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Paulista percorreu 25 mil km entre 13 países da América do Sul e Central. Ele dá dicas de economia em hospedagem, comida e melhores câmbios

O período pós-demissão pode ser nebuloso para alguns e inspirador para outros. No caso do paulista Luís Antônio, de 26 anos de idade, o desemprego deu a ele a oportunidade de realizar uma cicloviagem.

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Arquivo pessoal
Luís Antônio levou três anos e meio para atravessar o trecho de São Paulo (Brasil) ao México em sua cicloviagem

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Formado em Design, Luís juntou o dinheiro que pegou de sua rescisão contratual, por volta de R$ 15 mil, e decidiu que embarcaria numa cicloviagem pela América Latina. A aventura teve início em 2016.

“[Viajar de bicicleta] É uma maneira ecológica e também um passo muito humano. Numa velocidade aonde você vai percorrendo 70 a 100 km diários, você tem que conhecer os povoados, né?”, disse ele em entrevista exclusiva ao iG Turismo.

Três anos e meio depois de sair de São Paulo, Luís chegou ao México no mês de maio, seu principal objetivo quando começou a viagem. Nesse meio tempo ele percorreu 25.000 km passando por oito estados do Brasil e 13 países da América do Sul e América Central e tem dicas fundamentais para quem pensa num mochilão dessa magnitude.

Planejamento e dinheiro no bolso

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Arquivo pessoal
Luís Antônio da Cunha está com 25 anos e pretende chegar ao Alasca em sua próxima etapa da cicloviagem

O principal de qualquer viagem é o planejamento. Para Luís a busca por histórias passadas ajudou. “Eu procurei vários blogs de cicloviagem e vi umas pessoas que conseguiram viajar com 100 dólares mensais. Entrei em contato com uma galera de Curitiba e do sul do Brasil e fui me planejando”, explica.

“Eu ansiava por uma independência e vi que em São Paulo estava gastando mais do que 100 dólares por mês, então peguei a compensação [da demissão] e fui viajar”.

Segundo ele, o planejamento se baseou em gastar 2.500 dólares por ano (100 a 200 dólares por mês) e chegar ao México em dois anos. “Mas quando eu cheguei ao Sul do Brasil percebi que a minha fonte de renda não viria da minha economia e sim da minha fonte de trabalho”, relembra.

Hospedagem e comida

E foi com o trabalho que ele conseguiu hospedagem e comida pelos povoados que passou. “Eu imprimo fotos dos lugares que eu passo e faço imã de geladeira, canecas, adesivo e até camisetas, além de fazer trabalho voluntário nos povoados”.

A bicicleta de Luís carrega 40 kg entre comida, roupa e acessórios. A ideia dele é ‘quanto mais faz, menos gasta’, por isso ele mesmo cozinha a própria comida, lava a própria roupa e troca hospedagem por trabalhos de 3 a 4 horas por dia nos lugares. O que é uma forma muito democrática de viajar.

Países mais econômicos

De todos os países pelos quais passou, Luís aponta como os mais econômicos em questão de comida e serviços a Bolívia, Peru, Colômbia e o México. Porém, ele lembra que todos os países tem seu custo dependendo do estilo de vida do turista.

“Na Argentina, por exemplo, o café é muito caro, então eu tomava mate (chimarrão) porque é muito barato. No México as tortillas são mais baratas que o pão, na Bolívia eu substitui o pão pela arepa que é de farinha de milho e eu mesmo faço”, comentou o brasileiro.

Ele ainda disse que os países mais caros foram o Equador e o Panamá, mas por lá a oferta de trabalhos temporários é maior. “De toda a América Latina, o Panamá é o país com a melhor condição para você se desenvolver economicamente”.

Onde se informar?

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Arquivo pessoal
Cicloviagem de Luís Antônio da Cunha durou três anos de meio saindo de São Paulo e chegando ao México

As dicas de Luís para quem quer fazer uma cicloviagem ou um mochilão pelos países da América Latina incluem conversar com quem já passou por essa experiência e estar disposto a mudar o estilo de vida bruscamente.

Ele mantém um blog chamado 'A Vida Virou um Risco', onde ele detalha toda a sua viagem desde o início. Luís também tem um Instagram e Facebook de seu projeto. Daqui alguns meses ele lançará também um livro sobre sua experiência. Todo esse material pode ser visitado como opção de planejamento de um mochilão.

Dicas para trocar moedas

E como fazer o intercâmbio de moedas entre um país e outro de maneira segura e que você não saia prejudicado? O Luís também tem essas dicas.

“Pela América do Sul o preferível é trocar nas fronteiras. Tem várias casas de câmbio e lá é mais vantajoso. Na verdade eu sempre pesquiso o oficial e vejo nas fronteiras o que oferecem, em todos os países sul-americanos os cambistas da fronteira tem a melhor oferta”.

“Já pela América Central é bem diferente, como as moedas são diferentes eu fui trocando valores baixos para não perder o dólar. A melhor maneira de trocar nessa região é nos bancos, porque eles oferecem a melhor taxa cambial, mais perto do oficial”.

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Depois de 25.000 km, Luís Antônio não pensa em encerrar sua jornada de cicloviagem . Segundo ele seu novo objetivo é conhecer o máximo de estados mexicanos possíveis, do sul ao norte, passar pelos Estados Unidos e chegar ao Alasca.