
Para encontrar uma cidade com castelo, jardins planejados e tradição com águas termais não é necessário ir muito longe. Em Minas Gerais, Araxá oferece todas essas atrações em uma única viagem. Localizada a 360 km de Belo Horizonte, próximo a uma cratera de águas radioativas no Complexo do Barreiro que o ex-presidente Getúlio Vargas e o governador da época, Benedito Valadares ergueram um dos hotéis mais bonitos do Brasil.
O local é um castelo em estilo neoclássico com jardins projetados por Roberto Burle Marx e Oscar Niemeyer. O local ainda tem as termas que atraia a visita da alta sociedade da época.

A aldeia dos índios Araxás
O território onde fica Araxá foi habitado por indígenas Cataguás, da tribo Catu-Auá. Eles migraram para a região e formaram a tribo Araxá. De acordo com a Secretaria de Estado de Minas Gerais, essa tribo foi vencida em 1766 pelo mestre-de-campo Inácio Correia Pamplona durante uma batalha pela fixação portuguesa.
Após muitas batalhas, o local se tornou Vila em 4 de abril de 1831 e mais tarde, no dia 19 de dezembro de 1865, se tornou cidade. Foi na primeira metade do século XIX que Ana Jacinta de São José se tornou a figura mais emblemática da região.
Conhecida como Dona Beja ela exerceu muita influência sobre a alta sociedade da região. Sua história virou livro, novela e até filme, além de ter dado nome a uma fonte de águas medicinais do município.
O castelo termal
O Grande Hotel Termas de Araxá começou a ser construído em 1938 a pedido de Getúlio Vargas e Benedito Valadares. O projeto foi assinado pelo arquiteto Luiz Signorelli, além da participação dos paisagistas famosos.
Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) o Complexo Hidrotermal e Hoteleiro do Barreiro é tombado pela constituição do estado desde 1989. O interior do local tem a Fonte Andrade Júnior, construída por Francisco Bologna em 1947.

A inauguração aconteceu em 1944. Por dentro, a arquitetura mistura o neoclássico com o art déco em 33 mil metros quadrados em uma propriedade de 400 mil metros quadrados. O local também foi um cassino até 1946, mas depois os jogos de azar foram proibidos. Algumas personalidades passaram por lá como a Seleção Brasileira em 1950 e em 1958.
A geologia do local
O Complexo do Barreiro fica sobre uma cratera vulcânica formada a milhões de anos. Logo, a riqueza mineral do subsolo vem dessa formação geológica. Segundo a Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB), a Fonte Dona Beja tem a água mais radioativa do país. As propriedades são conhecidas desde o século XIX. Já a água da Fonte Andrade Júnior tem o ph alcalino-sulfuroso, mais indicado para tratamentos de pele e problemas digestivos.

Nas Termas do Barreiro o visitante pode tomar banhos medicinais, para tratamentos de estéticos, aromaterapias, cromoterapias, duchas escocesas e saunas. Há um edifício integrado ao Grande Hotel que oferece todos esses tratamentos.
A cratera também esconde a maior mina de nióbio em operação do planeta que é processado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e usado por todo o mundo. O local foi descoberto em 1953.
Araxá além das termas
A cidade tem um núcleo histórico cheio de casarões. A maior parte das atrações têm entrada gratuita, então, é só visitar. Um dos pontos de destaque é o Museu Dona Beja um casarão tombado desde 1990, mas data do século XIX e foi inaugurado como Museu em 1965.

O Museu Calmon Barreto tem 257 obras do artistas locais com telas com aquarelas, desenhos e esculturas. O Parque do Crito é outro local que vale visitar. É um mirante com 3 lunetas com vista para a cidade e para o entardecer.

Os visitantes também podem conhecer mais da cidade indo ao Cine Teatro Brasil ou Casa do Poeta onde está a Biblioteca Municipal Viriato Corrêa, a Estação Ferroviária do Distrito de Itaipu e Cachoeira São João, próximo ao centro da cidade. Todos os prédios são históricos e tombados com artefatos de época e contam como se deu a formação da cidade.
Como chegar
A melhor época do ano para visitar Araxá é durante o inverno. Para chegar ao município é possível ir de carro. A partir de Belo Horizonte são 360 km com acesso feito pela BR-262 e BR-146 por aproximadamente 5 horas.
Para ir de avião, o viajante deverá desembarcar no Aeroporto Romeu Zema que recebe voos diretos da Azul a partir de Confins. De lá até o Complexo do Barreiro são 5 km de distância.