
O turismo de luxo vive uma mudança silenciosa, mas profunda. Em 2026, o comportamento do viajante premium passou a refletir uma nova percepção sobre exclusividade: mais do que conhecer muitos destinos ou investir em experiências marcadas pela ostentação, cresce o interesse por viagens que valorizam o tempo, a autenticidade e o bem-estar. A expectativa do mercado é que esses movimentos se intensifiquem em 2027, consolidando uma nova forma de viajar.
Essa transformação tem no slow travel seu principal ponto de partida. A proposta de desacelerar, permanecer mais tempo em cada destino e criar conexões genuínas com a cultura local tem influenciado uma série de outras tendências que já ganham força no turismo premium. Entre elas estão o crescimento das expedições para destinos remotos, a busca por roteiros hiperpersonalizados, a valorização de lugares menos explorados e o avanço das viagens voltadas ao bem-estar. Em comum, todas refletem um viajante que troca a lógica de "fazer mais" pelo desejo de viver melhor cada experiência.
Para Marina Schwartzmann, fundadora da YOU by Costa Brava, empresa especializada em viagens de luxo e experiências personalizadas, o mercado vive uma mudança de paradigma, na qual o luxo deixa de ser definido pelo excesso e passa a ser medido pela relevância de cada experiência.
"Ao longo de 2026, percebemos uma mudança clara no perfil dos viajantes. Eles passaram a priorizar experiências mais profundas, com menos deslocamentos e mais tempo para aproveitar cada destino. O slow travel, termo bastante falado no setor de viagens, acabou influenciando praticamente todas as tendências que vemos hoje no turismo de luxo, desde a escolha de destinos menos explorados até a procura por roteiros totalmente personalizados, e isso segue se fortalecendo para este final de ano de 2027”.
A seguir, a especialista explica as principais tendências que já estão redefinindo o turismo de luxo e devem ganhar ainda mais espaço no próximo ano.
1. Slow travel deixa de ser tendência e passa a definir o novo luxo
Mais do que permanecer mais dias em um destino, o slow travel representa uma mudança de comportamento. O viajante troca a lógica de "conhecer o máximo possível" por experiências que permitem mergulhar na cultura local, na gastronomia e na história de cada lugar.
Na prática, isso significa permanecer mais tempo em uma região, explorar pequenos produtores, hotéis independentes e vivenciar o destino sem a pressão de cumprir uma agenda intensa.
"O maior luxo hoje é ter tempo. O viajante percebeu que conhecer menos lugares pode resultar em experiências muito mais memoráveis. Essa mudança começou a ficar evidente em 2026 e deve orientar cada vez mais as viagens em 2027."
2. Expedições e destinos remotos entram no radar dos viajantes
Ao mesmo tempo em que desacelera, o turista de luxo também busca exclusividade. Cresce o interesse por expedições em pequenos navios, regiões polares, desertos, safáris, reservas naturais e destinos pouco explorados. Mais do que visitar um lugar, a proposta é viver experiências difíceis de reproduzir.
"Existe uma busca por lugares que ainda preservam autenticidade. O luxo está cada vez mais ligado ao acesso e à possibilidade de viver experiências únicas, longe dos grandes fluxos turísticos."
Entre os destinos, Marina destaca as expedições à Antártica, realizadas em embarcações de pequeno porte; o Ártico, com roteiros pela Groenlândia e pelo arquipélago de Svalbard, na Noruega; os safáris exclusivos em Botswana, onde reservas privadas oferecem experiências mais intimistas do que os parques tradicionais; e as Ilhas Galápagos, no Equador, que limitam o número de visitantes e priorizam um turismo de baixo impacto ambiental. Na América do Sul, experiências como navegar pelos fiordes da Patagônia chilena, explorar o Deserto do Atacama com observação astronômica ou realizar expedições na Amazônia a bordo de barcos boutique também refletem essa busca por lugares remotos sem abrir mão do conforto e da curadoria.
3. Hiperpersonalização se torna o diferencial no turismo de luxo
Outra tendência que ganhou força em 2026 é a personalização extrema dos roteiros. Cada viagem passa a ser construída considerando o estilo de vida, o ritmo, os interesses culturais, gastronômicos e até as motivações da viagem. Mesmo com o avanço da tecnologia e das plataformas digitais, cresce a procura por especialistas capazes de construir experiências exclusivas e oferecer acessos diferenciados.
"Hoje não existe mais um roteiro padrão para o viajante de luxo. Mesmo quando dois clientes escolhem o mesmo destino, as experiências costumam ser completamente diferentes."
4. Destinos menos conhecidos ganham protagonismo
Pequenas vilas, regiões vinícolas, hotéis boutique e propriedades históricas atraem cada vez mais quem busca fugir do turismo de massa. O interesse está menos nos cartões-postais e mais em destinos capazes de oferecer identidade e conexão.
"Os clientes querem descobrir lugares que ainda preservam sua essência. Existe uma valorização crescente da autenticidade”, pontua.
Segundo Marina, na Itália, a Puglia desponta como alternativa à Toscana, reunindo pequenas cidades históricas, hotéis instalados em antigos masserias e praias de águas cristalinas. Em Portugal, o Vale do Douro conquista viajantes que buscam enoturismo, gastronomia e hospedagens com vista para os vinhedos. Já na Grécia, ilhas como Milos, Sifnos e Folegandros ganham espaço entre quem prefere um ritmo mais tranquilo do que o encontrado em Mykonos e Santorini. Na Europa Central, destinos como o Lago Bled, na Eslovênia, combinam natureza preservada, hotéis boutique e experiências ao ar livre. Já na América do Sul, a Patagônia chilena e o Deserto do Atacama seguem atraindo viajantes que valorizam paisagens remotas, privacidade e contato intenso com a natureza.
5. Bem-estar e tempo de qualidade passam a orientar as viagens
A ideia de viajar apenas para conhecer novos lugares dá espaço a roteiros que promovem descanso, reconexão e qualidade de vida. Hotéis focados em bem-estar, retiros, experiências gastronômicas, natureza e atividades ao ar livre ganham protagonismo.
"As pessoas querem voltar da viagem melhores do que quando partiram. O descanso e o bem-estar deixaram de ser complementos e passaram a fazer parte do objetivo da viagem."
Nesse cenário, destinos reconhecidos por seus programas de wellness, hotéis voltados à longevidade e retiros imersivos entram definitivamente no radar dos viajantes. Na Suíça, clínicas e resorts como os de Lake Geneva e St. Moritz unem medicina preventiva, nutrição e programas personalizados de saúde. Em Bali, retiros focados em yoga, mindfulness e terapias integrativas continuam atraindo quem busca desacelerar. Já em Costa Rica, o contato com a biodiversidade, as práticas ao ar livre e os eco-resorts reforçam a conexão entre natureza e bem-estar.