
Depois de dias de transtornos provocados pelas fortes nevascas na Cordilheira dos Andes, os acessos aos principais centros de neve próximos a Santiago voltaram a ser completamente habilitados. A Secretaria Regional Ministerial de Transportes e Telecomunicações da Região Metropolitana do Chile informou que, a partir desta quinta-feira, 23 de julho, as rotas G-21, G-249 e G-251 estão liberadas para o trânsito. A informação também foi divulgada pela Municipalidad de Lo Barnechea, município onde estão localizados os principais centros de montanha da região.
A reabertura representa uma mudança importante em relação aos últimos dias. Durante a passagem do sistema frontal pela Região Metropolitana, as autoridades chegaram a determinar preventivamente o fechamento das três rotas por causa das condições meteorológicas e do acúmulo de neve. No sábado, 18 de julho, por exemplo, a imprensa chilena ainda informava que os acessos aos centros de esqui permaneciam fechados, exceto para situações específicas e emergências.
O que são as rotas G-21, G-249 e G-251?
Para o turista brasileiro, os números das estradas podem parecer pouco importantes, mas são justamente essas vias que fazem parte do sistema de acesso à região de montanha de Lo Barnechea. A G-21 é o conhecido Camino a Farellones, a estrada sinuosa que parte da região de Santiago em direção à Cordilheira e concentra as famosas curvas da subida para os centros de neve. A partir dela estão os acessos que levam à região de Farellones e aos centros de montanha de El Colorado, La Parva e Valle Nevado.
As G-249 e G-251 complementam esse sistema de circulação na parte alta da Cordilheira, permitindo o acesso aos diferentes setores e centros de montanha. Por isso, quando as autoridades determinam simultaneamente o fechamento das três vias, o impacto não se limita a uma única estação de esqui: boa parte da circulação turística pela região pode ficar comprometida. A reabertura conjunta anunciada agora permite normalizar o deslocamento para os principais destinos de neve próximos à capital chilena. A própria La Parva, em seu relatório de montanha, identifica a G-21 como a ligação entre o controle dos Carabineros em La Ermita e os centros de montanha.
Estradas abertas, mas a G-21 continua com horários específicos
Apesar de as três rotas estarem novamente habilitadas, isso não significa que o turista possa subir e descer pela G-21 a qualquer horário. De acordo com o comunicado oficial, entre as curvas 1 e 32 da G-21 continuam valendo horários exclusivos de circulação: a subida acontece entre 8h e 13h, enquanto a descida está autorizada entre 15h e 20h. O cumprimento dos horários é fiscalizado pelos Carabineros de Chile por meio do controle de La Ermita.
Também permanece uma regra especialmente importante para quem pretende subir a Cordilheira de carro: todos os veículos precisam portar correntes para neve. Portar as correntes não significa necessariamente utilizá-las durante todo o trajeto. A instalação poderá ser exigida de acordo com as condições da estrada ou por determinação das autoridades. Para turistas que não têm experiência dirigindo na neve ou colocando correntes, contratar um transfer ou passeio com uma empresa especializada continua sendo uma alternativa mais prudente do que subir por conta própria.
Centros de neve retomam operação
A normalização dos acessos permite também a retomada da programação turística da região. Os próprios centros de montanha vêm atualizando suas informações de funcionamento. O El Colorado, por exemplo, está comercializando skipass para esta quinta-feira, 23 de julho, e mantém também atividades para quem não pretende esquiar, incluindo passeio panorâmico de teleférico.
A La Parva informa que sua temporada de inverno de 2026 está em andamento, com funcionamento dos meios de elevação diariamente e abertura programada a partir das 9h, embora a disponibilidade efetiva de pistas e meios de elevação possa variar conforme as condições da montanha.
Farellones também divulgou a informação de que as rotas G-21, G-249 e G-251 estão novamente habilitadas, reforçando a retomada do acesso à região depois das restrições dos últimos dias.
Quem está no Chile já pode programar os passeios?
Com as estradas habilitadas, os turistas voltam a ter acesso à região, mas existe uma diferença importante entre estrada aberta e passeio confirmado. As condições da Cordilheira podem mudar rapidamente, e cada centro de montanha ou empresa de turismo pode adaptar sua operação de acordo com o clima, as condições das pistas e eventuais determinações das autoridades.
Por isso, quem tem passeio contratado para Farellones, Valle Nevado, El Colorado ou La Parva deve entrar em contato com a agência ou operadora antes de sair do hotel e confirmar a realização da atividade, o horário de saída e as condições do acesso. A recomendação é ainda mais importante depois de uma sequência de dias de neve intensa, porque alterações operacionais podem ocorrer mesmo quando a estrada principal está oficialmente aberta.
Previsão do tempo precisa fazer parte do roteiro
A reabertura desta quinta-feira é uma boa notícia, mas não significa que as estradas permanecerão necessariamente abertas durante todo o restante da temporada. Os fechamentos ocorridos nos últimos dias mostram justamente como as condições podem mudar rapidamente na Cordilheira. Antes da atual liberação, as autoridades haviam fechado preventivamente as rotas diante da chegada do sistema frontal e das fortes nevascas registradas na região.
Por isso, acompanhar a previsão do tempo deve fazer parte do planejamento diário de quem viaja ao Chile durante o inverno. Se houver previsão de uma nova nevasca intensa, o ideal é verificar os comunicados das autoridades chilenas e conversar antecipadamente com a empresa responsável pelo passeio.
Tenha sempre um plano B
Se as condições meteorológicas piorarem e as autoridades determinarem novamente o fechamento das estradas, isso não significa necessariamente perder um dia inteiro da viagem. Quem contratou passeios por meio de uma agência ou operadora deve entrar em contato com a empresa para saber quais alternativas podem ser oferecidas. Dependendo das condições e do roteiro, pode ser possível transferir o passeio da Cordilheira para outro dia e utilizar aquela data para conhecer atrações de Santiago ou realizar atividades em outra região que não tenha sido afetada.
É justamente por isso que um bom roteiro de inverno precisa ter plano B e, se possível, até plano C. Neve é um fenômeno natural e não existe garantia absoluta de que uma estrada, estação de esqui ou atração permanecerá aberta simplesmente porque estava funcionando no momento em que a viagem foi planejada.
A situação desta semana serve como um alerta importante, principalmente para brasileiros que escolhem julho para conhecer a neve pela primeira vez. Quanto maior a intensidade da neve, maior também pode ser a possibilidade de restrições, interrupções de estradas e alterações nos passeios. Isso não significa deixar de viajar para o Chile no inverno, mas entender que flexibilidade, acompanhamento da previsão do tempo e planejamento são fundamentais para evitar que uma mudança climática transforme completamente a viagem.
Para acompanhar as atualizações, vale consultar os comunicados da Municipalidad de Lo Barnechea e, no dia do passeio, conferir também as condições divulgadas diretamente pelos centros de montanha.