O Obelisco do Largo da Memória é um dos monumentos mais importantes de São Paulo
Reprodução/Instagram 15.09.2022
O Obelisco do Largo da Memória é um dos monumentos mais importantes de São Paulo

O centro de São Paulo vai receber uma caminhada especial que tem o objetivo de resgatar e valorizar a vivência dos negros na história da cidade. O percurso acontece neste sábado (17) e dá início no Largo da Memória, ao lado da estação de metrô Anhangabaú, um local muito simbólico para a comunidade, onde eram feitos vendas e leilões de pessoas escravizadas aos sábados séculos atrás.

O percurso foi idealizado em uma parceria dos projetos Cartografia Negra e Rio Memória Ação, este último representado pelo músico multiinstrumentista Thiago Sereno e o professor de história Alcino Amaral. Os dois fizeram recentemente uma caminhada parecida na cidade do Rio de Janeiro também com a ideia de resgatar as memórias negras na capital fluminense e querem expandir para todo o país. O historiador afirma que o passado do Brasil é de apagamento ao protagonismo negro, em diferentes geografias.

“São Paulo tem um recorte especial, uma singularidade, porque historicamente a cidade sempre foi apresentada com protagonismo europeu, italiano ou japonês, sobretudo no centro da cidade. A história negra e indígena está ali desde o processo de fundação da cidade até os dias de hoje e, de alguma forma, ela vai sendo invisibilizada. Resgatar essas memórias e vivências é trazer de volta a memória e o lugar do negro também nessa história de protagonismo, de modernidade, de uma cidade global”, comenta em entrevista ao iG Turismo.

O trajeto também vai percorrer outros pontos importantes da capital como a Capela dos Aflitos e a Praça Antônio Prado, local onde ficava a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, mas Alcino destaca que existem outros muitos pontos importantes para a cultura negra na capital, como as microáfricas paulistas, regiões que eram completamente negras no início do século 20, de acordo com um estudo realizado pelo professor da PUC, Amailton Azevedo.

“Existe uma história negra por detrás do bairro da Liberdade, da própria Barra Funda e do Bixiga. São regiões que são recortadas pela história e cultura negra e essa memória sofreu uma série de apagamentos ao longo dos anos e, cada vez mais, essa extinção vai se estendendo. Esses lugares são importantes para a formação da memória do povo negro.”

Alcino diz que a desvalorização da história da população negra reflete diretamente nas pessoas que não se reconhecem, quando essas pessoas não compreendem o seu valor, a sua história, o seu lugar. O professor explica que esse movimento tem um nome, epistemicídio, que é uma influência da colonização europeia (branca) e do imperialismo capitalista sobre os processos de produção e reprodução da vida.

“É a mesma lógica e modus operandi aplicado no racismo, se expressando no mercado de trabalho, do mesmo racismo se expressando nas situações de vulnerabilidade na cidade. Então a gente consegue perceber que isso tudo está relacionado, completamente articulado. A gente vê isso na cidade de São Paulo, assim como em outras cidades do Brasil, que tem números completamente arrebatadores e horrendos no que diz respeito à desigualdade racial”, pontua.

Além de Thiago e Alcino, o percurso também será conduzido pelos pesquisadores e idealizadores do projeto Cartografia Negra, a antropóloga e educadora Raissa Albano, a educadora Carolina Piai Vieira e o pesquisador e educador Pedro Alves. O evento começa às 14h, tem 2 horas e 30 minutos de duração, e o preço da inscrição é R$ 45. Vale ressaltar que 10 vagas estarão isentas de pagamento para pessoas negras e originárias (por ordem de inscrição) e os ingressos podem ser comprados pelo  site do Sympla ou pelo Pix 419.065.708-50.

Acompanhe o  iG Turismo também pelo Instagram e receba dicas de roteiros e curiosidades sobre destinos nacionais e internacionais. Siga também o perfil geral do Portal iG no Telegram .

    Mais Recentes

      Comentários

      Clique aqui e deixe seu comentário!