O que pode fazer você ser barrado na imigração da Europa?
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O que pode fazer você ser barrado na imigração da Europa?

Viajar para a Europa continua sendo o sonho de muitos brasileiros, mas uma das etapas que mais geram ansiedade ainda é a imigração. E agora, com a implementação gradual do novo sistema eletrônico de entrada e saída da União Europeia, o chamado EES (Entry/Exit System), as dúvidas aumentaram ainda mais. Muita gente acredita que basta ter passaporte e passagem comprada para entrar no continente, mas a realidade não funciona exatamente assim. A imigração europeia analisa um conjunto de fatores antes de autorizar a entrada de um turista, e alguns erros simples podem acabar levantando suspeitas ou até causando a negativa da entrada no país.

Não conseguir explicar o motivo da viagem
Um dos principais motivos que podem gerar problemas é a falta de coerência nas informações da viagem. A imigração quer entender se a história do viajante faz sentido. Qual o motivo da viagem? Quanto tempo pretende ficar? Onde vai se hospedar? Como vai se manter financeiramente durante esse período? São perguntas básicas, mas que muita gente acaba respondendo de forma confusa, insegura ou contraditória. E isso chama atenção imediatamente. Na maioria das vezes, as pessoas não são barradas apenas por falta de um documento específico, mas porque o conjunto da viagem não parece coerente para o agente imigratório.

Não ter hospedagem comprovada
Outro ponto extremamente importante é a comprovação da hospedagem. Quem vai fazer vários países pela Europa, por exemplo, normalmente informa no sistema apenas o endereço da primeira hospedagem, algo que o próprio EES permite. Mas isso não significa que o restante da viagem não precise estar organizado. Caso o viajante seja direcionado para o atendimento humano, ele pode precisar apresentar todas as reservas seguintes, seja de hotéis, Airbnb ou até carta convite, dependendo da situação. Inclusive, apesar de muita gente mostrar tudo pelo celular, eu particularmente continuo recomendando levar cópias impressas das reservas principais. Em uma situação de bateria descarregada, internet ruim ou qualquer imprevisto, o papel ainda pode salvar a viagem.

Não ter passagem de saída da Europa
A passagem aérea de saída da Europa também é um item extremamente relevante. Muitas pessoas compram a ida separada da volta, especialmente quando fazem viagens mais complexas, com múltiplos destinos. E nesses casos, tanto a companhia aérea no Brasil quanto a imigração podem solicitar a comprovação da saída do espaço Schengen. Já aconteceu comigo de pedirem antes mesmo do embarque, e também já aconteceu de não solicitarem nada. Vai depender muito da companhia, do aeroporto e até do agente que estiver fazendo o atendimento naquele momento. Mas o fato é que viajar sem comprovação da saída aumenta bastante o risco de questionamentos.

Seguro viagem inexistente ou incompatível
Outro fator que ganhou ainda mais importância com o novo sistema eletrônico é o seguro viagem. Embora ele sempre tenha sido obrigatório na maioria dos países do espaço Schengen, muita gente nunca teve o voucher solicitado na imigração e acabou acreditando que o seguro era apenas “uma formalidade”. Só que agora, no próprio preenchimento do EES, existe a informação sobre possuir ou não seguro viagem. E se o passageiro for direcionado para o atendimento presencial com o agente imigratório, ele pode precisar apresentar não apenas hospedagem e passagem de volta, mas também a comprovação financeira e o seguro. Além de ser obrigatório, o seguro viagem é algo fundamental para evitar prejuízos gigantescos em caso de acidente, doença ou emergência fora do Brasil, onde uma simples consulta médica pode custar centenas de euros.

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Não conseguir comprovar condições financeiras
A comprovação financeira também é um dos pontos mais observados pela imigração europeia. E isso não significa necessariamente carregar uma fortuna em dinheiro vivo. Hoje é possível comprovar condições financeiras através de conta global, cartão internacional, extrato bancário, limite do cartão de crédito ou dinheiro em espécie. O mais importante é conseguir demonstrar que você tem condições reais de se manter durante toda a viagem. Em média, muitos países consideram valores entre 60 e 100 euros por dia, por pessoa, mas isso varia bastante de acordo com o destino e o perfil da viagem. Mais uma vez, o fator principal é a coerência. Não faz sentido uma pessoa dizer que ficará um mês viajando pela Europa inteira sem conseguir comprovar recursos mínimos para hospedagem, alimentação e transporte.

Demonstrar intenção de trabalhar ilegalmente
Também existem situações que imediatamente aumentam o nível de atenção da imigração, como demonstrar intenção de trabalhar ilegalmente. Isso pode acontecer através de respostas contraditórias, excesso de bagagem incompatível com turismo ou até falta de clareza sobre o objetivo da viagem. A imigração europeia leva isso extremamente a sério.

Histórico migratório problemático
Outro ponto que pode gerar problemas é possuir histórico migratório irregular. Cada vez que você entra em determinados países ou regiões da Europa, existe um tempo máximo permitido de permanência. E você não pode ultrapassar esse período. Se você ficou ilegalmente no passado ou ultrapassou o tempo permitido em viagens anteriores, isso pode gerar dificuldades em futuras entradas.

Passaporte danificado
Muita gente não imagina, mas até um passaporte danificado pode causar problemas. Passaporte rasgado, molhado, com páginas soltando, rasuras ou danos importantes pode levantar suspeitas e gerar questionamentos na imigração.

Falta de coerência nas respostas
Também pode gerar problema a falta de coerência nas respostas. Por exemplo: você informa no sistema que ficará hospedado em um endereço, mas fala outro local na entrevista. Ou não sabe explicar detalhes básicos da própria viagem. Quanto mais organizada e coerente parecer a viagem, menor tende a ser o nível de questionamento.

Mala incompatível com o perfil da viagem
Até a quantidade de bagagem pode chamar atenção dependendo da situação. Imagine uma pessoa dizendo que fará turismo por poucos dias levando cinco malas gigantes. Ou alguém afirmando que ficará um mês viajando com apenas uma mochila muito pequena. Dependendo do contexto, isso pode gerar suspeitas adicionais.

Não saber informações básicas da própria viagem
Não saber informações simples da própria viagem também é um erro muito comum. Nome do hotel, cidade de hospedagem, roteiro, duração da viagem e até detalhes básicos do planejamento podem ser perguntados na imigração. E o nervosismo acaba fazendo muita gente se atrapalhar.

Passagem só de ida
Passagem apenas de ida quase sempre gera mais atenção da imigração. Dependendo do contexto, isso pode fazer o agente entender que talvez o passageiro não tenha intenção de sair da Europa dentro do prazo permitido.

Entrar extremamente nervoso
Pode parecer besteira, mas comportamento conta muito na imigração. Entrar extremamente nervoso, agressivo ou excessivamente inseguro pode acabar dificultando ainda mais o processo. Afinal, a imigração observa não apenas os documentos, mas também a postura do viajante.

No final das contas, existe uma frase que resume bem toda essa situação: a imigração não quer saber se você é rico. Ela quer entender se a sua viagem faz sentido.

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