
Os brasileiros já podem criar uma credencial digital baseada no passaporte e armazená-la diretamente na Carteira do Google em celulares Android compatíveis. A novidade vem sendo chamada de “passaporte no celular”, mas é importante entender exatamente o que foi disponibilizado. O recurso cria um Passe de Identificação a partir das informações verificadas do passaporte eletrônico brasileiro e permite utilizar essa identidade digital em determinados serviços compatíveis. Isso, porém, não significa que o viajante possa deixar o documento físico em casa. O passaporte tradicional continua sendo obrigatório para viagens internacionais e para os procedimentos de imigração.
O que é o passaporte na Carteira do Google?
O recurso recebe oficialmente o nome de Passe de Identificação e funciona como uma credencial digital criada a partir das informações existentes no passaporte eletrônico. Não se trata simplesmente de fotografar o documento e guardar uma imagem no celular. Durante o cadastro, a Carteira do Google verifica os dados da página de identificação e realiza a leitura do chip eletrônico presente no passaporte, criando uma credencial associada à identidade daquele usuário. A proposta é permitir que, à medida que empresas e serviços adotem essa tecnologia, seja possível comprovar determinadas informações pessoais utilizando diretamente o smartphone.
Passaporte físico continua obrigatório para viajar
Este é o ponto mais importante para quem pretende utilizar a novidade: o Passe de Identificação da Carteira do Google não substitui o passaporte físico em viagens internacionais. O próprio Google deixa claro que a credencial não pode ser utilizada como substituta do passaporte para fins de imigração ou viagem. Portanto, um brasileiro que embarque para Europa, Estados Unidos, Canadá, Ásia ou qualquer outro destino onde o passaporte seja necessário continua precisando levar o documento original. A versão armazenada no celular deve ser encarada como uma identificação digital complementar, e não como autorização para viajar apenas com o smartphone.
Para que a novidade poderá ser utilizada?
A principal finalidade está na comprovação digital de identidade e de determinadas informações pessoais em serviços compatíveis. Em vez de apresentar ou fornecer todos os dados existentes em um documento, a tecnologia poderá permitir que o usuário compartilhe apenas as informações necessárias para determinada operação. Uma das possibilidades é a comprovação de idade. Se um serviço precisar saber apenas se determinada pessoa possui idade mínima para utilizá-lo, por exemplo, a tecnologia pode permitir essa confirmação sem necessariamente compartilhar nome completo, número do passaporte, endereço ou outros dados que não tenham relação com aquela verificação.
Como cadastrar o passaporte no celular?
O procedimento começa dentro da própria Carteira do Google. O usuário deve acessar a opção para adicionar um novo item à carteira e procurar pela área de identificação e pelo Passe de Identificação. A partir daí, o aplicativo solicita a digitalização da página de dados do passaporte, onde aparecem fotografia, nome, nacionalidade, data de nascimento e número do documento. Depois dessa etapa, será necessário aproximar o celular do passaporte para que a tecnologia NFC consiga realizar a leitura do chip eletrônico incorporado ao documento. O sistema também realiza uma verificação para confirmar que a pessoa que está fazendo o cadastro é realmente a titular daquele passaporte.
É preciso ter passaporte eletrônico e celular com NFC
Para que o processo funcione, não basta ter uma fotografia do passaporte. O sistema utiliza o chip existente nos passaportes eletrônicos para confirmar os dados e a autenticidade do documento. Por isso, o aparelho também precisa contar com NFC, tecnologia de comunicação por proximidade que permite ao smartphone realizar a leitura do chip. Segundo as informações divulgadas sobre a disponibilidade do recurso no Brasil, também é necessário possuir um aparelho Android compatível. A liberação pode acontecer de maneira gradual, portanto a opção pode não aparecer imediatamente para todos os usuários, mesmo que o telefone atenda aos requisitos técnicos.
O sistema também verifica o rosto do usuário
Além de digitalizar a página do passaporte e realizar a leitura do chip, o processo inclui uma etapa de confirmação da identidade do titular. O sistema pode solicitar uma verificação facial, incluindo a gravação de um pequeno vídeo do rosto, para comparar a pessoa que está cadastrando a credencial com a fotografia e os dados associados ao passaporte. Essa etapa acrescenta uma camada de segurança justamente para impedir que alguém consiga simplesmente pegar o passaporte de outra pessoa e cadastrá-lo em seu próprio smartphone.
Privacidade é uma das propostas da tecnologia
Outro ponto destacado pelo Google é a possibilidade de utilizar tecnologias que reduzam a quantidade de informações pessoais compartilhadas durante determinadas verificações. Entre elas está a chamada Zero Knowledge Proof, ou prova de conhecimento zero, que permite comprovar determinada informação sem necessariamente revelar todos os dados utilizados para confirmá-la. Na prática, um serviço que precise saber apenas se o usuário possui determinada idade poderia receber essa confirmação sem ter acesso a todas as informações existentes no documento. Esse modelo ajuda a explicar por que a novidade vai além de simplesmente armazenar uma cópia digitalizada do passaporte dentro do celular.
A novidade não foi anunciada agora
Apesar de o assunto ter voltado a circular com força nas redes sociais e em veículos brasileiros em julho de 2026, a chegada do recurso ao Brasil não é exatamente uma novidade desta semana. O Google anunciou oficialmente em abril de 2026 a expansão das credenciais digitais baseadas em passaporte para usuários brasileiros. O tema voltou a ganhar repercussão agora à medida que mais pessoas passaram a conhecer a funcionalidade e começaram a encontrar a opção disponível em seus aparelhos. É uma diferença importante principalmente diante de manchetes que podem transmitir a impressão de que o Google acaba de liberar um passaporte digital oficial para viagens, o que não aconteceu.
Isso poderá mudar a forma como viajamos no futuro?
A criação dessas credenciais ajuda a mostrar uma tendência cada vez mais presente no setor de viagens. Aeroportos, companhias aéreas e governos vêm ampliando o uso de biometria facial, reconhecimento de identidade e documentos digitais para reduzir a necessidade de apresentar repetidamente documentos físicos durante uma viagem. No entanto, a existência da tecnologia não significa que ela automaticamente tenha validade migratória. Para que um passaporte digital possa efetivamente substituir o documento físico em uma fronteira, é necessário que exista reconhecimento e regulamentação pelas autoridades responsáveis, além da integração dos sistemas utilizados por diferentes países.
Então posso deixar meu passaporte no hotel durante a viagem?
A existência da credencial também não deve ser interpretada automaticamente como uma recomendação para circular durante toda a viagem apenas com o celular. Cada país possui suas próprias regras sobre identificação de estrangeiros e existem situações nas quais o viajante pode precisar apresentar o documento original. Além disso, hotéis, autoridades, empresas de transporte e outros serviços podem exigir documentação física. Portanto, a decisão sobre carregar ou guardar o passaporte durante a permanência em determinado destino continua dependendo das regras locais e da situação específica, e a versão da Carteira do Google não deve ser tratada como substituta universal do documento.
O que muda para o viajante brasileiro?
Por enquanto, a principal mudança é a possibilidade de transformar as informações verificadas do passaporte em uma credencial digital armazenada no smartphone e utilizá-la nos serviços que passarem a aceitar esse formato. É uma evolução importante no processo de digitalização dos documentos pessoais, mas ainda não elimina o passaporte tradicional. Para quem está planejando uma viagem internacional, portanto, a orientação permanece exatamente a mesma: confira a validade do passaporte, verifique as exigências do país de destino e leve o documento físico.
A melhor maneira de entender a novidade é não confundir “passaporte cadastrado no celular” com “passaporte válido para viajar pelo celular”. O primeiro já é uma realidade para usuários brasileiros compatíveis com a Carteira do Google. O segundo ainda não. Até que autoridades migratórias reconheçam oficialmente uma solução digital como substituta do documento tradicional, o passaporte físico continua indispensável para o viajante brasileiro que precisa dele para cruzar fronteiras.