 horas e o preço foi de 80 euros (aproximadamente R$ 263).

Igor Galli conta como foi pedalar na estrada da morte, na Bolívia
Arquivo pessoal
Igor Galli conta como foi pedalar na estrada da morte, na Bolívia


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A estrada é conhecida por ser a mais perigosa do mundo e muitas pessoas já morreram tentando cruzá-la. São 65 km de um caminho de terra, com três metros de largura, ligando o altiplano boliviano, em La Paz, até a cidade de Coroico, na parte que pertence à floresta Amazônica.

Começando a aventura

No dia seguinte ao que cheguei, uma van veio buscar o meu grupo. Era bem cedo, fomos até o início do percurso que era um pouco longe. Estava animado, mesmo sabendo que no final do trajeto a altitude chega a 1.200 metros, sendo 3.600 metros de desnível de descida.

Começamos a descer o desfiladeiro às 9h (horário local). Rapidamente percebi que há pouquíssimas partes planas no percurso, praticamente durante todo o percurso de bicicleta tive que usar apenas o freio.

Ele realizou o percurso com um grupo que não era experiente
Arquivo pessoal
Ele realizou o percurso com um grupo que não era experiente


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O guia explicou que todo ano em torno de três turistas morrem nessa aventura, por isso nos aconselhou a não pedalar muito rápido. A mistura de estrada de chão, curva acentuada , neblina, velocidade e precipício literalmente não combinam.

Trejeto perigoso 

É comum ver nas curvas dos penhascos várias cruzes que foram fincadas no decorrer dos anos. Tenho que confessar: quando a descida começou, meu coração estava batendo a mil e até a metade do trajeto ainda estava meio tenso.

Vários grupos descem todos os dias, então é comum ver ciclistas passando por você a toda velocidade. Eu pensava comigo mesmo que qualquer errinho ou uma derrapada no cascalho seriam o fim.

O trajeto é perigoso e é possível ver cruzes fincadas na terra em homenagens aos mortos
Arquivo pessoal
O trajeto é perigoso e é possível ver cruzes fincadas na terra em homenagens aos mortos


Fui ao meu limite (40km/h) e mesmo não sendo rápido, foi considerado acima da média das outras pessoas do grupo. Nesse dia, não houve nenhuma fatalidade e meu grupo chegou são e salvo ao vale (Ufa!).

Como recompensa, no final do tour fomos a um hotel fazenda e passamos o resto da tarde nos refrescando na piscina. Recomendo o tour a todos os viajantes que são amantes (ou não) de adrenalina. Se você for devagar, o trajeto é tranquilo. Vale a pena se aventurar! Depois, você poderá dizer que já pedalou na estrada mais perigosa do mundo. Para ver mais histórias do viajante, acompanhe a coluna de Igor Galli .