Apaixonados pela estrada, casal vende apartamento para viajar a bordo de um motorhome
Viaje de Carro
Apaixonados pela estrada, casal vende apartamento para viajar a bordo de um motorhome

Alvaro e Fernanda são casados há 15 anos e resolveram realizar um sonho: viver dentro de um motorhome. A paixão do casal pelas estradas é antiga: quando era criança, Fernanda, 39, viajava no trailer dos pais durante as férias escolares. Assim como Alvaro, 41, que desde muito novo esteve acostumado a viajar de carro. 

A primeira viagem de carro do casal ocorreu ainda durante a lua de mel, quando foram para Ubatuba, litoral paulista. Desde então, os dois continuaram a viajar todos os anos, aproveitando os 30 dias de férias a que Alvaro tinha direito no trabalho como engenheiro. Fernanda, que atua como fotógrafa, também se programava para não trabalhar nesse período. 

A cada ano, os dois se desafiavam para seguir caminhos mais longos. “Já estivemos no Pantanal, no Jalapão, na Chapada dos Veadeiros, no deserto do Atacama no Chile, Peru, fomos por duas vezes ao Ushuaia, cidade mais austral do mundo, entre outros lugares”, comentam.

No entanto, a cada vez que voltavam para casa, um sentimento de tristeza os invadia. “Retornar à realidade de uma cidade grande como o Rio de Janeiro, com seus inúmeros problemas, somado ao desgaste profissional, nos fez tomar a decisão de mudar de vida e colocar em prática o sonho de viajar pelo mundo. Vendemos tudo: apartamento, carro, utensílios, foi um verdadeiro desapego”, relatam. 

Para construir um veículo que atendesse a todas as necessidades, Alvaro e Fernanda pesquisaram entre diversos fabricantes de motorhome. Dessa forma, em abril de 2019, os dois seguiram em uma nova viagem, desta vez para escolher qual seria o montador de Beluga, apelido carinhoso que deram à van. “Beluga, o nosso motorhome, foi inteiramente montado de acordo com o nosso desejo, layout, acabamentos e todos os detalhes”, explica. 

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Ao relatar quais foram as maiores dificuldades a bordo do motorhome, Fernanda diz que demorou até que se sentisse completamente segura. “Como vim de uma cidade violenta, no início tive muita dificuldade de me sentir segura dormindo na rua. É um desafio, temos que escolher diariamente um local seguro para o nosso wild camping”, pontua.

Além disso, a fotógrafa comenta que administrar o espaço diminuto também é um problema. “Apesar de termos desapegado de muita coisa, quando o assunto é roupa eu ainda tenho muita dificuldade. Como o motorhome não tem muito espaço, as minhas gavetas estão lotadas”, destaca. 

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Alvaro, por outro lado, indica que o seu maior receio é a possível escassez de itens de necessidade básica. “Tenho medo de não conseguir água para tomar banho e necessidades básicas, mas isso ainda não aconteceu. A nossa água é limitada, temos apenas 180 litros e, por essa carência, temos uma consciência muito maior comparado a quem tem água encanada em casa”, esclarece. 

No mais, o casal expõe que, em alguns aspectos, a rotina dentro do motorhome é semelhante a de uma casa comum. “Temos que arrumar a cama, lavar a louça, preparar as refeições”, dizem.

Uma vida com problemas diferentes

Existem certas particularidades no estilo de vida nômade. Alvaro lembra que é necessário cozinhar no fogão com somente duas bocas, limpar a casa com mais frequência porque suja muito mais rápido, economizar água e energia porque nem sempre temos um ponto de apoio para fornecer em abundância.

"Se acabar, é preciso procurar um lugar para abastecer a água, fazer o descarte do dejeto do vaso sanitário e encontrar um local seguro para dormir. Mas nos adaptamos muito rápido a essa nova rotina”, mencionam. 

Para o casal, residir em um motorhome é uma experiência libertadora e Fernanda salienta que as pessoas que olham de fora e veem essa rotina diferente de uma vida comum podem achar que é uma situação desafiadora.

"Para nós é a nossa vida. Vivemos com muito menos e somos muito mais felizes”, mencionam. “Sempre conversamos sobre a possibilidade de voltar à vida anterior. Mesmo depois de aproveitar tudo o que essa vida de viajante tem a nos oferecer, se resolvermos estabelecer um ponto fixo, será dentro do motorhome. Se enjoarmos do lugar, nós saímos e seguimos para outro”, pontuam.

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