
A China ainda é um destino que assusta um pouco antes de embarcar, principalmente porque muita coisa que a gente está acostumado a usar no dia a dia simplesmente não funciona por lá. Mas com um pouco de organização antes da viagem, isso deixa de ser um problema. Reuni aqui tudo que considero essencial, do documento mais básico até os aplicativos que praticamente substituem carteira e Google Maps enquanto você está no país.
Passaporte e visto
O primeiro cuidado é óbvio, mas nunca custa reforçar: passaporte com validade em dia. Atualmente, o brasileiro que viaja a turismo pode entrar na China sem visto para estadias de até 30 dias. Mesmo assim, vale sempre conferir as regras atualizadas antes de comprar a passagem, porque exigências de entrada mudam com frequência.
Certificado de febre amarela
Quem sai do Brasil precisa do Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela, e não apenas do comprovante comum da vacina. Verifique a emissão desse certificado com antecedência, porque ele pode ser solicitado na chegada.
Arrival Card
A China exige o preenchimento de um formulário de entrada, o chamado Arrival Card. Hoje já é possível preencher tudo online antes mesmo de embarcar, direto no site oficial da imigração chinesa: https://s.nia.gov.cn/ArrivalCardFillingPC/
. Minha recomendação é fazer isso com calma em casa, para chegar com uma etapa a menos e evitar filas no aeroporto. Um alerta importante: o preenchimento é gratuito, então desconfie de qualquer site que cobre taxa por esse serviço, só o canal oficial da imigração deve ser usado.
Internet e aplicativos bloqueados
Essa é a parte que mais pega os viajantes de surpresa. Na China, praticamente todos os aplicativos que usamos no dia a dia no Brasil ficam bloqueados ou com acesso limitado, incluindo Google, Instagram, Facebook e YouTube. Por isso, recomendo comprar antes da viagem um chip ou eSIM internacional que permita acessar esses serviços normalmente. Existem chips cujo tráfego passa por fora da rede chinesa e que dispensam a contratação separada de uma VPN, mas vale pesquisar bem antes de comprar, porque um chip local qualquer não resolve esse problema.
Alipay e WeChat
Antes de embarcar, baixe os dois aplicativos, Alipay e WeChat. Eles são fundamentais principalmente para pagamentos, já que na China o QR Code faz parte da rotina de qualquer compra.
Aqui vai um ponto que considero importante deixar bem claro: na China, você não consegue simplesmente passar o cartão físico na maioria dos estabelecimentos. O pagamento por lá funciona basicamente através desses aplicativos. Você cadastra seus cartões internacionais, seja débito, multimoeda ou crédito, dentro do Alipay ou do WeChat, e todos os pagamentos passam por ali, seja abrindo seu próprio QR Code para o comerciante escanear, seja escaneando o QR Code do estabelecimento. Vale lembrar que esses aplicativos costumam cobrar uma taxa de cerca de 3% em cada compra feita com cartão internacional cadastrado.
E aqui vai uma observação de quem está literalmente em viagem agora com um grupo: vale muito a pena ter os dois aplicativos ativos e funcionando, não só instalados. Em algum momento um deles pode apresentar instabilidade, e é o outro que garante que você continue pagando normalmente. Como esses são praticamente os únicos meios de pagamento aceitos no dia a dia chinês, essa redundância faz toda a diferença.
DiDi
Como boa parte dos aplicativos que usamos no Brasil é bloqueada na China, o país tem seus próprios substitutos, e o DiDi é um dos principais. Ele é o equivalente ao Uber por lá, já que o Uber não opera na China. Você define o destino, chama o carro e acompanha tudo pelo aplicativo. Ele aparece integrado dentro do Alipay, mas prefiro ter o aplicativo instalado separadamente, seguindo a mesma lógica de sempre ter um plano B: se algo falhar em um, o outro resolve.
Amap
Outro aplicativo essencial é o Amap, que substitui o Google Maps por lá. O Google Maps até traça rota na China, mas não mostra informações de trânsito em tempo real, o que faz toda a diferença numa cidade grande. O Amap é o aplicativo de mapas usado localmente e funciona muito melhor para esse tipo de informação.
Reservas offline
Deixe salvos no celular, de preferência disponíveis mesmo sem internet, a confirmação do hotel, o endereço da hospedagem e a passagem de saída da China. Na imigração é comum perguntarem onde você vai ficar e quando pretende deixar o país, então é melhor ter tudo isso à mão sem depender da conexão naquele momento.
Dica do Vitor
Organizando passaporte, certificado de febre amarela, Arrival Card, internet, Alipay, WeChat, DiDi, Amap e reservas offline antes de embarcar, sua chegada à China fica muito mais tranquila. O maior choque para a maioria dos viajantes não é o idioma, é perceber que praticamente tudo por lá, pagar, pedir carro, se localizar, passa pelo celular. Vem preparado, porque isso evita boa parte do perrengue nos primeiros dias de viagem.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG