Turismo do vinho impulsiona economia no interior de São Paulo
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Turismo do vinho impulsiona economia no interior de São Paulo

O turismo do vinho (enoturismo) vem ganhando cada vez mais espaço no interior de São Paulo e transformando destinos próximos à capital em importantes polos de lazer, gastronomia e geração de renda. Um dos principais exemplos é São Roque, que espera receber entre 35 mil e 40 mil turistas por fim de semana durante a temporada de inverno de 2026, período em que vinícolas, restaurantes, pousadas e outros empreendimentos ligados ao setor registram forte aumento na procura.

A expectativa é de um crescimento de aproximadamente 20% no fluxo de visitantes em relação ao ano passado. O movimento mostra como o enoturismo deixou de ser apenas uma atividade ligada à visitação de vinícolas e passou a movimentar uma cadeia muito mais ampla, envolvendo hospedagem, gastronomia, comércio, produtores rurais, transportadoras, artesãos e prestadores de serviços.

São Roque ganha espaço entre os destinos do vinho
A força do destino também aparece na pesquisa Viaja São Paulo 2026, realizada pelo Datafolha. Segundo o levantamento, São Roque foi o principal destino de enoturismo citado espontaneamente pelos entrevistados, alcançando 8% das menções relacionadas ao turismo do vinho. O resultado reforça a popularização de um destino que tem como uma de suas principais vantagens justamente a proximidade com a maior região metropolitana do país.

Esse fator ajuda a explicar o perfil de boa parte dos visitantes. São viagens que podem ser realizadas em um único dia ou durante um fim de semana, permitindo combinar visitas a vinícolas com experiências gastronômicas, compras de produtos locais, turismo rural e hospedagem. É um modelo que também acompanha uma tendência de valorização das viagens de curta duração e de destinos próximos aos grandes centros urbanos.

Hotéis e pousadas sentem o aumento da procura
O crescimento já aparece diretamente na rede de hospedagem. De acordo com levantamento realizado pelo Roteiro do Vinho junto aos empreendimentos associados, hotéis e pousadas registram ocupação superior a 80% para os finais de semana de julho e agosto. A procura é impulsionada principalmente por moradores da capital paulista e de municípios da Região Metropolitana de São Paulo.

Para Leodir Ribeiro, presidente do Roteiro do Vinho, o impacto econômico provocado por esse movimento ajuda a mostrar a importância do turismo para cidades do interior.

Quando uma região investe em turismo de experiência, ela investe diretamente em emprego, renda e qualidade de vida. O turismo tem a capacidade de distribuir recursos por toda a economia local, fortalecer pequenos negócios, gerar oportunidades e impulsionar o desenvolvimento regional de forma sustentável”, afirma.

Turismo movimenta mais de 50 segmentos
O efeito econômico vai muito além das vinícolas. Atualmente, segundo o Roteiro do Vinho, a atividade turística alcança mais de 50 segmentos da economia local e gera cerca de 2,4 mil empregos nos 53 empreendimentos associados. A cadeia envolve hotéis, pousadas, restaurantes, vinícolas, queijarias, produtores rurais, ateliês, empresas de transporte e diferentes prestadores de serviços.

Na prática, cada visitante que chega à região pode movimentar diferentes negócios durante uma única viagem. O turista pode visitar uma vinícola, almoçar em um restaurante, comprar produtos de produtores locais, utilizar serviços de transporte e ainda permanecer hospedado na cidade. É justamente essa circulação de recursos entre diferentes atividades que amplia o peso econômico do turismo.

Os cerca de 40 mil turistas que recebemos a cada fim de semana representam oportunidades para centenas de empreendedores e trabalhadores da região. Esse crescimento demonstra que São Roque está cada vez mais preparada para receber visitantes durante todo o ano e consolidar sua posição entre os principais destinos de enoturismo do país”, destaca Ribeiro.

Do vinho para uma experiência completa
O crescimento de São Roque também acompanha uma mudança no próprio conceito de enoturismo. Visitar uma região produtora de vinho deixou de significar apenas conhecer uma vinícola ou participar de uma degustação. Cada vez mais, os viajantes procuram experiências completas, combinando vinho, gastronomia, paisagens rurais, hospedagem, produtos artesanais e contato com a cultura e a produção local.

Nos últimos anos, essa procura ajudou a ampliar a presença do interior paulista no mapa do turismo do vinho brasileiro, segmento historicamente muito associado à Serra Gaúcha. Em São Roque, a integração entre vinícolas, restaurantes, pousadas e pequenos empreendedores tem sido uma das estratégias utilizadas para ampliar a permanência dos visitantes e fazer com que o dinheiro gasto durante a viagem circule por diferentes negócios.

Desafio é manter movimento durante todo o ano
Embora o inverno seja tradicionalmente um dos períodos de maior procura, o próximo desafio é transformar a alta temporada em movimento constante ao longo do ano. Para isso, a aposta está na diversificação das experiências, na realização de eventos e na consolidação da cidade como um destino que possa ser visitado independentemente da estação.

Com expectativa de crescimento de 20%, ocupação hoteleira acima de 80% nos fins de semana de julho e agosto e dezenas de milhares de visitantes circulando pela região, São Roque mostra como o turismo do vinho pode ultrapassar as taças e se transformar em uma importante atividade econômica para o interior paulista.

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