A Torre Eiffel cresce no calor? Sim, e pode ficar até 15 centímetros mais alta
Reprodução / IA
A Torre Eiffel cresce no calor? Sim, e pode ficar até 15 centímetros mais alta

A forte onda de calor que atinge grande parte da Europa está provocando cenas incomuns em diversos países. Na França, além de temperaturas que ultrapassaram os 40°C em algumas regiões, um dos principais cartões-postais do mundo precisou adotar medidas excepcionais: a Torre Eiffel reduziu seu horário de visitação e passou a fechar mais cedo para proteger turistas e funcionários dos riscos provocados pelo calor extremo. Em alguns dias, o acesso foi encerrado às 16h, e visitantes com ingressos para o período da tarde receberam reembolso.

Mas existe outro efeito curioso que pouca gente conhece. Durante períodos de calor intenso, a Torre Eiffel literalmente aumenta de tamanho.

O fenômeno é explicado por um princípio básico da física chamado dilatação térmica. Como toda estrutura metálica, o ferro se expande quando é aquecido. Isso acontece porque, com o aumento da temperatura, os átomos passam a vibrar mais intensamente, aumentando ligeiramente a distância entre eles. O resultado é uma expansão de toda a estrutura.

No caso da Torre Eiffel, construída com aproximadamente 7.300 toneladas de ferro e com cerca de 330 metros de altura, essa expansão pode fazer com que ela fique entre 10 e 15 centímetros mais alta durante os dias mais quentes do ano. Embora pareça muito, trata-se de uma variação completamente normal para uma estrutura desse porte e prevista pelos engenheiros desde sua construção.

O calor provoca ainda outro efeito interessante. Como um dos lados da torre costuma receber mais incidência de sol do que o outro, a expansão não acontece de maneira uniforme. Isso faz com que o topo da estrutura possa se inclinar alguns centímetros para o lado oposto ao que está sendo mais aquecido. Esse deslocamento é pequeno, temporário e não representa qualquer risco para a segurança do monumento.

Inaugurada em 1889 para a Exposição Universal de Paris, a Torre Eiffel foi projetada justamente para suportar essas variações provocadas pelo clima. Ao longo de mais de 130 anos, ela enfrentou verões rigorosos, invernos congelantes, ventos fortes e tempestades, mantendo sua estabilidade graças aos cálculos de engenharia realizados por Gustave Eiffel e sua equipe.

A dilatação térmica, aliás, não acontece apenas na Torre Eiffel. Pontes metálicas, trilhos de trem, viadutos, oleodutos e até grandes edifícios são projetados levando em consideração esse fenômeno. Por isso existem juntas de dilatação em diversas obras de engenharia, permitindo que os materiais expandam e contraiam sem sofrer danos.

A atual onda de calor na Europa também serve como alerta para outro problema. Além do desconforto para moradores e turistas, temperaturas cada vez mais extremas vêm obrigando cidades a adaptar o funcionamento de monumentos históricos, museus e atrações turísticas, algo que até poucos anos atrás era bastante incomum. Nesta semana, além da Torre Eiffel, outros importantes pontos turísticos de Paris também reduziram horários ou alteraram suas operações devido ao calor intenso.

Portanto, da próxima vez que você visitar Paris em pleno verão, saiba que talvez esteja olhando para uma Torre Eiffel um pouco maior do que a registrada nas medidas oficiais. São apenas alguns centímetros, mas suficientes para mostrar como até um dos monumentos mais famosos do planeta também sente os efeitos das altas temperaturas.

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