arque Estadual Pico Paraná -  Campina Grande do Sul (PR)
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arque Estadual Pico Paraná - Campina Grande do Sul (PR)

O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz no Pico Paraná (PP) no último réveillon expôs a realidade de abandono e falta de estrutura em uma das áreas mais icônicas da Serra do Mar, um lugar sagrado para o montanhismo. Não há manejo adequado de trilhas nem sinalização apropriada.

Para montanhistas veteranos, a situação não é nova. No passado, o PP, como chamamos a montanha mais alta do Sul do Brasil, recebia um público menor e majoritariamente experiente, que respeitava a cultura montanhista. Hoje, atrai todo tipo de público, incluindo muitos novatos com pouco conhecimento.

O aumento da visitação é notável: as unidades de conservação estaduais registraram quase 600 mil visitantes em 2025, um aumento de 12%. Contudo, esse número pode estar subestimado, já que a maioria dos parques carece de estrutura para a contagem e possui acessos alternativos, como é o caso do Pico Paraná.

O Instituto Água e Terra (IAT), órgão gestor, tem intensificado a fiscalização contra acessos irregulares. Recentemente, 15 pessoas foram multadas por usar uma trilha não oficial, e uma propriedade privada foi penalizada por permitir um caminho alternativo. Essas medidas só foram possíveis após a publicação de um Plano Emergencial de Uso Público, que veio com considerável atraso.

O Parque Estadual do Pico Paraná (PEPP), criado em 2002 a partir do mapeamento de terras devolutas, tem sido palco de conflitos crescentes devido ao aumento da visitação. Problemas como cobrança indevida por proprietários, camping desorganizado, acúmulo de lixo, má gestão de dejetos e comportamentos inadequados se manifestaram. Tais desafios revelam a ausência de fiscalização e gestão efetiva por parte do IAT, cuja presença histórica se limitava a um trailer de cadastro na base, com infraestrutura inexistente (trilhas erodidas, falta de locais de camping planejados e ausência de banheiros).O Plano Emergencial: Criou um regramento e prometeu uma estrutura mínima, mas os montanhistas que historicamente frequentam o lccal, como eu, somos céticos.

Principais Medidas do Plano Emergencial:

 - Infraestrutura e Segurança: Correção de erosão e substituição de cordas fixas por escadas-grampo de ferro em pontos críticos, para proteção da vegetação e melhor progressão.
- Ordenamento do Uso e Acampamento: Fechamento de todas as clareiras no cume para pernoite (destinadas a contemplação e recuperação ambiental). O acampamento fica restrito aos locais autorizados (Abrigo 1 e Abrigo 2), exigindo reserva antecipada e seguindo o Número Balizador de Visitação (NBV).
- Sinalização e Educação: Modernização da sinalização (cor branca para fitas confirmatórias e inclusão de refletivas para orientação noturna) e instalação de placas educativas, alertando sobre a fragilidade do ecossistema e a obrigatoriedade do uso de kits dejetos.
- Controle de Acesso: Manutenção do cadastro obrigatório na Base IAT para controle de fluxo e suporte em emergências.

No entanto, após quase meio ano de sua implementação, a única ação visível com o início da temporada de montanha tem sido: Multar os visitantes!

O PEPP, prestes a completar 25 anos, opera sem um Plano de Manejo e sem infraestrutura. Isso configura descaso, especialmente considerando que um projeto detalhado de recuperação da trilha, elaborado em 2010 por Marcelo Brotto e Rafael Völtz, que propunha correções contra a erosão, segue engavetado, provavelmente desconhecido pela atual gestão do IAT.

Neste cenário de omissão, as multas recentes, embora aplicadas a infratores, geram um mal-estar. A postura punitiva de um órgão que historicamente negligencia seu dever de gerir o parque levanta sérios questionamentos sobre suas prioridades.

Há também uma preocupação prática: a falta de informações sobre a aplicação do plano emergencial (locais de acampamento e procedimentos - afinal, como e aonde se faz a reserva antecipada de camping?). A proibição de inúmeros locais de pernoite. Sem a delimitação dos espaços para barracas, a exclusão de usuários que chegam depois, forçados a abrir novas clareiras, é um risco real. E, pela lógica, o multado é o excluído, e não aquele que ocupa espaço em excesso.

Por fim, manifesto minha profunda decepção com a gestão na região que considero o meu "quintal". Mesmo sendo guia de montanha em várias partes do mundo, evito as montanhas que observo da janela de casa, pois a experiência local frequentemente me frustra. Ao invés de trilhas, caminhamos no meio da erosão, ao invés de refúgios, corremos o risco de não ter onde montar barracas e ao invés de uma boa experiência corremos o risco de voltar com uma multa ambiental.

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