Macau: a “Las Vegas da China” onde português é língua oficial
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Macau: a “Las Vegas da China” onde português é língua oficial

Quem tem me acompanhado nos últimos dias por aqui em minha coluna e em meu instagram (@vitor.vianna) já percebeu que a China virou o assunto principal das minhas de minhas publicações. Isso porque estou viajando pelo país desde o dia 6 de agosto e comecei o roteiro por Pequim, segui para Xangai, depois Hong Kong e agora cheguei a Macau, uma parada que considero extremamente interessante para quem estiver passando por essa região da China.

E a primeira surpresa acontece praticamente assim que você chega. Em meio aos caracteres chineses, começam a aparecer placas com nomes como Avenida de Almeida Ribeiro, Largo do Senado, Rua de São Paulo e várias outras indicações escritas também em português. Não é apenas uma lembrança turística do passado: chinês e português continuam sendo oficialmente as duas línguas oficiais de Macau, embora o cantonês seja, de longe, o idioma mais falado no cotidiano. O português permanece principalmente nos órgãos públicos, documentos oficiais, placas e nomes de ruas.

Por que Macau fala português?
Para entender isso é preciso voltar mais de quatro séculos na história. Os portugueses chegaram à região entre 1554 e 1557 e, com autorização das autoridades locais chinesas, estabeleceram ali um importante entreposto comercial que fazia a ligação entre China, Japão, Índia e Europa. Macau permaneceu sob administração portuguesa durante séculos e essa convivência deixou marcas profundas na arquitetura, gastronomia, religião, língua e até no desenho das ruas.

Em 1987, Portugal e China assinaram a Declaração Conjunta sobre a questão de Macau, estabelecendo que a China retomaria o exercício da soberania sobre o território em 20 de dezembro de 1999. Foi o que aconteceu. Desde então, Macau é oficialmente uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, assim como Hong Kong, seguindo o princípio de “um país, dois sistemas” e mantendo elevado grau de autonomia em diversas áreas.

É justamente por isso que você está na China, mas encontra aqui características muito particulares. Macau possui controle migratório próprio, tem sua própria moeda e preserva um sistema administrativo diferente daquele encontrado na China continental.

Macau tem até moeda própria
A moeda oficial é a pataca de Macau, identificada pela sigla MOP. Ela é indexada ao dólar de Hong Kong e, na prática, o dólar de Hong Kong também é amplamente utilizado no território. Macau é muito preparada para o turismo internacional e pagamentos eletrônicos são comuns. Visa e Mastercard estão entre as bandeiras amplamente aceitas, o que significa que cartões multimoeda emitidos nessas bandeiras podem ser usados normalmente nos estabelecimentos que aceitam cartão, sempre observando a conversão e eventuais tarifas do emissor. Ou seja: para quem está vindo de Hong Kong, a questão do dinheiro não costuma ser complicada.

Onde estão as atrações históricas?
Para entender Macau turisticamente, acho importante dividir o destino em duas grandes experiências.

Na Península de Macau está concentrada boa parte daquilo que o visitante procura quando quer conhecer a história da cidade. É ali que ficam o Largo do Senado, as Ruínas de São Paulo, igrejas, templos, antigas construções administrativas, fortalezas e várias das ruas onde a influência portuguesa aparece de forma mais evidente.

O Centro Histórico de Macau é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO e reúne 22 edifícios e espaços de importância histórica. A própria UNESCO define Macau como um dos primeiros e mais duradouros pontos de encontro entre a China e o Ocidente.

É uma sensação curiosa caminhar por essa região. Em determinados momentos, principalmente no Largo do Senado, com o desenho do calçamento português e os edifícios históricos ao redor, você quase esquece que está na Ásia. Anda alguns metros, encontra um templo chinês e imediatamente percebe novamente essa mistura cultural que define Macau.

É também na Península que aparecem alguns dos cassinos mais tradicionais da cidade, como o Lisboa e o Grand Lisboa. O Sands Macao, inaugurado na região próxima ao Terminal Marítimo do Porto Exterior, também foi o primeiro cassino em estilo Las Vegas operado por uma companhia americana em Macau.

E então surge a “Las Vegas da China”
Se a Península mostra o passado de Macau, Cotai representa a Macau moderna. Cotai foi formado por terrenos conquistados ao mar entre as antigas ilhas de Taipa e Coloane e acabou se transformando em uma espécie de Strip asiática, com enormes complexos de hotéis, cassinos, shopping centers, restaurantes, teatros e atrações de entretenimento.

É quando o apelido de “Las Vegas da China” começa a fazer muito sentido. Um dos melhores exemplos é o The Venetian Macao. O complexo reproduz a estética de Veneza, com canais internos, gôndolas, pontes e aquele conhecido céu artificial sobre as áreas de compras. É um conceito muito parecido com o Venetian de Las Vegas e ambos fazem parte da história do grupo Sands. Aqui, a dimensão do complexo impressiona ainda mais.

Ao lado está o The Parisian Macao, com uma reprodução da Torre Eiffel em aproximadamente metade da escala da original. É possível inclusive subir aos mirantes da torre, e à noite ela recebe um espetáculo de iluminação.

Logo depois vem o The Londoner Macao. E ali a sensação realmente é de ter mudado novamente de país. A fachada reproduz elementos do Palácio de Westminster, há uma Elizabeth Tower com 96 metros de altura, a mesma altura da torre original em Londres, além de táxis, ônibus de dois andares e referências britânicas espalhadas por todo o complexo. À noite, a fachada também recebe um grande espetáculo de luz e som.

Outro complexo que chama muita atenção é o Studio City Macau, inspirado no universo cinematográfico de Hollywood. É o prédio que possui a famosa Golden Reel, considerada a roda-gigante em formato de oito mais alta do mundo, instalada a cerca de 130 metros de altura entre as torres do resort.

E ainda existem gigantes como MGM Cotai, Wynn Palace e Galaxy Macau. Por isso, mesmo para quem não tem qualquer interesse em jogar, vale conhecer essa parte de Macau. Os cassinos são apenas um componente de complexos gigantescos de entretenimento.

Na prática, você consegue viajar por Paris, Londres, Veneza e pelo universo de Hollywood praticamente atravessando uma avenida. É essa parte da cidade que faz Macau parecer ainda mais uma versão asiática de Las Vegas.

O Bus Tour foi uma boa escolha
Como temos pouco tempo, optamos por uma maneira que considero muito eficiente para uma primeira visita: o Open Top Bus Tour de Macau.

Fizemos o passeio durante o dia e ele ajuda bastante a entender a geografia da cidade e visualizar rapidamente vários dos principais pontos. Existe um passe diurno no sistema hop-on hop-off, permitindo descer e embarcar novamente em diferentes atrações. O próprio Turismo de Macau também apresenta uma modalidade específica de passeio noturno.

E é justamente o que vamos fazer agora. Depois de conhecer Macau durante o dia, vamos repetir o passeio à noite. E aqui isso faz especialmente sentido porque Cotai praticamente se transforma quando escurece. As fachadas dos resorts, a Torre Eiffel, o Londoner e os demais complexos ficam iluminados e criam uma experiência completamente diferente daquela que tivemos durante o dia.

Por isso considero o Bus Tour uma opção especialmente interessante para quem vem apenas em um bate-volta de Hong Kong e precisa otimizar o tempo.

Como chegar a Macau?
Macau possui aeroporto internacional, então é possível chegar de avião a partir de diversos destinos da Ásia. Mas para muita gente que está fazendo turismo pela região, o caminho mais natural é exatamente o que fizemos: ir a Macau a partir de Hong Kong.

Uma das maneiras mais práticas é o ferry. A viagem entre Hong Kong e Macau leva aproximadamente uma hora e existem serviços para o Terminal Marítimo do Porto Exterior e para Taipa. Atualmente, a tarifa regular da classe econômica da TurboJET começa em HK$ 194 durante o dia em dias úteis, mas existem tarifas promocionais a partir de HK$ 150 para determinadas compras antecipadas.

No nosso caso, pagamos aproximadamente R$ 110 por pessoa, por trecho.

Outra possibilidade é fazer o trajeto pela Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau. Existem ônibus shuttle funcionando 24 horas entre os postos fronteiriços de Hong Kong e Macau, com tarifa de HK$ 65 durante o dia e HK$ 70 na madrugada. Também existem ônibus rodoviários que partem de diferentes regiões urbanas de Hong Kong e seguem para Macau pela ponte.

Bate-volta ou dormir em Macau?
É perfeitamente possível conhecer Macau em um bate-volta saindo de Hong Kong. Você pode pegar o ferry de manhã, conhecer o centro histórico, seguir para Cotai e retornar no fim do dia.

Mas nós escolhemos fazer diferente. Como estamos fazendo uma viagem que começou pelo norte da China e agora chegou a essa região do país, fizemos check-out do nosso hotel em Hong Kong, deixamos as malas guardadas lá e viemos para Macau apenas com uma mochila e o necessário para passar uma noite.

Isso evitou carregar malas grandes no ferry sem necessidade. Vamos dormir uma noite em Macau, conhecer a cidade durante o dia e também à noite e, amanhã, retornamos a Hong Kong. Pegamos novamente nossas malas, dormimos mais uma noite por lá para descansar e depois continuamos a viagem.

Para quem pretende passar por Hong Kong antes e depois de Macau, considero uma excelente estratégia. Basta confirmar previamente se o hotel aceita guardar as malas entre as duas hospedagens.

E depois de estar aqui, acho que uma noite em Macau é ainda melhor do que simplesmente fazer o bate-volta. Durante o dia você conhece a Macau histórica, portuguesa e chinesa. Quando anoitece, conhece a outra Macau: iluminada, exagerada, cheia de resorts e grandes cassinos.

Talvez essa seja justamente a melhor definição do destino. Macau é um lugar onde você olha para a placa e lê português, olha para os prédios e pensa que está em Lisboa, atravessa a cidade e encontra Veneza, Paris e Londres e, alguns minutos depois, lembra novamente que continua na China. É um daqueles destinos que dificilmente se parecem com qualquer outro lugar do mundo

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