
Existe uma frase que eu repito bastante quando alguém me pergunta onde ficar em Paris: em uma cidade tão grande, o hotel não serve apenas para dormir. Ele influencia diretamente a experiência da viagem.
Paris é dividida em 20 "arrondissements", que são como bairros numerados organizados em espiral a partir do centro histórico. Na prática, cada região tem uma personalidade diferente. Algumas têm clima residencial, outras mais local, outras mais movimentadas e outras mais conectadas com aquela Paris clássica que normalmente aparece nas fotos, nos filmes e no imaginário de quem sonha em conhecer a cidade.
E aqui entra uma analogia que talvez faça sentido para quem é do Brasil: Para mim, ir para Paris pela primeira vez e escolher ficar muito longe das áreas mais turísticas é mais ou menos como uma pessoa viajar pela primeira vez para o Rio de Janeiro e decidir se hospedar no Centro do Rio em vez de ficar em Copacabana.
O Centro do Rio tem história, tem arquitetura, tem importância cultural, tem lugares interessantes. Mas convenhamos: quando alguém imagina sua primeira viagem ao Rio, normalmente está imaginando caminhar no calçadão, ver o mar toda hora, sentar em um quiosque, tirar foto na praia, ver o pôr do sol e viver aquela atmosfera que representa o Rio para o turista. Na minha visão, Paris funciona de forma parecida.
Onde eu gosto de me hospedar em Paris
Se eu tivesse que recomendar uma região para alguém que está indo pela primeira vez para Paris, eu escolheria o 15º arrondissement, especialmente a região de Cambronne.
E aqui eu já quero quebrar um mito: ficar próximo da Torre Eiffel não significa necessariamente pagar caro. Existe uma ideia de que dormir perto da torre é algo reservado apenas para hotéis de luxo, mas isso não corresponde totalmente à realidade. Existem opções com ótimo custo-benefício e que entregam uma experiência muito mais alinhada com aquilo que a maioria das pessoas espera da primeira viagem para Paris.
Quando o turista vai para Paris pela primeira vez, normalmente ele quer viver Paris. Quer sair do hotel e ver a cidade acontecendo. Quer caminhar sem pressa. Quer encontrar um café bonito numa esquina. Quer tirar foto da Torre Eiffel em vários horários diferentes do dia. Quer jantar olhando para ruas movimentadas. Quer fazer um passeio de barco no Sena, andar sem rumo e descobrir lugares.
E a região próxima da Torre Eiffel facilita muito isso. Além da própria torre, você está relativamente próximo de várias áreas turísticas importantes da cidade, tem acesso fácil ao metrô e consegue aproveitar Paris sem transformar deslocamento em parte da viagem.
Alguns hotéis que considero ter um custo-benefício interessante nessa região são o ibis Styles Paris Eiffel Cambronne, o ibis Paris Tour Eiffel Cambronne 15ème, o Mercure Paris Centre Tour Eiffel, o Novotel Paris Centre Tour Eiffel e o Hôtel Eiffel Seine.
E aí entra um ponto importante: isso não significa que outras regiões não valham a pena. Muito pelo contrário. Paris é uma cidade enorme e cheia de bairros interessantes. Mas, na minha opinião, esses outros bairros começam a fazer ainda mais sentido quando você já conhece a cidade.
Usando novamente a analogia do Rio: imagina que você já foi duas ou três vezes para o Rio e já ficou em Copacabana, já fez os passeios clássicos, já viu tudo aquilo que o turista normalmente quer ver.
Talvez na próxima viagem você queira experimentar outra atmosfera. Ficar na Barra da Tijuca. Se hospedar no Recreio. Conhecer outro ritmo da cidade. Não porque seja melhor ou pior, apenas porque você já viveu o tradicional e agora quer experimentar outra versão do destino. Com Paris eu penso parecido.
Onde eu normalmente evito me hospedar em Paris
Esse é um tema que sempre gera discussão, mas falando exclusivamente da minha experiência pessoal, existem bairros onde eu normalmente evito me hospedar: 10º, 18º, 19º e 20º arrondissements.
Antes que alguém interprete errado: isso não significa que sejam bairros proibidos ou que não tenham pontos interessantes. Inclusive o 18º arrondissement abriga Montmartre, um dos lugares mais famosos da cidade.
O que acontece é que essas regiões, principalmente para hospedagem, costumam exigir mais conhecimento da cidade e mais cuidado na escolha exata da rua e do entorno.
Existem áreas que podem transmitir uma sensação maior de insegurança, ter um ambiente mais confuso ou simplesmente entregar uma experiência diferente daquela Paris que o visitante imaginou quando comprou a passagem.
Por isso, entre economizar um pouco na hospedagem ou facilitar a experiência da viagem inteira, eu normalmente prefiro investir em localização.
Porque em Paris, mais do que em muitas outras cidades, o bairro que você escolhe acaba definindo uma parte enorme da viagem.