Flybondi
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Passageiros da Flybondi têm recorrido às redes sociais para denunciar cancelamentos de voos, mudanças frequentes de horários e dificuldades para receber os valores pagos pelas passagens. Alguns consumidores afirmam estar esperando há meses pelo reembolso, enquanto outros relatam ter precisado comprar novos bilhetes de última hora para não perder compromissos e reservas.

Em um vídeo que publiquei dia 30/07 em meu instagram sobre a companhia, uma passageira afirmou que ainda aguarda a devolução do dinheiro de uma viagem prevista para abril. “A empresa cancelou meu voo de abril e nunca me devolveu o dinheiro”.  Outra cliente contou que teve dois voos cancelados sem explicações e que ainda não havia sido reembolsada. “Não comprem”, alertou. Um terceiro passageiro também disse ter enfrentado dois cancelamentos e recomendou que outros consumidores evitassem adquirir passagens da empresa.

Há ainda relatos de sucessivas alterações antes do cancelamento definitivo. Uma passageira afirmou que a data e o horário de sua viagem foram modificados quatro vezes. Após decidir cancelar a reserva, ela disse que o prazo informado para o pagamento estava próximo de terminar, mas o dinheiro ainda não havia sido depositado.

Em outro caso, uma família que viajava para Bariloche teria enfrentado cinco remarcações antes de o voo ser cancelado. Segundo a passageira, o grupo já estava na Argentina com crianças pequenas e dois idosos, e as alterações comprometeram toda a programação da viagem.

Um consumidor relatou que seu voo dentro da Argentina foi reprogramado três vezes, inclusive para uma data posterior ao retorno que já tinha marcado para o Brasil. Ele afirmou ter comprado uma nova passagem em outra companhia e estar havia pelo menos 15 dias tentando cancelar a reserva e receber o reembolso, sem retorno.

Outro passageiro declarou ter chegado ao aeroporto de Buenos Aires após receber orientações para realizar o check-in, mas não encontrou funcionários da Flybondi no local. Segundo o relato, ele precisou comprar uma passagem de última hora em outra empresa e ainda aguardava o ressarcimento.

As queixas também envolvem bagagens e atendimento. Uma cliente afirmou que sua mala desapareceu durante uma viagem e que nunca recebeu esclarecimentos sobre o ocorrido. Ela classificou a situação como um “descaso absurdo” e disse que o episódio afetou sua saúde emocional.

ANAC restringiu a comercialização de passagens
A situação ocorre em meio a medidas adotadas pela Agência Nacional de Aviação Civil. Segundo análise enviada pela advogada Maria Luiza Fernandes, especialista em Direito do Passageiro Aéreo, a ANAC aplicou, em 29 de julho de 2026, uma medida cautelar para limitar parte da comercialização de passagens da Flybondi no Brasil.

O documento aponta que, entre 1º e 27 de julho, a empresa cancelou 79% dos voos registrados no país. A fiscalização também teria identificado redução contínua das operações, problemas no atendimento, divergências entre a programação informada e os voos efetivamente realizados e aumento das reclamações relacionadas a cancelamentos, alterações e reembolsos.

A companhia ficou impedida de vender bilhetes para destinos brasileiros que ainda não atendia efetivamente, como Florianópolis, Maceió e Salvador, além de não poder ampliar sua malha com novos destinos ou frequências. A ANAC também previu restrições para a rota entre Buenos Aires e o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, caso a empresa não comprovasse ajustes operacionais.

Passagens já emitidas continuam válidas
A medida da ANAC não cancela automaticamente os bilhetes que já foram comprados. No entanto, diante da quantidade de alterações e cancelamentos, a orientação é que os passageiros acompanhem diariamente a situação de seus voos e guardem todos os registros das comunicações com a empresa.

De acordo com a dra. Maria Luiza, quando o cancelamento parte da companhia aérea, o passageiro pode escolher entre a reacomodação gratuita em outro voo ou o reembolso integral. O pagamento deve ser realizado em até sete dias após a solicitação, conforme as regras da Resolução nº 400 da ANAC.

A especialista esclarece que uma tarifa classificada como “não reembolsável” não autoriza a empresa a ficar com o dinheiro quando ela própria deixa de realizar o transporte. Essa restrição tarifária se aplica, em princípio, aos casos em que o passageiro desiste voluntariamente da viagem.

A reacomodação deve ser oferecida sem cobrança adicional, na primeira oportunidade disponível (inclusive em voo de outra companhia, quando aplicável) ou em uma data escolhida pelo consumidor, de acordo com a disponibilidade.

Alterações devem ser comunicadas com antecedência
As mudanças programadas de horário ou itinerário precisam ser informadas com pelo menos 72 horas de antecedência. Mesmo quando o aviso ocorre dentro desse prazo, o consumidor não é obrigado a aceitar uma alteração significativa.

Em voos nacionais, mudanças superiores a 30 minutos podem dar direito à reacomodação ou ao reembolso. Em voos internacionais, o limite é de uma hora. Quando a comunicação é feita com menos de 72 horas, o passageiro pode escolher uma dessas alternativas mesmo que a diferença de horário seja menor.

Caso o consumidor não seja devidamente informado e compareça ao aeroporto, a empresa também deve prestar assistência material, de acordo com o tempo de espera:

- após uma hora, meios de comunicação;
- depois de duas horas, alimentação;
- a partir de quatro horas, hospedagem, quando houver necessidade de pernoite, e transporte de ida e volta.

Essas medidas não impedem uma eventual cobrança de despesas adicionais ou indenização, especialmente quando o cancelamento provoca perda de reservas, compromissos, conexões, passeios ou outros prejuízos comprovados.

O que fazer quando o reembolso não é pago
A recomendação é registrar todas as tentativas de atendimento. O passageiro deve guardar o localizador da reserva, comprovantes de pagamento, protocolos, e-mails, mensagens, formulários, faturas do cartão e capturas de tela.

Caso o problema não seja resolvido diretamente com a Flybondi, a advogada orienta que o consumidor registre reclamações no ANAC Passageiro e no Consumidor.gov.br, apresentando os documentos e formulando claramente o pedido de reacomodação, reembolso integral ou ressarcimento de despesas.

Se o prazo de sete dias para a devolução já tiver terminado, é importante informar expressamente que a companhia está em atraso. Se as tentativas administrativas não produzirem resultado, o passageiro pode buscar orientação jurídica para avaliar a adoção de medidas judiciais.

Maria Luiza ressalta que não há, até o momento, informação oficial de que a Flybondi esteja em recuperação judicial. No entanto, diante da deterioração operacional apontada pela ANAC, a recomendação é que os consumidores não permaneçam por semanas ou meses apenas aguardando promessas genéricas de pagamento.

As declarações apresentadas nesta reportagem foram publicadas por usuários em redes sociais e representam os relatos individuais dos passageiros. A Flybondi deve ser procurada para comentar as reclamações, esclarecer os cancelamentos e informar quais medidas está adotando para regularizar os reembolsos pendentes.

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