Espanha
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Espanha

Ceuta é uma cidade autônoma espanhola no norte da África, na fronteira com o Marrocos. Mesmo estando geograficamente no continente africano, o território pertence à Espanha e forma uma das fronteiras externas do Espaço Schengen. Nas últimas horas de quinta e sexta-feira, mais de 60 mil pessoas entraram irregularmente na cidade, a maioria jovens marroquinos que atravessaram a nado, no que já é descrito como o maior fluxo de chegadas irregulares registrado em um único período na história recente da União Europeia. A crise deixou dezenas de mortos e levou a Espanha a decretar emergência humanitária no enclave, que tem cerca de 83 mil moradores.

O gatilho, segundo o próprio governo espanhol, foi uma decisão do Supremo Tribunal do país que impede a devolução imediata de migrantes interceptados no mar quando não há barreira física, como uma cerca. Madri afirma que redes criminosas usaram as redes sociais para atrair jovens marroquinos com a promessa de trabalho, explorando essa brecha jurídica. A Espanha já devolveu mais de 48 mil pessoas ao Marrocos, mas a imagem do colapso na fronteira foi suficiente para acender o alarme em outros países europeus.

A Itália suspendeu Schengen. E agora, o que muda
Na noite de quinta-feira, a primeira-ministra Giorgia Meloni anunciou a suspensão temporária do acordo de Schengen com a Espanha, alegando risco à segurança nacional. A partir deste sábado, viajantes que chegam à Itália vindos de território espanhol por via aérea ou marítima passam por controles de documentos, algo que não acontecia entre dois países do bloco europeu de livre circulação. A medida vale, a princípio, por um mês e é descrita pelo Ministério do Interior italiano como fiscalização "seletiva", voltada a viajantes de fora da União Europeia. Cidadãos europeus não são afetados.

Na prática, isso significa que um turista brasileiro que desembarcar na Espanha e seguir viagem para a Itália vai precisar apresentar o passaporte novamente, algo que, até esta semana, não era necessário dentro do Espaço Schengen. A Espanha reagiu mal à decisão: o chanceler espanhol chamou a atitude italiana de desproporcional e convocou o embaixador da Itália em Madri para dar explicações.

Outros países se movimentam também
A França reforçou o efetivo policial na fronteira terrestre com a Espanha e passou a usar drones e aviões para monitorar trens e rodovias, buscando impedir que a crise se espalhe pelo território francês. Finlândia, Dinamarca, Holanda, República Tcheca e Suécia se posicionaram ao lado da Itália, alguns defendendo abertamente que a Espanha seja suspensa do Espaço Schengen até conseguir controlar sua fronteira externa. Em Portugal, o partido Chega pediu a suspensão temporária do acordo com a Espanha e o reforço imediato de controles na fronteira terrestre, mas o governo português descartou a medida por ora, classificando a situação como controlada.

A Espanha foi expulsa do Schengen?
Não. A Espanha continua sendo membro pleno do Espaço Schengen. O que existe, até agora, é uma medida unilateral e temporária da Itália, seguida de pressão política de outros países, mas não uma decisão coletiva da União Europeia para excluir o país do bloco.

As próprias regras do Schengen permitem que um governo reintroduza controles internos diante de uma ameaça grave à ordem pública, desde que a medida seja excepcional, proporcional e por tempo limitado. A Comissão Europeia já sinalizou que existem inclusive dispositivos específicos para Ceuta e Melilla, já que são fronteiras externas por natureza. Por isso, uma suspensão completa e permanente da Espanha seria uma decisão muito mais complexa, com impacto direto sobre milhões de pessoas, empresas e meios de transporte, e não pode ser resolvida por um único país agindo sozinho.

O que muda para quem vai viajar pela Europa
Não há motivo para cancelar uma viagem à Espanha ou à Itália neste momento. O que existe é mais fiscalização, principalmente para quem faz o trajeto Espanha-Itália por avião ou barco, e a possibilidade de filas maiores em outras fronteiras do continente, à medida que mais países reforçam o controle por conta própria.

Quem estiver com viagem marcada para a região deve manter o passaporte sempre à mão, inclusive em trajetos que antes eram livres de imigração, e nunca despachar o documento na mala. Vale também chegar com mais antecedência aos aeroportos, principalmente em rotas que passam pela Espanha, acompanhar comunicados das companhias aéreas e ter em mãos reservas de hospedagem, passagem de volta e comprovante de recursos, documentos que costumam ser pedidos em fiscalizações extraordinárias como esta.

Dica do Vitor
Se você tem escala ou conexão pela Espanha antes de seguir para a Itália, chegue ao aeroporto com uma margem maior do que o habitual. O controle "seletivo" anunciado pela Itália pode não pegar todo mundo, mas pega o suficiente para atrasar filas inteiras, e ninguém quer perder uma conexão por causa de um carimbo que, até a semana passada, nem existia nesse trajeto.

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