
Em 1965, as irmãs Roselyn Atkins e Evelyn Atkins decidiram comprar Looe Island, também conhecida como a Ilha de São Jorge na costa da Cornualha, um condado da Inglaterra. Ter uma ilha era um sonho para as duas irmãs que conseguiram arrematar o terreno de aproximadamente 9 hectares por 22 mil libras . Roselyn tinha 55 anos quando conseguiu a oportunidade de adquirir a propriedade enquanto Evelyn ainda trabalhava.
A Ilha era extensa, com bosques, pradarias marítimas e costas rochosas . No início, a vida na ilha se transformou em um experimento de vida isolada. As irmãs compraram o local, mas não se mudaram imediatamente. Evelyn manteve o seu trabalho no continente e passava os finais de semana e período de férias na ilha. Durante os primeiros 11 anos foi assim que conseguiram viver no local.
Após comprar Looe, Roselyn começou a cultivar narcisos e dedicou parte do tempo para construir a estrutura da casa onde morariam. Somente em 1976, com a aposentadoria de Evelyn, as duas viveram na ilha em tempo integral. As irmãs Atkins passaram 40 anos na dedicação da conservação e preservação ambiental da Ilha Looe.
Foi essa transição gradual que permitiu que as duas estabelecessem toda a infraestrutura necessária antes de se comprometerem com a vida isolada. Após o falecimento das duas irmãs, a ilha passou para a tutela de Corwall Wildlife Trust, garantindo a conservação permanente da fauna e flora silvestre. O medo das duas é que o terreno ficasse para pessoas que fossem transformar a ilha em empreendimento imobiliário.
Memórias documentadas
Durante a vida em Looe, Evelyn registrou as experiências singulares da vida isolada em duas obras literárias. A primeira se chama: "We Bought an Island", "Compramos uma ilha", em tradução livre que publicada em 1976. Em seguida, ela laçou outra publicação intitulada como "Tales From our Cornish Island", ou "Contos da Nossa Ilha da Cornualha" de 1986.
Juntos com os arquivos locais, essas memórias construíram uma crônica única da construção da ilha desde meados do século XX. Os relatos preservam o período fundamental antes da ilha se tornar uma reserva ambiental.
Antes das irmãs Atkins
A ilha tem uma história que veio antes das irmãs Atkins. Segundo conta o instituto Cornwall Heritage Trust a ilha chegou a ser um assentamento paleocristão e havia uma capela medieval dedicada a São Miguel. Achados arqueológicos na ilha indicam que houve atividade humana nos arredores do território por séculos . Depois de um longo período, a ilha foi associada ao contrabando antes de passar por períodos de propriedade privada. A combinação natural entre bosques, pradarias, litoral e sítios históricos fazia da área mais do que uma simples propriedade privada.
A herança das irmãs
Roselyn faleceu em 1997 e Evelyn ficou como a única residente. Ela manteve a casa onde as duas moraram sozinha até 2004. Como ela sabia que não conseguiria proteger o ecossistema da ilha sozinha para sempre, Evelyn formalizou um testamento deixando as terras de Loe Island para o Cornwall Wild Life Trust. Dessa forma, Evelyn conseguiu que a paisagem fosse alterada dando lugar a empreendimentos imobiliários. Desde 2004, a instituição administra o local como reserva natural marinha com acesso restrito e viagens programadas.
Colônia de Gaivotas
O trabalha de conservação da ilha alterou o meio ambiente. Atualmente, a Ilha Looe abriga a maior colônia de reprodução de Gaivotas-de-dorso-preto de toda a Cornualha . A fauna local também é composta por Cormorões, espécie de ave aquática e aves costeiras.

Desde 2010, cerca de 700 gaivotas foram marcadas na ilha . O trabalho faz com que os pesquisadores compreendam melhor os hábitos da espécie. Como anilhamento de aves mais jovens, é possível rastreá-las até a região noroeste da Espanha.
Base científica para pesquisas climáticas
A ilha foi utilizada como base estratégica de pesquisadores do Wild Life Trust em 2024. Por duas décadas, pesquisas sobre o comportamento das espécies registraram as mudanças na distribuição dos animais. O estudo também monitora o avanço de variedades invasoras no contexto das variações climáticas.
Essa função do território não seria possível se as irmãs Atkins não tivessem iniciado de alguma forma. Atualmente, a reserva é um grande laboratório natural para entender as transformações ecológicas ao longo dos anos.
Como visitar a Ilha de Looe
Como o local é uma área de proteção ambiental, as visitas só são feitas com excursões oficiais organizadas. Não é permitido desembarque ou acesso a ilha por qualquer outro meio a não ser de barco e autorizado. Os administradores proíbem desembarque de barcos, caiaques, stand-up paddle, nadadores, praticantes de snorkeling e mergulhadores. Pescar e levar cães também não é permitido assim como o uso de câmeras e drones também não pode.
Os passeios devem ser reservados pelo site: www.cornwallwildlifetrust.org.uk/explore/visit-looe-island . Há opões de passeios de um dia ou até mais dias em uma estadia combinada com os administradores da ilha. A passagem, reservas e taxas são acertadas pelo número: 07974 293 495 ou por e-mail, através do seguinte endereço: looeisland@cornwallwildlifetrust.org.uk.