
O Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém do Pará foram reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco. Antes da Região Norte do Brasil se tornar símbolo da biodiversidade, a Amazônia viveu um período de riqueza tão abundante que as autoridades políticas da época construíram os dois teatros mais sofisticados que o continente poderia ter.
Foi durante o Ciclo da Borracha, na segunda metade do século 19 que a demanda internacional pelo latex transformou a Amazônia em um dos principais produtores da matéria prima no mundo. Como forma de aproximar as duas maiores cidades dos centros culturais europeus, governadores e empresários da época investiram na construção dos maiores teatros da região até hoje.
Um pouco de História e atualidade
Os dois teatros foram construídos entre 1879 e 1912, época considerada a "Era de Ouro da Amazônia". Ambos são o reflexo de um período de transformações urbanas na região com grandes construções públicas e uma economia prospera.
Uma das riquezas arquitetônicas do Amazonas
O Teatro Amazonas foi inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896 e encanta pela imponência. O prédio preserva a arquitetura no estilo renascentista e com detalhes diversos. Na área externa está a famosa cúpula composta por 36 mil azulejos importados da Alsácia, na França e tem as cores da bandeira do Brasil.
Uma das características dessa construção é que a maior parte do material foi importada da Europa. Por exemplo, as paredes de aço Glasgow vieram da Escócia, os 198 lustres, o mármore carrara das escadas e das colunas vieram da Itália e cada pedacinho de uma parte do mundo em uma época em que o estado do Amazonas era o mais rico do Brasil.
O salão de espetáculos é composto pela plateia e três pavimentos de camarotes. Ao todo o teatro Amazonas tem capacidade para 684 pessoas. Outro detalhes que chama a atenção são as telas do teto côncavo. As quatro artes foram pintadas em Paris pela tradicional Casa Carpezot. Elas representam elementos como a música, dança, tragédia e ópera.
No centro do espaço há um lustre de bronze francês e as colunas da plateia foram decoradas com máscaras que homenageiam compositores de dramaturgos como Aristophanes, Molière, Rossini, Mozart e Verdi. Outra raridade é o Pano de Boca do Teatro Amazonas, aquele pano que cobre as cortinas do palco como se estivessem fechando o espaço de espetáculo. Esse pano foi confeccionado em 1894, pelo artista brasileiro Crispim do Amaral e tem um desenho que representa o encontro dos dois rios: Negro e Solimões.
Além dos detalhes na arquitetura e composição do interior, o teatro tem um museu com peças e maquetes que ajudam o visitante a entender mais a história da construção do espaço. São ao todo, oito obras que ficam expostas no segundo pavimento do prédio.
O monumento mais antigo do Pará
O Theatro da Paz foi fundado no dia 15 de fevereiro de 1878 também durante o período áureo do "Ciclo da Borracha". Nesta época, Belém era considerada a capital da borracha e as autoridades da época queriam que a cidade tivesse um teatro de grande porte que fosse capaz de receber espetáculos de óperas europeias.
O governador da época contratou o engenheiro militar 15 de fevereiro de 1878 que iniciou o projeto arquitetônico nspirado no Teatro Scala de Milão, na Itália. O Theatro da Paz foi a primeira casa de espetáculos construída na Amazonia. Com características luxuosas como os lustres de cristal, piso em mosaico de madeiras nobres, afrescos nas paredes e teto, dezenas de obras de arte, gradis e outros elementos decorativos revestidos com folhas de ouro, além da acústica perfeita do ambiente.
Segundo a organização do local, há 148 anos é o maior teatro da Região Norte e considerado um dos maiores do país. O modelo original da fachada do museu foi inaugurado com 7 colunas e 6 entradas. No entanto, após uma reforma realizada em 1905, o frontão foi recuado, retiraram uma coluna e uma entrada e para decorar, colocaram medalhões de musas que representam as artes cênicas como a comédia, poesia, música e tragédia com o brasão do estado do Pará no centro.
Os matérias da decoração também foram importados da Europa como os arcos das porta do hall de entrada feitos de ferro fundido inglês, a escadaria em mármore italiano; o lustre francês; bustos dos escritores brasileiros José de Alencar e Gonçalves Dias em mármore de carrara e as estátuas em bronze francês e o piso com pedras portuguesas que formam um mosaico. Segundo historiadores, as pedras foram coladas com grude do gurijuba, um peixe da região. Nas paredes e no teto há representações de artes gregas.
Durante a reforma o corredor e as frisas sofreram alterações. a porta principal de acesso ao salão de espetáculos foi fechada com um espelho pois a acústica do ambiente era prejudicada. Nas laterais do espelho foram colocadas duas estátuas de pedra francesa com uma placa de ferro esmaltado avisando que é proibido fumar no ambiente. O piso é todo feito de madeiras regionais como o acapú e pau amarelo.
A sala de espetáculos original tinha capacidade para 1100 lugares. Atualmente o local comporta 880. A cadeiras são de madeira e palhinha por causa do clima da região. A balaustrada é de ferro inglês folheado a ouro com um afresco no teto central com uma representação do deus Apolo conduzindo a deusa Afrodite e as musas das artes à Amazônia. No centro do teto um lustre em bronze americano foi adaptado. Originalmente havia um grande ventilador que ajudava amenizar o calor. As paredes tem pinturas com flores que imitam um papel de parede.
O título mundial
As duas construções são marcos da riqueza cultural e arquitetônica da região amazônica e do Brasil. O reconhecimento foi comunicado pela Unesco na segunda-feira (27) após o Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO aprovar a da candidatura conjunta dos dois edifícios. O reconhecimento faz dos dois teatros o primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.
A partir de agora, os dois teatros passam a integrar a lista de patrimônios mundiais sob a designação "Teatros das Amazônia". A proposta foi coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e também teve a colaboração das Secretaruas de Cultura de ambos os estados.
Como visitar o local
A visita aos dois prédios é guiada. O Teatro Amazonas está aberto a visitação de terça - feira a sábado, das 09h às 17h e aos domingos e feriados das 09h às 13h. O ingresso custa R$ 20,00 o valor inteiro e R$ 10,00 a meia entrada. Amazonenses com comprovante comprovarem não pagam para entrar. O Teatro Amazonas fica na Avenida Eduardo Ribeiro, número 659, Centro de Manaus.
O Theatro da Paz está localizado na Praça da República, na esquina da Rua da Paz com a Avenida. As visitas tem duração de 45 minutos e acontecem de terça a sexta-feira, das 09h às 12h e 14h às 17h. Aos sábados e domingos é de 09h às 12h.
Para grupos acima de 6 pessoas, é necessário fazer o agendamento prévio através do e-mail: [email protected]. Os ingressos são vendidos na bilheteria do teatro e custam R$ 10,00 a inteira e R$ 5,00 a meia entrada.















