
Depois de mais de 20 viagens a Machu Picchu desde 2014, existe uma dúvida que continua aparecendo entre praticamente todos os viajantes: afinal, vale mais a pena levar cartão multimoeda ou dinheiro em espécie? A resposta pode surpreender muita gente, principalmente porque hoje existe uma ideia de que o dinheiro físico praticamente deixou de existir nas viagens internacionais. Em muitos destinos isso realmente acontece, mas o Peru ainda funciona de uma forma diferente e, justamente por isso, quem conhece a realidade local consegue economizar bastante.
A minha recomendação continua sendo levar reais em espécie e fazer o câmbio no próprio Peru. Diferentemente do que muitos imaginam, você encontra diversas casas de câmbio em Cusco, Águas Calientes e em outras cidades turísticas, normalmente com boas cotações. O grande problema do cartão multimoeda é que, embora ele possa oferecer uma excelente taxa de conversão, muitos estabelecimentos acabam acrescentando uma cobrança extra de aproximadamente 5% a 7% para pagamentos feitos com cartão. Quando isso acontece, toda aquela vantagem obtida na cotação praticamente desaparece, e no final das contas você acaba pagando mais do que pagaria utilizando dinheiro em espécie.
Essa cobrança é bastante comum em lojas de lembranças, agências de turismo, mercados, lanchonetes, sorveterias e diversos outros estabelecimentos. Já nos restaurantes, normalmente essa taxa não costuma ser aplicada, por isso eu sempre deixo o cartão multimoeda como uma alternativa para esse tipo de despesa ou para uma eventual emergência. Para todo o restante da viagem, minha preferência continua sendo utilizar dinheiro em espécie, justamente porque, na prática, ele acaba proporcionando uma economia maior.
Também é importante entender que isso não significa que o cartão multimoeda seja ruim. Muito pelo contrário. Hoje ele é uma excelente ferramenta e, em muitos países, representa a melhor forma de pagar suas despesas durante a viagem. O ponto é que não existe uma regra universal. Cada destino possui uma realidade diferente e, em países como Peru, Marrocos e Egito, por exemplo, o dinheiro em espécie ainda é amplamente utilizado e muitas vezes até preferido pelos comerciantes, seja por questões culturais, seja para evitar taxas cobradas pelas operadoras de cartão e outros custos relacionados aos meios eletrônicos de pagamento.
Por isso, antes de viajar, vale a pena pesquisar como funciona a economia do destino que você pretende visitar. A estratégia que faz você economizar na Europa pode não ser a mesma que vai gerar economia na América do Sul ou no Norte da África. No caso específico do Peru, depois de tantos anos acompanhando grupos e visitando Machu Picchu, a minha recomendação continua exatamente a mesma: leve reais em espécie, faça o câmbio em uma casa de câmbio local e deixe o cartão multimoeda apenas como um plano B. Essa é, na minha experiência, a forma mais inteligente de gastar menos durante a viagem.