Foz do Iguaçu tem 25 mil cidadãos árabe-muçulmanos
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Foz do Iguaçu tem 25 mil cidadãos árabe-muçulmanos

Foz do Iguaçu, município do Paraná, está prestes a ganhar ainda mais notoriedade turística. Isso porque a cidade está prestes a se tornar um destino turístico halal, tornando-se a primeira na América Latina a conseguir o título. A certificação indica que o país é seguro para a população árabe-muçulmana.

As negociações para o certificado estão sendo feitas pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e a certificadora Cdial Halal (CCAB), que têm se reunido desde outubro para estruturar um plano de trabalho para adaptar Foz do Iguaçu para receber esse público. Uma reunião também foi feita com Jihad Abu Ali, diretor de Assuntos Internacionais, e Chico Brasileiro (PSD), prefeito de Foz do Iguaçu.

As mudanças principais serão feitas pelos setores de hotelaria, serviços e gastronomia. Os protocolos devem cumprir com o projeto assinado na ExpoDubai para dar início à certificação. As modificações começam a acontecer já neste ano. Mais informações sobre mudanças de estrutura e novos protocolos podem ser divulgadas no Festival das Cataratas, entre 1 e 3 de dezembro.

O que é a certificação halal?

Essa certificação é similar a um selo de qualidade e de segurança para que a comunidade árabe-muçulmana consiga com mais conforto. Com ela, é possível incluir o 1,8 bilhão de muçulmanos existentes em todo mundo, já que essa população sentirá segurança para frequentar ou consumir nesses determinados espaços.

“O halal significa todo o modo de vida do muçulmano. A palavra ‘halal’ no idioma árabe significa lícito, permitido. Ou seja, está de acordo com as regras estabelecidas pela Lei da Jurisprudência Islâmica, a Sharia, que rege os costumes dos muçulmanos”, explica Ahmad Saifi, diretor de Operações da Cdial Halal, ao iG Turismo.

Em países, estados e cidades que tenham a certificação, toda estrutura e atendimento é pensado para acolher e garantir que questões culturais e alimentação, por exemplo, serão cumpridas. Com isso, a certificação halal atesta que há confiança de que determinado local vai cumprir com certos requisitos como uso correto de matéria-prima, higiene, transporte e armazenagem. Pode também ser aplicada em empresas de diversas categorias, desde pecuária até cosméticos.

Por que Foz do Iguaçu deve ganhar a certificação?

Mesquita Omar Ibn Khatab
Reprodução/GDia
Mesquita Omar Ibn Khatab

Saifi explica que a região cumpre com diversos requisitos para se tornar uma das primeiras cidades turísticas halal do Brasil. Um exemplo disso é que diversos restaurantes já oferecem serviços de acordo com a certificação. Outro é que um dos principais pontos turísticos atuais de Foz do Iguaçu é a Mesquita Omar Ibn Khatab, considerada a maior mesquita de toda América Latina.

Isso faz com que a cidade tenha diversos atrativos para a população árabe-muçulmana, seja para o turismo ou moradia. “Há aproximadamente 25 mil cidadãos árabe-muçulmanos, incluindo descendentes, residindo atualmente na região. Foz Iguaçu tem uma população formada por 81 etnias e possui a segunda maior comunidade de origem árabe do Brasil”, aponta o diretor.

As mudanças da certificação halal

Entre as mudanças que devem ser implementadas para atender de forma correta a população árabe-muçulmana estão a reestruturação de espaços, treinamento de equipes e disponibilização de serviços diferenciados. Isso também significa que novos passeios que sejam direcionados a esse público também sejam estruturados. No entanto, o projeto ainda está sendo estruturado.

Algumas das principais novidades estão relacionadas aos restaurantes. Isso porque, Saifi explica, algum alimento pode ser preparado próximo a outro que tenha ingredientes suínos, que são proibidos para o consumo muçulmano.

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“No caso dos restaurantes ou lanchonetes, é necessário que tenha um ambiente específico para oferecer produtos halal e produtos haram, que significa ‘proibido’”, explica. “O muçulmano não pode consumir uma esfirra de carne de frango misturada numa mesma estufa que tem um enroladinho de presunto e queijo, por exemplo”, acrescenta.

Esse mesmo princípio deve ser seguido por parte de spas ou de lojas de cosméticos. Os produtos usados para fazer os procedimentos ou à venda não podem ter ingredientes bovinos e suínos. “Se houver matéria-prima bovina, todo procedimento de abade e alimentação também precisam ser halal”, indica.

Etiqueta halal para hotéis

Hotéis também devem seguir um protocolo à parte para atender a população árabe-muçulmana. Para começar, Saifi explica que é indispensável que a acomodação tenha a indicação da direção para Meca (conhecida também como Kiblah) para que os muçulmanos se posicionem corretamente para realizar as orações. “As mesquitas locais podem auxiliar a encontrar a direção e informar sobre os costumes dos muçulmanos”, sugere.

Além disso, é necessário que o hotel disponibilize instalações próprias para as orações, além de tapetes e horários para frequentar o espaço. Outro item que deve ser colocado em cada quarto é o Alcorão e os horários de Meca. É importante que os quartos sejam arrumados por uma equipe integrada por mulheres e que as televisões disponham de canais árabes.

No frigobar, bebidas alcoólicas estão proibidas e não devem ser colocadas. As mesmas regras de preparo de alimentos sem ingredientes suínos e as cozinhas equipadas para evitar a contaminação da comida halal devem ser implementadas.

Tratamento às mulheres é diferente

Para seguir a lei Sharia, Saifi explica que tanto o atendimento como a disponibilidade de espaços precisam ser diferenciados para mulheres. A começar pelos cumprimentos, mulheres muçulmanas não podem dar a mão, abraçar ou beijar outros homens. “A melhor alternativa é o homem cumprimentar uma mulher muçulmana colocando sua mão direita sobre o lado esquerdo do peito. Dessa forma, ele será educado e respeitoso”, ensina.

No caso de locais como piscinas, banhos e spas, por exemplo, é importante também que o estabelecimento forneça trajes de banho específicos para que mulheres muçulmanas se cubram. Além disso, as mulheres não podem ser atendidas por outros homens, nem os homens por outras mulheres.

“Os ambientes para fazer as massagens devem ser privativos e totalmente separados. Esse será um grande diferencial”, diz Saifi. Caso não seja possível fazer a separação dos espaços, uma alternativa é dividir a visita em horários diferenciados.

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