
O próximo dia 12 de agosto promete entrar para a história da astronomia e também da aviação. A companhia aérea espanhola Iberia realizará um voo especialmente planejado para acompanhar o eclipse total do Sol a partir de uma posição privilegiada: acima das nuvens, a mais de 10 mil metros de altitude. A iniciativa não será apenas uma experiência para os passageiros a bordo. Pela primeira vez, a companhia fará uma transmissão ao vivo do fenômeno por meio de suas redes sociais, permitindo que pessoas do mundo inteiro acompanhem imagens em tempo real captadas diretamente da aeronave.
A operação vai muito além de um simples voo panorâmico. A rota foi desenhada especificamente para seguir a faixa de melhor observação do eclipse sobre a província de Palência, na Espanha, aumentando o tempo em que a aeronave permanecerá dentro da área de totalidade. Diferentemente de quem acompanha o fenômeno do solo, onde nuvens podem comprometer completamente a experiência, a altitude de cruzeiro oferece um céu muito mais limpo e condições ideais para observar detalhes que normalmente passam despercebidos.
A transmissão só será possível graças ao novo sistema de internet via satélite Starlink, que está sendo instalado gradualmente na frota da Iberia. A tecnologia permitirá enviar imagens em alta velocidade diretamente da aeronave durante todo o voo, algo que, até poucos anos atrás, seria praticamente impossível. A expectativa é que milhões de pessoas acompanhem o eclipse ao vivo pelas plataformas digitais da companhia.
O voo também terá uma importante missão científica. Pesquisadores do projeto Shelios, iniciativa voltada ao estudo dos eclipses solares, estarão a bordo realizando medições da coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, normalmente invisível devido ao intenso brilho do disco solar. A partir da altitude de cruzeiro, os cientistas conseguem eliminar grande parte das interferências provocadas pela atmosfera terrestre, obtendo observações muito mais precisas.
Segundo os pesquisadores, além da coroa solar, será possível observar com mais clareza o entorno do Sol durante a totalidade do eclipse, incluindo a posição aparente de planetas como Vênus e Mercúrio, além de estrelas que normalmente ficam ocultas pela luminosidade solar.
Outro detalhe curioso é que um dos pilotos responsáveis pela operação possui formação em Astrofísica, algo bastante incomum na aviação comercial. A equipe passou meses planejando todos os detalhes da rota, considerando velocidade, altitude, posição do Sol e deslocamento da sombra da Lua sobre a Terra para oferecer as melhores condições possíveis de observação.
A aeronave escolhida para a missão será um moderno Airbus A321XLR, um dos aviões mais novos da frota da Iberia. O voo recebeu o código IB1473, uma homenagem ao ano de nascimento do astrônomo Nicolau Copérnico, responsável por revolucionar a forma como a humanidade compreende o Sistema Solar.
O eclipse de 12 de agosto também possui enorme importância histórica. Será o primeiro eclipse total do Sol visível da Península Ibérica desde 1912, encerrando mais de um século de espera. Fenômenos como esse só podem ser observados dentro de uma estreita faixa da superfície terrestre e, em um mesmo local, podem demorar décadas ou até séculos para se repetir.
Ao unir aviação, ciência, tecnologia e conectividade em uma única operação, a Iberia transforma um voo comercial em um verdadeiro observatório voador. Para quem acompanha astronomia, será uma oportunidade rara. Para quem gosta de inovação, será uma demonstração de como a tecnologia pode aproximar milhões de pessoas de um dos espetáculos naturais mais impressionantes do planeta.